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Especial de aniversário: Sorocaba ganha indústrias e trens

A cidade, fundada por Baltasar Fernandes, cresceu bastante e se tornou muito importante
Sorocaba ganha indústrias, trens e vira a Manchester Paulista
Esse é o prédio histórico onde funcionou a Companhia Nacional de Estamparia, a Cianê. Olha como ele era diferente, antes do shopping. Crédito da foto: Aldo V. Silva / Arquivo JCS (08/11/2006)

Para entender o que vai acontecer a partir de agora com a história de Sorocaba, que estava saindo do tropeirismo, é preciso saber, que assim como no Brasil, lá nos Estados Unidos também escravizavam os africanos. Um movimento contra isso surgiu tão forte naquele país que resultou numa guerra: a Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra de Secessão (separação).

O país se dividiu: o sul era a favor da escravidão e o restante era contra. Infelizmente, teve muita briga entre 1861 e 1865.

Nesse período, eles vendiam algodão para a Inglaterra, mas como estavam em lutas, o Brasil assumiu essa tarefa. “E Sorocaba se tornou o principal produtor de algodão”, afirma José Rubens Incao, o Zé Rubens, que sempre fala da cidade para as crianças porque é diretor da Biblioteca Infantil.

Então nessa época, a carga de algodão era levada no lombo da mula, afinal ainda estávamos no tropeirismo. Mas como era muita quantidade, o transporte ficava caro e difícil.

Eis que em janeiro de 1866 chega em Sorocaba um húngaro chamado Luís Mateus Maylasky. Já ouviu falar dele? Maylasky trabalhou como gerente da fábrica de algodão de um senhor chamado Roberto Dias Baptista e, mais tarde, se tornou seu sócio. Por volta de 1869 foi a época da “febre do ouro branco”, quando a cidade ficou conhecida como “Capital do Algodão”.

Veio então a necessidade de construir uma ferrovia e transportar tudo usando os trens. “Eles reuniram empresários e juntaram dinheiro”, ressalta Zé Rubens.

Em 24 de maio de 1871, Roberto e Maylasky inauguraram a Companhia da Estrada de Ferro, que se chamaria mais tarde Estrada de Ferro Sorocabana. “A ferrovia deu emprego a muita gente”, diz Zé.

A profissão era muito valorizada. Aliás, vale lembrar que muitos sorocabanos são descendentes de trabalhadores da ferrovia. “O trem passou a transportar não apenas carga, serviu também para as pessoas viajarem.”

Um homem chamado Manoel José da Fonseca, que enriqueceu vendendo algodão, deu início a outra fase de Sorocaba: a das indústrias. Ele construiu a tecelagem Nossa Senhora da Ponte, que mais tarde se transformou na Companhia Nacional de Estamparia, a Cianê.

O local que ela ficava é onde está hoje o shopping Pátio Cianê. “Para conseguir construir essa fábrica, ele tinha de comprar um terreno pertencente à família Prestes de Barros. A proprietária não queria vender, mas para convencê-la, Manoel disse que iria dar emprego para crianças, tirando-as da vadiagem”, afirma Zé Rubens.

Na época essa atitude foi considerada nobre. Não existia lei de proteção à infância e às crianças, então, elas deixavam de ir à escola para trabalhar. O tempo de serviço era o mesmo dos adultos, mas ela ganhavam apenas uma parte pequena do salário. Hoje, a lei já proíbe que qualquer criança trabalhe.

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Outras fábricas abriram como a Santa Rosália, a Santo Antonio, a Santa Maria, a Votorantim. Sorocaba ficou conhecida como a Manchester Brasileira, em referência a uma cidade chamada Manchester, na Inglaterra, que é considerada até hoje uma das mais modernas daquele país. “Os imigrantes espanhóis colaboraram muito com Sorocaba nessa fase das indústrias de tecidos”, lembra o pesquisador Zé Rubens. Mais tarde, Sorocaba ficou famosa como Manchester Paulista.

Já nos anos 1960, o prefeito Armando Pannunzio criou a Zona Industrial, no Éden, e aí veio uma variedade grande de fábricas para cá, entre elas a Fábrica de Aço Paulista, a Faço. “A oferta de emprego atraiu grande massa de migrantes como mineiros, paranaenses e a cidade cresceu mais ainda”, ressalta o pesquisador.

O historiador Carlos Carvalho Cavalheiro completa dizendo que Sorocaba, ao longo dos anos, foi desenvolvendo comércio diversificado e também atividades de prestação de serviços, como por exemplo empresas de contabilidade, de segurança, dedetização, delivery e escolas particulares.

Crianças conhecem de perto os pontos históricos

Professoras e alunos do Centro Educacional Compasso. Crédito da foto: Erick Pinheiro

No Centro Educacional Compasso, desde muito pequenas as crianças aprendem sobre Sorocaba. Esse tema inclusive faz parte do material didático. Na terça-feira, alunos de 5 e 6 anos fizeram um passeio pelos principais pontos históricos e acharam muito interessante conhecer sobre a cidade indo até os locais, vendo objetos, estátuas e prédios importantes.

Durante o passeio, foram informadas sobre Baltasar Fernandes, os bandeirantes, os tropeiros, até chegarem nos dias mais atuais, com a ferrovia e depois ainda tiveram uma conversa com a reportagem sobre a indústria e o trabalho infantil.

Para Antonio Malini Gualda, 5 anos, o passeio foi bem legal. Ele fez questão de dizer que conhece trem porque já andou de metrô (um trem mais moderno, que tem em São Paulo) e Maria Fumaça.

Antonio já andou de metrô. Crédito da foto: Erick Pinheiro

A Maitê Seroghete Scatena, 5 anos, gostou de saber mais sobre Sorocaba e principalmente de ver a miniatura de um trem, pois ela nunca teve a oportunidade de conhecer um. “Mas a minha mãe fala que eu andei quando era bebê.”

Maitê gostou da miniatura do trem. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Durante visita no Museu do Ferroviário, Rafael Sakabe Assis, 5 anos, ficou curioso e prestou muita atenção nas explicações feitas pelo monitor. Assim como a Maitê, ele adorou ver a miniatura de um trem. Por isso resolveu perguntar para o monitor se esse tipo de transporte ainda existe. A resposta é que sim, em algumas cidades.

Já Gabriel Tozzi Cavalheiro, 5 anos, ficou feliz em saber que Sorocaba guarda várias memórias importantes. “Agora sei sobre Baltasar Fernandes. Os índios que faziam as coisas para ele. Foram os índios que construíram a primeira igreja da cidade. Também aprendi sobre Matheus Maylasky. Ele que criou a estação ferroviária”, conta Gabriel. Ele só não gostou de saber que as crianças trabalhavam nas indústrias. “É ruim, elas ficavam se arriscando.

 

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