Cruzeirinho

Quem disse que as crianças iriam ficar sem festa junina?

Em tempos de pandemia, “arraiá” virtual é novidade e tem até quadrilha
Quem disse que as crianças iriam ficar sem festa junina?
Maria Eduarda comemorou duas vezes, dançou e até pulou uma fogueira feita de papel. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Algum dia na sua vida você pensou em comemorar a festa junina em casa, sem a presença dos seus amigos, mas ao mesmo tempo com todos eles? Se alguém falasse isso no ano passado pra você, pareceria um papo de louco, não é mesmo? Mas agora você já sabe ser totalmente possível, com a ajuda da internet. Durante o “arraiá” virtual, as crianças estão compartilhando com os amigos as brincadeiras como bingo e pesca, as comidas típicas e até mesmo dançando quadrilha!

Essa nova experiência está sendo possível graças ao esforço de educadores e pais, que não quiseram deixar as crianças sem celebrar a data. De um lado, professores promoveram as brincadeiras, a quadrilha e reuniram toda a turma. de outro lado, os pais prepararam uma mesa com gostosuras típicas da época, enfeitaram a casa com bandeirinhas e capricharam na roupinha de caipira. Tanto se fala da parceria família e escola e um momento como esse veio reforçar a união de pais e mestres.

Depois dessa fase de isolamento por conta do coronavírus, todos terão acumulado outros tipos de experiência e muita história pra contar! Essas vivências diferentes também estão se mostrando bem legais. É o que disseram os entrevistados desta edição do Cruzeirinho.

A Maria Eduarda Cavassani Moura, de 4 anos, afirma que gosta muito de festa junina e já teve a oportunidade de comemorar duas vezes este ano! Primeiro com sua turminha da escola e depois com os alunos da mamãe, que é professora na mesma escola onde a pequena estuda. “Gosto da comida, das brincadeiras, roupas e da festança”, disse ela. De tudo, o que mais prefere é se vestir de caipira, passar maquiagem e, principalmente, fazer pintinhas. “Foi legal comemorar na internet, vi os amiguinhos. A gente dançou a nossa música, eu comi pipoca…”, conta.

Apesar de ter curtido essa festa junina diferente, Maria Eduarda prefere a de antes. “Porque a gente sai de casa, e nesse coronavírus a gente nem pode sair. Estou tendo dias legais porque a minha mãezinha faz o dia ficar legal”, comenta. Em casa, Maria Eduarda dançou a quadrilha com o papai e inclusive pulou a fogueira, feita de papel.

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Bernardo e Yuri (de chapéu) participaram da festa on-line e se deliciaram com as comidas em casa. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

O Bernardo Maciel Martins, 7 anos, ficou tão empolgado com a festa virtual que mesmo sua aula começando às 13h, desde as 11h já estava todo arrumado, aguardando o início. Sim, os eventos citados nesta matéria foram durante o horário de aula, pois a proposta partiu dos professores. “A gente dançou, sabe. A professora colocou microfone e a música. Cada um dançou na sua casa. Eu também comi paçoca, sorvete com marshmallow, cachorro quente e pipoca”, conta.

Bernardo incluiu na festança o seu irmão Yuri, de 9 anos. Ele ainda teria mais uma festa no sábado (ontem), da qual participaria todo mundo da escola. “Foi legal este ano, foi uma experiência diferente, mas presencial é mais legal porque eu posso brincar com os meus amigos.”

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Manuela achou que deu para improvisar e se divertir muito. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Na opinião de Manuela Silva Pretti, 7 anos, o coronavírus não atrapalhou a festa junina. “Deu para improvisar e se divertir também”, afirma. Ela e os amigos participaram de algumas brincadeiras como aquela das laranjas na testa e andar com uma bolinha na colher. “Aqui em casa fizemos festa junina também. Teve bolo de milho, pipoca e acendemos uma fogueira.”

Já no arraiá virtual do Miguel Martins Marchetti, 7 anos, teve inclusive pesca! “Este ano até que foi legal on-line. A tia fez uma pesca e também teve bingo. Eu fiquei em primeiro lugar!”, conta todo feliz. “Teve ainda quadrilha e eu dancei”, comenta.

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Miguel curtiu as brincadeiras de pesca e bingo feitas pela professora. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Miguel tem uma irmãzinha de apenas 5 meses, a Melissa, e deu um jeitinho dela participar também. Ele disse que está achando essa doença (a Covid-19) chata. “Porque todo mundo tem de ficar em casa. Eu quero brincar com os amigos da rua, ir à escola. Fico triste porque tem pessoas que saem de casa sem necessidade. Parece que ninguém quer que passe”, desabafa.

A origem da festança

As festas juninas do Brasil têm origem nas festas dos santos populares de Portugal: a Festa de Santo Antônio, a Festa de São João e a Festa de São Pedro e São Paulo. A música e os instrumentos usados (cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco etc.) estão na base da música popular e folclórica portuguesa. Assim que chegou aqui, a festividade logo foi incorporada aos costumes das populações indígenas e afro-brasileiras.

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O local onde ocorre a maioria dos festejos juninos é chamado de arraial, um largo espaço ao ar livre, cercado ou não, onde barracas são erguidas para o evento ou, então, é usado um galpão já existente. Geralmente, o arraial é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de coqueiro ou bambu. Nos arraiais, acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões e bingos.

Essa festividade se tornou típica do Nordeste, que por ser uma região árida, agradece anualmente a São João Batista, mas também a São Pedro, pelas chuvas caídas nas lavouras. Em razão da época propícia para a colheita do milho, integram a tradição as comidas feitas dele, tais como a canjica, a pamonha, o milho cozido, a pipoca e o bolo de milho. Também pratos típicos são o arroz-doce, a broa de milho, a cocada, o bombocado, o quentão, o vinho quente, o pé-de-moleque, a batata-doce, o bolo de amendoim e o bolo de pinhão.

Outra região conhecida pelas festividades no mês de junho é o interior de São Paulo, onde ainda se mantém a tradição das quermesses e danças de quadrilha em torno de fogueiras. A culinária local apresenta pratos característicos tais como a paçoca, o pé-de-moleque, o bolinho caipira, os pastéis, a canjica e outros. As quermesses atraem também músicos sertanejos e brincadeiras para os mais novos. (Daniela Jacinto)

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