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Atitudes simples ajudam a preservar o meio ambiente

No Colégio Politécnico, crianças e adolescentes aprenderam a usar as casquinhas do lápis para economizar água
Atitudes simples ajudam a preservar o meio ambiente
Dá para fazer adubo orgânico usando também cascas e restos de alimentos. Crédito da foto: Emidio Marques

No último dia 5 de junho, as pessoas do mundo todo celebraram o Dia Mundial do Meio Ambiente. Nesta data, a Organização das Nações Unidas (ONU) pede que todos se juntem para pensar em maneiras de contribuir com o nosso planeta. Muitas vezes achamos que apenas os políticos ou os adultos podem fazer algo pelo meio ambiente. Mas você sabia que existem atitudes simples, com coisas que temos em nosso dia a dia, que podem causar um impacto positivo na natureza?

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Cerca de 700 alunos do 1º ao 9ª anos do Colégio Politécnico de Sorocaba, por exemplo, estão aprendendo a usar aparas de lápis para manter a umidade e adubar as plantas. As aparas são aquelas casquinhas que sobram quando apontamos os lápis, mas que normalmente vão para o lixo. A auxiliar de direção da escola, Luciane Cristina Durigan, conta que os estudantes juntaram durante toda a semana as aparas conforme iam apontando os lápis. As casquinhas foram guardadas em coletores criados com garrafas PET. “Até os coletores foram feitos com materiais recicláveis”, conta Luciane.

Ela explica que no Politécnico os alunos aprendem que cada um deve cuidar do próprio lixo. Por isso, ninguém deixa nada no chão, mesmo não tendo lixeiras nas salas de aula. Legal, né?

Atitudes simples ajudam a preservar o meio ambiente
A professora Renata Carrara mostrou para as crianças como é fácil usar as aparas de lápis nas plantas. Crédito da foto: Emidio Marques

Economizar água

A professora Renata Carrara mostrou para as crianças como é fácil usar as aparas de lápis. Primeiro, ela ensinou a usar as casquinhas para manter as plantas úmidas. Esse truque é muito bom para quem esquece de regar as plantinhas com frequência. Inclusive, alguns estudantes confessaram que já deixaram isso acontecer. É só pegar as casquinhas e ir preenchendo os espaços do vaso de planta ou jardineira.

A professora alerta que a ideia é usar o que a gente já tem em casa, sem a necessidade de comprar nada. Então, você rega a planta e, depois de uns dois dias, toca as casquinhas com o dedo. Se as aparas ainda estiverem úmidas, não precisa regar mais. Porém, se já estiverem secas está na hora de regar a planta. A ideia é economizar água, pois esse é um recurso muito importante. Apesar do planeta Terra ter bastante água, a maior parte está nos mares. Já a água doce, que podemos beber, existe em menor quantidade. “E se acabar a água? O que a gente faz?”, questionou a professora aos alunos.

O projeto que está sendo desenvolvido com os alunos surgiu de um trabalho apresentado por um grupo de estudantes no ano passado. Lucas Vital, de 14 anos, Douglas Camargo, 14 anos e Thiago Augusto Rodrigues, de 13 anos contam que o amigo Vinícius Yagi trouxe e ideia de um trabalho que o próprio pai já tinha feito nos tempos de escola. O Yagi, como eles chamam o amigo, se mudou para outro país, mas o projeto que fizeram juntos continua rendendo frutos.

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Lucas, Douglas e Thiago desenvolveram o projeto no ano passado, junto com o amigo Vinícius Yagi, que hoje mora em outro país. Crédito da foto: Emidio Marques

Para fazer o trabalho, que surpreendeu a todos, os meninos testaram em casa o uso das aparas e monitoraram os resultados. Com as casquinhas, uma planta que antes era regada todos os dias podia receber água de duas a três vezes por semana. Uma economia de água importante! Douglas contou o que espera que os colegas de escola aprendam com o trabalho. “Que com esse projeto eles pensem muito mais no meio ambiente e reflitam”, diz.

Adubo ecológico

A professora Renata ainda ensinou a fazer um adubo ecológico usando as aparas. Essa ideia ela encontrou em uma reportagem que contava a história de Laís Ferreira, de 9 anos, uma estudante da cidade de Macapá, no nordeste do País. A menina teve a ideia de fazer um adubo usando aparas, borra de café, cascas de frutas e outros alimentos. É só misturar tudo em terra de jardinagem e esperar a decomposição, que deve levar uns dois meses. Depois, basta usar o adubo para nutrir as plantas.

Os alunos do Politécnico, do 1º ao 5º ano, aproveitaram para levar na merenda da escola alimentos cujos restos pudessem virar adubo, como cascas de mexerica, banana e laranja.

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As aparas — casquinhas que sobram quando a gente aponta os lápis — podem virar adubo e diminuir o gasto de água na hora de regar as plantas. Crédito da foto: Emidio Marques

Todos podem ajudar

Muitas pessoas pensam “do que adianta eu fazer minha parte, se os outros não fazem?”, mas a professora Renata lembra que a mudança “tem que começar por alguém”. E por que não começar em nós? Ela ressalta que podemos fazer a diferença para aqueles ao nosso redor. “Você vai mudar o seu mundo, de quem está próximo a você e da sua família”, explica.

Além disso, podemos estimular e inspirar aqueles que conhecemos a serem mais sustentáveis também. Ela convidou os alunos a ensinarem o projeto para outras pessoas, como os avós, pais e colegas de van. “Pensar em sustentabilidade é pensar na família, no próximo e em você mesmo”, afirma. (Priscila Fernandes)

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