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É dia de fanfarra e os alunos da Walter Carretero comemoram

Alunos da Escola Municipal Walter Carretero dão um show com os instrumentos nas mãos
É dia de fanfarra!
Samuel nunca havia tido oportunidade de tocar um instrumento. Crédito da foto: Fábio Rogério

“É o grande dia.” “É o melhor dia de todos.” Essas falas, respectivamente de Ana Clara dos Santos Axman e Crystopher Cauan Domingues Onório, ambos com 9 anos, foram acompanhadas por um coro de amigos concordando. Afinal, esse é o “Dia de Fanfarra”! É quando muda a rotina dos alunos dos 4º e 5º anos da Escola Municipal Walter Carretero, situada no Jardim Santa Cecília. Nessa data, a escola é contemplada por sons de instrumentos como lira, caixa, prato e triton. A empolgação é contagiante e tudo o que dá vontade de fazer é participar também!

Mesmo com pouco tempo de aprendizado, as crianças dão um show de afinação, coordenação, sintonia, disciplina, trabalho em equipe, ritmo e, mais do que tudo isso, espalham alegria pelo ambiente. Esse resultado obtido é fruto da dedicação dos músicos Estevão Borges e Renê de Souza Garcia, que levam o projeto para a escola de forma voluntária. Estevão ensina a tocar os instrumentos e Renê cuida do coro.

Crianças, que em sua grande maioria não teriam oportunidade de tocar um instrumento, estão vibrando com essa possibilidade. Para começar com as aulas de fanfarra na escola foi preciso fazer primeiro uma mobilização, pois muitos instrumentos estavam quebrados. Então houve um remanejamento de outras escolas, que não estão usando alguns instrumentos, até conseguir completar o que faltava.

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As aulas começaram em março. As 35 crianças participantes, com idades de 9 a 11 anos, são divididas por turma, sendo que cada turma tem uma aula semanal e a cada 15 dias todos se juntam para um ensaio geral. Conforme Estevão, as crianças podem levar os instrumentos para casa, para ensaiar. Isso tem ajudado a irem cada vez melhor.

Já teve até apresentação para o público. As crianças tocaram na Festa da Família, realizada dentro da escola e agora estão na expectativa para a Festa Julina da escola e o passo maior: o desfile de 15 de agosto, em que se apresentarão para o público externo.

É preciso ter esforço e dedicação

Conforme Gilmar dos Santos Queiroz, 10 anos, participar da fanfarra exige esforço e dedicação, para tocar cada vez melhor. As crianças podem experimentar diversos tipos de instrumento. “Já passei por quase todos”, orgulha-se Isabelle Smith, 10 anos. “A lira é o mais difícil, porque tem de saber onde estão as notas musicais”, ressalta Gabriela Beatriz da Silva Ribeiro, 10 anos. Já o João Pedro Batista de Moura, 9 anos, é o único que toca triton (um instrumento com três caixas). Ele tem a responsabilidade de coordenar seus movimentos e ritmo se revezando para tocar em cada uma. “É mais ou menos difícil, mas eu gosto de ficar aqui nas aulas da fanfarra porque aprendo coisas diferentes. Gosto muito de música. É muito legal.”

Milena Vigorvino Joaquim, 9 anos, confidencia que sempre teve vontade de tocar, porque via na TV. “E agora eu toco timba”, disse. Samuel Brayan Oliveira Barros, 11 anos, conta que nunca teve oportunidade de estar em contato com um instrumento e que as aulas oferecem a ele a possibilidade de tocar e aprender mais. José Guilherme Pinheiro Dantas, 9 anos, conta que morava na Paraíba e onde estudava não tinha chance de tocar. Conforme ele, é fácil aprender, só precisa prestar atenção.

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É dia de fanfarra!
As crianças aprendem a tocar instrumentos bem diferentes, como a lira. Crédito da foto: Fábio Rogério

Nicolas Davi de Oliveira Moraes, 9 anos, observou que cada instrumento tem um tipo de som. Entre os alunos, Henzo Gabriel Inácio Ferraz, 9 anos, é exceção. Ele já toca violão, habilidade que aprendeu com o seu pai. “Agora estou aprendendo timba.”

Antigamente toda escola tinha sua fanfarra. Agora, participar de uma é novidade para as crianças, que se sentem gratas por saber que esse resgate está sendo promovido de forma voluntária. É o que expressou Sibely Gonçalves das Graças, 9 anos. Ela fez questão de reconhecer a boa vontade dos professores. “Eles se ofereceram para dar aula para nós”, ressaltou. “É quando me sinto feliz”, afirma Kemily Vitória Dias Ferraz, 9 anos.

Tem que estudar

Todo o projeto começou por iniciativa de Renê de Souza Garcia, primeiro com o coral na escola. Ao ver que as crianças têm uma forte musicalização, ele convidou o amigo Estevão Borges para participar, ensinando os pequenos a tocar instrumentos.

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Quando os participantes da fanfarra têm notas baixas na escola ou acontece algum problema, eles recebem advertência e ficam sem tocar. “Só podem assistir”, comentou Estevão. É uma forma de cobrar deles uma dedicação também com relação ao currículo escolar. A diretora Glaucia Amendola Fullmann Davanso está adorando. “Às vezes um aluno não é bom em matemática, mas é ótimo em arte.” (Daniela Jacinto)

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