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Novas definições para as mesmas palavras

Esse foi o exercício feito por uma turminha que criou um dicionário, em 2015, e agora o incrementou com muita pesquisa e tecnologia
Novas definições para as mesmas palavras
Duas classes participaram da elaboração do dicionário, totalizando 46 alunos. Nesta foto, os representantes da turma, ao lado das professoras. Crédito da foto: Fábio Rogério

Entender bem o que significam as palavras, para poder se expressar, é muito importante. Você já deve ter reparado em alguém que falou alguma coisa querendo dizer outra, justamente por não saber ao certo a definição daquela palavra, não é mesmo? Esses erros acontecem porque muita gente se esquece de verificar o dicionário! Estudantes do 5º ano do ensino fundamental do Anglo Sorocaba participaram de um projeto que deu muito certo e agora querem compartilhar com todas as crianças. Eles elaboraram o Dicionário Porquês, que será lançado hoje, às 16h, na Livraria Saraiva do shopping Iguatemi Esplanada. Esse dicionário tem um diferencial: foi feito com o uso de múltiplas linguagens e conta com versões impressa e digital. O evento é aberto a todos os interessados.

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Maria Flor ampliou sua pesquisa sobre as borboletas e gravou um áudio. Crédito da foto: Fábio Rogério

O projeto do dicionário começou em 2014, quando as crianças da escola tinham entre 5 e 6 anos. Naquela oportunidade, foram definidas palavras de A a Z, sob a ótica dos próprios alunos. Maria Flor Jorge Lorentz escolheu falar sobre a borboleta. “É uma lagarta que tem asas e que pode voar, lagarta voadora”, registrou, aos 5 anos de idade. Sua contribuição uniu-se a dos demais colegas de sala e esse material foi publicado em livro, divulgado pelo Cruzeirinho no dia 12 de abril de 2015. Agora, a mesma turminha recebeu a missão de reelaborar o dicionário, mas com a proposta de usar múltiplas linguagens — animações, jogos, áudio, vídeo, fotografias, entre outros, apresentados em QR Code (um código de barras que pode ser facilmente escaneado pelo celular) — para explicar as palavras. Que desafio hein!

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A parte mais legal é ver o quanto eles se desenvolveram nesse tempo. Com você, que está lendo esta reportagem, é assim também. A cada dia que passa, vamos aprendendo coisas diferentes e podemos depois perceber o quanto evoluímos.

Maria Flor conta que desta vez realizou uma pesquisa sobre borboleta. Depois, gravou um áudio explicando de forma mais técnica. Esse áudio pode ser ouvido por meio de acesso ao QR Code. Os leitores do livro também poderão ver em seus celulares algumas fotos de borboleta.

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Miguel não só explicou, mas resolveu construir um robô, o Peteleco. Crédito da foto: Fábio Rogério

Já o Miguel Leone Firmino, 11 anos, que aos 6 falou sobre a palavra Tristeza — “é quando você faz uma coisa errada e a professora fala ‘que tristeza’ — agora escolheu definir o significado de robô. Além de ter de explicar com palavras, ele fez questão de mostrar o que é, montando um robô! Ele explica todo o processo por meio de vídeo. A parte mais interessante do trabalho do Miguel é que ele doou o seu robô para a educação infantil e tem ensinado as crianças menores da escola a fazerem também! O Peteleco, nome que deu ao robô, é um sucesso entre os pequenos. As crianças cuidam dele e fizeram até uma festa de “mesversário” para o robô. “Me sinto muito feliz de ter criado o Peteleco, além disso as crianças estão criando os robôs delas também.”

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Maria Luiza mudou suas palavras e explicou seus significados em vídeo. Crédito da foto: Fábio Rogério

Maria Luiza Statkevicius Oragio, 10 anos, disse que não lembra muita coisa da primeira vez que participou. “Eu fiz a definição de político e disse que é a pessoa que faz o horário político”, conta. Agora ela escolheu falar das palavras ketchup e queijo. Para explicar melhor, ela fez um vídeo explicando uma receita de ketchup. Em outro vídeo ela fala da importância do queijo para a saúde. “Foi incrível participar porque esse projeto fez a gente pensar não só no significado sentimental das palavras, como aconteceu quando estávamos no infantil, mas ajudou a aprofundar e a gente foi ver como é, de acordo com a norma culta da língua portuguesa.”

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Marcelo é o programador da turma e foi responsável por montar um Quiz. Crédito da foto: Fábio Rogério

A edição anterior, publicada pelo Cruzeirinho, contou com participação de Amanda Paschoal Caversan, que agora está morando nos Estados Unidos. No lugar dela, quem falou com a nossa reportagem foi o Marcelo Scasso Franco, 11 anos. Marcelo é o programador da turma — importante contar que duas classes participaram da elaboração do dicionário, totalizando 46 alunos. Ele montou um Quiz (teste) virtual, que também poderá ser acessado pelo QR Code impresso no livro. “Foi difícil, mas a professora Cristiane ajudou. Foi bem legal, deu para aprender bastante coisa”, disse ele, que faz aula extra de tecnologia educacional no contraturno escolar e por isso ficou interessado em trabalhar a programação da versão digital do dicionário.

Novos recursos

O Dicionário Porquês é inspirado no livro “Casas das estrelas — o universo contado pelas crianças”, do escritor colombiano Javier Naranjo. Participaram do projeto as professoras Monisa Maciel, da área da Contação de Histórias, e Cristiane Marques de Oliveira, de Tecnologia — ambas iniciaram esse trabalho com as crianças em 2014 (o livro foi publicado posteriormente). Agora, o projeto contou também com Matildes Rodrigues de Aquino, professora do fundamental 1, que recebeu de Monisa e Cristiane a missão de dar continuidade ao trabalho iniciado. Isso porque no 5º ano trabalha-se com os estudantes a Língua Portuguesa focada no gênero verbete. Então, a ideia de reelaborar o dicionário encaixou-se perfeitamente na proposta pedagógica. “No infantil foi feito sob a ótica da simplicidade deles, agora viram o significado das palavras de acordo com as suas várias acepções e contextos”, afirma Matildes.

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Monisa lembra que na educação infantil o que as crianças falavam era gravado para que fosse captado o que elas queriam dizer na íntegra. Já agora, os recursos tecnológicos se destacam.

Conforme Cristiane, o projeto começou com a ideia de mostrar como cada criança enxerga o conceito das palavras, de acordo com seus conhecimentos. “Foi muito gratificante poder participar das duas edições do dicionário, pois acompanhei de perto todo crescimento e amadurecimento das crianças. Elas se transformaram em produtoras de recursos digitais. Com uma nova forma de ver as palavras, outro olhar”. (Daniela Jacinto)

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