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Unir livros a outras plataformas ajuda na formação de leitores

Conceito batizado de “leituras elásticas” considera as necessidades e características das novas gerações
Unir livros a outras plataformas ajuda no processo de formação de leitores
“E nós queremos que eles sejam formados leitores da mesma maneira que nós fomos. Não vai dar. São novos tempos”, diz a educadora Carolina Sanches. Crédito da foto: Pixabay

O conceito de leituras elásticas é uma tendência do mundo atual para formar novos leitores. Essa é a reflexão da pedagoga Carolina Sanches, especialista em mídia e educação e curadora do Fórum de Educação, que acontece a partir desta sexta-feira (30) durante a 19ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Na visão da educadora, a formação de leitores é um dos maiores desafios do nosso tempo, dominado pela tecnologia. “Um mundo em metamorfose”, reforçou.

Para Carolina, o destaque entre as estratégias das quais educadores podem lançar mão para formar leitores neste novo tempo — e que exige transformação também da forma de ler — é a chamada leitura elástica, abordagem lúdica em que se pode misturar livros com outras plataformas. “Eu acredito que isso se dá através da leitura e da ludicidade, ou seja, do livro, dos jogos, do cinema, do Nintendo, do Minecraft. A gente vai misturando. É uma educação remix. Através da mistura de plataformas e linguagens, a gente vai conseguir dialogar com as crianças”, destaca a pedagoga. “A leitura também precisa de metamorfose”, defendeu.

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Nova geração

As leituras elásticas chegam para atender a uma demanda de uma nova geração. Para a pedagoga, a educação, hoje, consiste na convergência de diversas plataformas.

Segundo Carolina Sanches, os professores e educadores são imigrantes digitais, enquanto os alunos são nativos digitais. “E nós queremos que eles sejam formados leitores da mesma maneira que nós fomos. Não vai dar. São novos tempos. É preciso desapegar de um tipo de formação leitora e migrar para outro.”

Virada

A pedagoga acredita que existe atualmente uma virada enorme de entendimento de formação leitora. “Claro que existe a formação do leitor literário mas, para chegar na literatura, a gente vai precisar de outras estratégias. Se antigamente o DNA da educação era ensinar, hoje o DNA evoluiu”. Lembrando Luciano Meira, especialista em educação aplicada por meio de games, Carolina cita que o novo DNA da educação precisa de diversão, desafio e diálogo de narrativas e aventuras. “Significa que a nossa leitura estica como nas demais plataformas. Assim, com leituras não lineares, a gente vai conseguir avançar na formação leitora”.

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Para conseguir que também os adultos adquiram o hábito da leitura nessa época atual de muita desatenção, em que as pessoas não ficam uma hora e meia hora sem consultar o WhatsApp — dentro de locais fechados como cinemas e teatros, inclusive –, Carolina Sanches defende que a estratégia é trabalhar com narrativas que tenham ligação com uma série de televisão ou com um filme, por exemplo. “Isso facilita que a pessoa consiga mergulhar ali [no livro]”. Ela acredita que isso se aplica tanto a crianças como a adultos. “É uma coisa do nosso tempo”.

Inovação

A pedagoga acredita que a tecnologia não é inimiga do livro, porque o livro também é uma plataforma. “A gente não pode lutar contra isso. A gente só precisa entender que quando fala em inovação, não é só na tecnologia. A inovação está na maneira de fazer e de pensar diferente”. Ela destaca sempre nos encontros com educadores a importância dos jogos junto com a leitura, de jogos de tabuleiro com a narratividade de um livro. E acredita que, assim, pode-se penetrar em várias camadas de leitura e formar o que chama de leitores contemporâneos.

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Na avaliação de Carolina Sanches, os professores estão receptivos ao conceito das leituras elásticas e pedem por isso. “Os professores querem fazer essa mudança de paradigma. E mais que cobrar dos professores, a gente precisa ajudá-los nessa transição do tempo, nessa metamorfose”. Salientou que aprendizagem só se dá com prazer. Por isso, afirmou que o caminho da leitura e da ludicidade passa pelo prazer. “Um dia, a gente vai ter um Brasil leitor”, disse. (Alana Gandra — Agência Brasil)

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