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Cruzeirinho

Crianças de Sorocaba aprendem a lidar com as perdas e a saudade

Cruzeirinho conversou com alunos sobre o Dia de Finados ou Dia dos Mortos
Um dia para agradecer pelos bons momentos
Lá no CEI-88, os alunos da professora Érica conversaram sobre o assunto e aprenderam muita coisa com a ajuda do personagem Penadinho. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (29/10/2019)

Sempre que ia visitar sua vovó, Maria Clara Pinheiro Mota, 5 anos, via o cachorro Billy por lá. Um dia, ele não estava mais. Maria Clara soube, então, que Billy tinha morrido. “Sinto saudade”, disse. João Miguel Moura Elias, 5 anos, também ficou sem vários animaizinhos: o peixe, depois o cachorro, o gato e até uma cobra de estimação. Primeiro ficou triste, porque não poderia mais vê-los e nem brincar com eles. Às vezes sente saudade, mas depois fica bem, porque lembra com carinho dos momentos bons que viveram juntos. Talvez você, que está lendo agora esta reportagem, também tenha passado por algo assim, né? Então… É normal a gente ficar triste e sentir falta dos animaizinhos e também das pessoas queridas que já não estão mais entre nós. A morte faz parte do ciclo natural da vida, inclusive existe uma data que foi criada para as pessoas lembrarem de quem já se foi, que é o Dia de Finados, celebrado no sábado (02).

O Dia de Finados ou Dia dos Mortos é feriado nacional. É um dia muito importante para algumas religiões, pois estas o dedicam a prestar homenagem a todos os que já morreram. Nessa data, as pessoas costumam ir ao cemitério para levar flores e fazer orações.

Por falar em cemitério, as crianças citadas logo no início deste texto e seus colegas de classe estão até cansados de tanto passar em frente ao cemitério — aliás a maioria já entrou lá. Isso porque onde estudam, o CEI-88 Vera Aparecida Guariglia dos Santos, fica próximo ao Cemitério Municipal Aparecida. “Esse é o lugar que ficam as pessoas que morrem”, explicou Isabella Nunes Zara, 4 anos. “A vó Maria já morreu. Eu lembro dela”, acrescentou. Conforme Isabella, a professora ensinou que às vezes a saudade dói. Na opinião dela, os adultos devem contar a verdade para as crianças quando alguém morre, afinal é algo muito importante e isso não deve ser escondido.

Colcha de lembranças

A professora Érica Monteiro Rodrigues Beranger decidiu trabalhar o tema com as crianças do Pré-1, pela proximidade do Dia dos Finados, e conta que para isso começou lendo com seus alunos o livro “A colcha de retalhos”, de Conceil Corrêa da Silva. O livro é sobre um neto que ajuda a avó a costurar uma colcha de retalhos. Cada pedaço de pano acrescentado à colcha, representa uma lembrança. Tem muitas, até aquelas mais doloridas, de alguém que já não está presente.

Isabella Antunes Gomes Benevides, 4 anos, lembrou que a vovó ficava sempre com o vovô. “Um dia meu pai levou a vovó ao médico e ela não voltou mais. Sinto saudade dela”, comentou. Já Kener Gabriel Oliveira Sampaio, 5 anos, contou que perdeu a bisavó. “Ela teve falta de ar. Era velhinha já. Eu costumava fazer carinho nela”, recordou.

Um dia para agradecer pelos bons momentos
No México, as pessoas têm tradição de homenagear os mortos com festa. Crédito da foto: AFP / Mark Ralston

Os adultos muitas vezes ficam receosos de falar com as crianças sobre assuntos tristes, como a morte, mas nem reparam que elas convivem com esse tema em seu dia a dia, seja por um acontecimento na família, nas brincadeiras, vendo TV, no videogame e até mesmo nos gibis da Turma da Mônica. A professora Érica lembrou do Penadinho, personagem criado por Mauricio de Sousa, para falar com sua turminha sobre isso.

O Penadinho vive no cemitério. Ele e os amigos estão sempre fazendo a maior confusão por lá. Mas os alunos da professora Érica aprenderam que isso não pode. Durante uma roda de conversa, as crianças disseram que cemitério é um lugar de respeito e não se deve ficar brincando ali e nem fazer bagunça. Na conversa, os pequenos lembraram que também existe um cemitério só de animais. “Quando minha cachorra Lili faleceu, eu ainda era bebê”, recordou Lorena dos Santos Ferreira, 5 anos.

Durante esse trabalho, Érica aproveitou para falar com as crianças sobre outras despedidas como de um amigo da turma, que foi morar em outro Estado, o encerramento do ciclo no CEI-88 e a mudança de escola. Falar sobre o assunto, ensina a professora Érica, ajuda a entendê-lo melhor e a enfrentar os momentos de perda, que não são fáceis. Por isso, se você tem alguma dúvida, pergunte a um adulto próximo e mostre a ele essa reportagem. Vai ser muito bom conversar!

Lembrança com festa

Um dia para agradecer pelos bons momentos
Faz parte da tradição de outros países vestir roupas com esqueletos pintados. Crédito da foto: Pixabay

O Dia de Finados ou Dia dos Mortos não precisa ser uma data triste. No México, por exemplo, a data é comemorada com festa. Faz parte da cultura daquele povo homenagear os mortos com alegria. Essa é uma das festas mexicanas mais animadas. Há muita comida, bolos, música e doces preferidos dos mortos (os prediletos das crianças são as caveirinhas de açúcar).

As pessoas enfeitam suas casas com flores, velas e incensos. Também fazem máscaras de caveira, vestem roupas com esqueletos pintados e se fantasiam de morte. Essa celebração tem origem indígena e, além do México, também acontece em outros países da América Central e em algumas regiões dos Estados Unidos, onde a população mexicana é grande. É uma tradição classificada como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Povos orientais também fazem homenagens alegres aos mortos. No Japão, por exemplo, existe um festival chamado de Bon Odori, que ocorre anualmente durante o verão, entre julho e agosto. Com danças em grupo e levando lanternas acesas, a população lembra da sabedoria dos antepassados. Nessa ocasião, predomina um clima de jovialidade, gratidão e participação geral. O Bon também é celebrado em comunidades de imigrantes japoneses e seus descendentes fora do Japão. (Daniela Jacinto)

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