Cruzeirinho

Drummond e o elefante

Artigo escrito por Vanessa Marconato Negrão
Drummond e o elefante
Crédito da foto: Divulgação

Vanessa Marconato Negrão

Carlos Drummond de Andrade nasceu em 1902 na cidade de Itabira, em Minas Gerais, e foi um dos mais influentes poetas do Brasil. Suas memórias da infância na cidade viriam a inspirar grande parte de sua obra. O poema “O Elefante”, escrito entre 1943 e 1945, de tão bonito, ganhou um livro ilustrado só para ele. Uma das estrofes diz:

“É todo graça, embora / As pernas não ajudem / E seu ventre balofo / Se arrisque a desabar / Ao mais leve empurrão. Mostra com elegância / Sua mínima vida / E não há cidade / Alma que se disponha / A recolher em si / Desse corpo sensível / A fugitiva imagem / O passo desastrado / Mas faminto e tocante.”

Ao contrário da maioria dos poemas, “O Elefante” tem sete estrofes, é mais longo e já dá pra imaginar por quê. Um animal tão grande, em tamanho e importância não caberia em poucos versos. Ainda mais em versos imaginados por Drummond.

O elefante sai em busca de si. Um elefante recheado de paina, algodão e doçura. Ele busca seus iguais e seu lugar no mundo. Será que irá se encontrar?

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Assim, o poema de Drummond encanta pequenos e grandes leitores em uma jornada repleta de descobertas e recomeços. Indicado para crianças a partir de 6 anos, que podem tirar as mais belas conclusões ao interpretar suas metáforas e significados. O livro é ilustrado por Raquel Cané e publicado pela Companhia das Letrinhas.

Vanessa Marconato Negrão é professora e apaixonada por literatura infantil.

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