Cruzeirinho

Um amor de madrinha e uma quase segunda mãe

Presentes na vida de muitas crianças, elas são confidentes, amigas e comemoram, amanhã, o seu dia
Um amor de madrinha
Beatriz e a sua madrinha Bruna. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

“Ela significa muito para mim. Temos uma relação forte desde que eu era pequena. Aliás, eu soube que até o meu nascimento, ela não gostava de criança e depois isso mudou.” Esse depoimento, da Beatriz Terra Pizarro, 11 anos, se refere a uma figura que se faz presente em muitas famílias e até mesmo nos contos de fadas: a madrinha.

Lembra que foi a Fada Madrinha, a madrinha mágica de Cinderela, que a ajudou a ir até a festa no castelo? Pois então. A madrinha é uma pessoa que nos quer tão bem como se fosse nossa própria mãe. E é exatamente essa a função que elas têm. Ser madrinha é uma grande honra, porque significa que seus pais estão confiando a ela uma importante missão: a de assumir o papel da mamãe, caso ela não esteja presente.

Talvez você não saiba, mas nem todas as crianças têm madrinhas, pois essa figura está ligada à religiosidade. Geralmente, as madrinhas são escolhidas pelos pais quando vão batizar os seus filhos na igreja católica. Mas há também muitos casos de madrinhas que não chegaram a batizar seus afilhados, mas acabaram ocupando essa posição tamanha a afinidade com a criança. São, portanto, madrinhas de consideração.

Caso você não tenha uma madrinha, não se preocupe. Um dia, se sua mamãe não puder estar junto com você, com certeza tem seus avós, seus tios e outras pessoas da família. “Uma madrinha é uma pessoa a mais na nossa vida”, explica a Beatriz, que deu depoimento logo no começo desta reportagem. Como forma de homenagear essa pessoa tão importante, foi criada inclusive uma data. Amanhã, 25 de novembro, é celebrado o Dia da Madrinha.

“Me dou muito bem com a minha madrinha. É uma segunda mãe mesmo. Sabe, às vezes tenho mais intimidade com ela, vejo como posso falar as coisas com minha mãe e é bom isso. Também tem gente que não tem relação tão forte com a mãe e tem com a madrinha, que é a pessoa em quem mais confia”, afirma Beatriz.

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Os pais de Beatriz escolheram alguém que já era da família para batizá-la: a sua tia. “Ela mora em outra cidade, mas a gente acaba se vendo sempre e falando por telefone também. Ela me conhece muito. Percebe quando estou com a voz estranha e já pergunta o que está acontecendo. Uma madrinha te conhece e sabe das coisas que você sente e não está querendo falar.”

Beatriz lamenta que algumas crianças não tenham madrinha e lembra que muitas vezes ela pode ser escolhida mais tarde, não precisa ser desde bebê. Já outras crianças têm madrinha, mas ela não é tão presente assim. Também pode acontecer e está tudo certo. Às vezes, as pessoas não conseguem estar junto. “Mas eu acho muito importante. Se eu não tivesse contato com minha madrinha, não seria a pessoa que sou hoje.”

A psicóloga Bruna Terra, madrinha de Beatriz, afirma que ser madrinha é a oportunidade de amar, como um filho, alguém que seu coração [e não sua barriga] gerou. “É experimentar desse amor incondicional, porque alguém te confiou, porque o coração te escolheu. É ter um elo eterno por escolha, e quando dois corações se escolhem não tem nada mais bonito.”

Amizade, parceria e vínculo para a vida toda

Um amor de madrinha
Júlia e a madrinha Regiane, de quem é muito amiga. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (18/11/2019)

Júlia Rezende, 10 anos, acha bem legal ter uma madrinha. “Sou muito amiga dela. A gente passeia e costumo dormir na sua casa.” Os pais escolheram como madrinha a tia de Júlia. Regiane Alice Cardoso Rezende, que trabalha em um hospital, afirma que já amava ser tia e o convite para ser madrinha foi muito emocionante. Conforme ela, além do amor, carinho e dedicação, a função representa responsabilidade, “pois madrinha é segunda mãe.” Ela, que já gostava da ideia de ser tia, afirma que ama ser madrinha. “É muito especial.”

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Se ter uma madrinha já não é para todos, imagina duas! Essa criança sortuda é Lívia Ferreira Aranha, 5 anos. Lívia tem duas madrinhas porque uma é a de batismo e a outra é a de consagração (trata-se de um ato religioso em que a criança é apresentada para Nossa Senhora, a mãe de Jesus).

Se por um lado a pequena tem com quem contar em dose dupla, por outro ela diz que ter duas madrinhas é difícil. Isso porque o coração fica dividido.

Um amor de madrinha
Lívia com suas duas madrinhas: Gabriela e Daniela. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (18/11/2019)

Com a professora Daniela Aranha Machado, madrinha de batismo (e também sua tia, por parte de pai), Lívia adora brincar e tomar sorvete. Já com a madrinha de consagração (e tia por parte de mãe), a dona de casa Gabriela Gomes Prangutti, além das brincadeiras, ambas curtem comer melancia e adoram sandálias e sapatos. Lívia disse que não consegue ver sempre as madrinhas, porque precisa ir à escola.

Daniela conta que recebeu o convite para ser madrinha de Lívia com muita alegria. “Já estava muito feliz por ser minha sobrinha e fiquei ainda mais”, afirma. Daniela lembra que na origem da palavra, madrinha é o diminutivo de mãe, e quer dizer mãezinha. “Então a madrinha é uma mãezinha que está ali”, complementa.

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Já Gabriela, madrinha de consagração, afirma que não sente que sua missão seja menor do que a da madrinha de batismo. “Também tenho de acompanhar o crescimento dela”, diz. A parte legal é que Lívia é sua única afilhada.

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Cauã e a sua madrinha Delaine, de quem recebe conselhos. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (18/11/2019)

O irmão de Lívia, Cauã Ferreira Aranha, 9 anos, é afilhado da gerente de loja Delaine Aranha, sua tia por parte de pai. “É como se eu tivesse outra mãe. É como se eu não tivesse uma mãe apenas, e sim duas”, reforça. Cauã afirma que conta suas coisas para ela e recebe vários conselhos. Os dois costumam jogar bola juntos no campinho, passear com o cachorro, jogar videogame… “E ela faz estrogonofe para mim”, disse, todo contente pelo prato especial que a madrinha prepara. Cauã também costuma ganhar muitos presentes dela. “Tenho mais dois afilhados e levo muito a sério. Independente da mãe estar junto, se a criança falou um ‘ai’, já estou lá junto.” Cauã e Delaine são parceiros até mesmo nos gostos. Quando ele resolveu fazer luzes no cabelo, lá foi a madrinha fazer também. “Meus afilhados são a alegria da minha vida.” (Daniela Jacinto)

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