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Mais feminina, pós-graduação cresce 74% no Brasil

A crise foi um fator decisivo. Quem perdeu emprego procurou o estudo para se recolocar
Mais feminina, pós cresce 74% no Brasil
De acordo com a pesquisa, em média, dois em cada três alunos que fazem especializações, são mulheres. Crédito da foto: Stocksnap / Pixabay

Praticamente dois em cada três alunos que frequentam especializações de nível superior no Brasil são mulheres (62,3%). Do total, 84,9% estão empregados — e 11% têm mais de um emprego. É o que mostra a pesquisa Cursos de Especialização Lato Sensu no Brasil, um levantamento inédito elaborado pelo Semesp (antigamente chamado de Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo) e divulgado na sexta-feira passada. Por meio desse material, é possível saber como está o cenário dos cursos de pós-graduação lato sensu nas instituições de ensino superior públicas e privadas.

Houve um crescimento de 74% na procura por especializações, puxado pela rede privada, que aumentou 80% — ante 41% na rede pública. Os números foram de 683.053 matriculados em 2016 para 1.187.457 em 2019. Houve avanço ainda, só que menor, em mestrado (de 112.403 para 122.838) e doutorado (218.389 para 257.800). Segundo o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, o aumento surpreendeu. “Enquanto a procura pela graduação só cresceu 1,9% entre 2017 e 2018, no lato sensu houve alta de 20% nesse período.”

Para ele, a crise foi um fator decisivo. “Quem perdeu emprego procurou o estudo para se recolocar e quem está no mercado tentou se precaver”, afirma. Apesar da retomada econômica, a tendência ainda é de avanço nas pós-graduações. “Com mais gente chegando à graduação, a pós se torna um diferencial. Além disso, há a questão do avanço tecnológico. Um engenheiro, por exemplo, terá de buscar um curso para se atualizar, para se manter no emprego. Sem contar áreas em que faltam profissionais, como cientistas de dados e analistas de Big Data.”

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A pesquisa foi realizada pelo Instituto Semesp com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Dados (Pnad Contínua), levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no período 2016-2019. Também foram consideradas informações contidas no site do e-MEC e no Guia do MBA 2019 do jornal O Estado de S. Paulo — e incluídos os cursos Master Business Administration (MBA), voltados para o aperfeiçoamento de uma área profissional específica com foco nas demandas do mercado de trabalho, com duração de 360 horas.

Há hoje no País 2.053 instituições de ensino, que ofertam 73.255 cursos de especialização de nível superior nas modalidades presencial e EaD — 1.868 (91% delas) são privadas, acolhendo 88% dos alunos. A educação a distância responde por um em cada quatro cursos. E uma em cada três pós-graduações (35%) ainda é na área de Educação, seguida por Ciências Sociais, Negócios e Direito (31%), Saúde e Bem-Estar Social (24%).

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Alunos

Considerando a população com 24 anos ou mais, 5,7 milhões concluíram um curso de especialização de nível superior no período da pesquisa — para efeito de comparação, nesses anos, 19 milhões concluíram a graduação. Dois em cada três alunos em especializações, em média, são mulheres.

Para Capelato, a explicação passa pelo grande número de cursos de Educação, tradicionalmente de maior presença feminina. “Alguns Estados oferecem a professores diferenciais, como remuneração e pontuação, caso frequentem cursos, se atualizem.”

A maior parte dos estudantes ainda frequenta cursos na modalidade presencial (68%). No entanto, o EaD avançou 125% entre 2016 e 2018 e há boas perspectivas. “A concorrência maior na graduação levará novas instituições para essa área”, diz o diretor executivo do Semesp.

Quando se considera a questão territorial, revela-se o quanto as pós-graduações ainda estão centradas no Sudeste do País. São Paulo responde por quase um em cada quatro alunos (24% de todos os ingressantes). Já o número de pretos, pardos e indígenas — 38,5% — fica abaixo do observado na população em geral.

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Entre os alunos, só 15,1% não trabalham e se dedicam exclusivamente ao estudo. Dos que trabalham, 71% têm empregos formais, com carteira de trabalho assinada, e quase metade atua na iniciativa privada. Dois em cada três estão no mesmo emprego há dois anos ou mais. Outro dado do levantamento é que 46,1% dos entrevistados declarou trabalhar com serviços sociais.

De acordo com o Semesp, a pesquisa também registra que os alunos que frequentam cursos de especialização de nível superior têm rendimento médio mensal de R$ 4,6 mil, valor 150% maior do que a média de rendimento daqueles que fazem cursos de graduação. O rendimento médio ficou em R$ 4,8 mil para os alunos da rede privada e R$ 3,7 mil para os da pública. (Cláudio Vieira – Estadão Conteúdo)

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