Cruzeirinho

Nada como um conselho dos ‘mais velhos’

Crianças contam como largaram da chupeta e deixam suas dicas para os mais novos
Nada como um conselho dos ‘mais velhos’
O gato acabou comendo a chupeta da Alice. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Todo mundo já ouviu falar que o uso de chupeta pode prejudicar os dentes mas, vamos falar a verdade: como é difícil se desfazer desse querido objeto, companheiro dos momentos de sono e de manha! Conseguir deixar a chupeta de lado é um dos momentos importantes da infância, porque representa uma outra etapa, afinal a criança está deixando o comportamento de “bebê” para crescer. No Cruzeirinho de hoje, as crianças mais velhas lembram como foi que largaram da chupeta e, se você ainda usa, pode aproveitar as dicas. Já para quem deixou a chupeta faz tempo, as histórias aqui relatadas trazem boas recordações do dia que cada um se despediu da sua. Será que você ainda se lembra como foi?

A Luana de Fátima Machado, 9 anos, parou de usar a chupeta no dia da sua festa de aniversário. “Eu tinha feito uma promessa: no dia que eu fizesse 5 anos, iria deixar de usar”, conta. Como seu aniversário é no dia 3 de dezembro, quando chegou a data o pai perguntou se ela iria cumprir o que tinha dito. “Como a festa seria no dia 5 e eu falei que largaria nesse dia, porque estaria de fato comemorando meu aniversário”, justifica. Assim, Luana ganhou dois dias para ir se despedindo. Estava um pouco apreensiva sobre como iria ser. Aconteceu que bem no dia da festa, ela esqueceu a chupeta na casa da avó. “Fui obrigada a cumprir a promessa”, ri.

No dia seguinte, a avó perguntou se poderia jogar a chupeta. “E eu disse que não, porque eu queria levar para a Sala de Promessas de Aparecida do Norte. Quando fui até lá, chorei na hora de entregar. A moça ficou emocionada e me deu um tercinho”, lembra.

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Uma ligação da Fada do Dente

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Isabelli trocou a chupeta por um presente. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Isabelli Rocha Santos, de 8 anos, conta que quando tinha 2 anos recebeu uma ligação da Fada do Dente, que estava preocupada porque seus dentes poderiam entornar se usasse muito a chupeta. Por isso, Isabelli resolveu atender ao pedido da fada e trocar a chupeta por uma Barbie, mas não era qualquer Barbie. Era uma Barbie com asas! “A fada falou que se eu não parasse de usar a chupeta, ia ficar com o dente torto. Ela pediu a chupeta, em troca de um presente bem lindo”, disse Isabelli e foi mesmo. A fada deixou a Barbie no portão da sua casa. “E eu não senti falta da chupeta. Fiquei bem.”

Com sua irmã caçula aconteceu a mesma coisa. Alice, que hoje tem 5 anos, afirma que quando estava com 2 anos a fada ligou. Mas com ela não teve negociação. Não trocou sua chupeta por presente. Só que um dia, Alice esqueceu a chupeta no quintal e o gato comeu. Infelizmente, conforme sua mãe, não estavam mais vendendo chupetas para a idade dela. “Mas não senti falta, porque chupeta deixa a gente com dente torto.”

Desapego imediato

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Enzo jogou a chupeta no lixo. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Imagina conseguir largar a chupeta assim, de sopetão! Isso deve ser bem raro, mas foi o que aconteceu com Enzo Dominic Colaci da Paixão, de 5 anos. Quando ele estava com apenas dois anos, sua mãe veio e falou para jogar fora. “Aí eu abri o saco de lixo e joguei”, conta, afinal a mãe disse que iria estragar seus dentes. Mas Enzo confessa uma coisa: já estava achando chato usar chupeta e não gostava muito. “Chupeta é só pra neném, não serve pra nada.”

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Entorta os dentes, sim!

A dentista Neli Figueiredo Gaspar De Zorzi, formada pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e especialista em ortodontia pela Associação Brasileira de Odontologia de São Paulo, afirma que o uso de chupeta altera os ossos do maxilar e da mandíbula, entortando os dentes. “O céu da boca fica mais estreito, o que pode causar dificuldade na respiração da criança”, diz.

Conforme ela, é tolerável o uso até os 4 anos, pois os ossos ainda estão em formação. “Depois dessa idade o osso já vai se firmando, mas antes ainda está mais maleável”, explica. Se os dentes entortarem, aí será preciso colocar aparelho ortodôntico. “E quanto mais cedo for a procura pela correção, é mais fácil. Isso pode ser feito já a partir dos 6 anos”, afirma Neli. Tem também um outro detalhe: é fundamental lavar a chupeta que caiu no chão antes de levá-la à boca, mas muitas crianças acabam não seguindo isso à risca, o que pode causar doenças.

Já com relação a crianças que costumam chupar o dedo, ela afirma que isso não deve ser permitido pelos pais. “Depois é muito difícil tirar esse hábito. Entre o dedo e a chupeta, é melhor a chupeta.”

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Luana fez até uma promessa de que largaria a chupeta. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Rosana de Toledo Luciano Rodrigues, fonoaudióloga do Hospital Oftamológico de Sorocaba, lembra que a chupeta pode também interferir na fala. “A criança está aprendendo a falar e o uso da chupeta é como se ela estivesse com uma grande bala na boca, o que dificulta sua expressão”, diz.

De acordo com Rosana, para a criança aprender a falar, a língua tem de tocar o céu da boca no ponto onde pronunciará o som da letra, mas com a chupeta na boca, o posicionamento é outro e pode falar colocando a língua para fora, o que também favorece a flacidez da musculatura. “A chupeta leva a língua para baixo e por isso a posição da língua tende a mudar”, afirma Rosana.
Devido a isso, a criança pode pronunciar sons de forma equivocada, por exemplo o “L” pode virar “U”, o “C” virar “Cá”, e distorcer os sons do “Z”, do “S” e do “X”.

Se a criança tiver alterações na fala, é preciso consultar um profissional da área da fonoaudiologia, que também pode auxiliar na hora da retirada da chupeta. “Como o uso muitas vezes é motivado por um hábito emocional, então pode ser até que precise de apoio de um psicólogo, mas com relação a alteração de fala, de musculatura e retirada desse hábito, basta procurar por fono. A gente vai fazendo combinados e tende a diminuir a vontade da chupeta.” (Daniela Jacinto)

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