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Escola de Sorocaba já superou meta do Ideb há 9 anos

E.E. Professor Waldemar de Freitas Rosa obteve nota 7,7 na avaliação, que considera notas, aprovação e frequência
Escola já superou meta do Ideb há 9 anos
Além das matérias tradicionais do currículo os alunos de tempo integral têm acesso a outras práticas, como a informática. Crédito da foto: Crédito da foto: Fábio Rogério

Uma escola de Sorocaba, da rede pública, e ligada ao Estado, já superou há nove anos a meta prevista pelo Ministério da Educação (MEC) para 2021. Mesmo assim, essa escola continua melhorando gradualmente o desempenho de seus estudantes do ensino fundamental 1, ou seja, aquela fase da alfabetização, da interpretação de textos e da compreensão da matemática. Dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb 2017, divulgados na semana passada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que a Escola Estadual Professor Waldemar de Freitas Rosa obteve mais uma vez excelente classificação, com nota 7,7. Esta é a quinta avaliação consecutiva na qual a escola fica acima da meta. Aliás, os resultados evidenciam que na rede pública de Sorocaba, as escolas estaduais estão se saindo melhor do que as municipais. Na avaliação dos alunos do 9º ano do fundamental, a maior nota foi da Escola Estadual Professor Altamir Gonçalves, com 6,6. No ensino médio, novamente o Estado se destacou: alunos da escola técnica Fernando Prestes atingiram pontuação de 6,4.

Na rede municipal, os maiores índices são de 7,3, obtidos por alunos do 5º ano das escolas Achilles de Almeida, Genny Kalil Milego, Josefina Zilia de Carvalho, Leonor Pinto Thomaz e Sorocaba Leste. Igualmente todas ultrapassaram a meta. Com relação aos estudantes do 9º ano, a escola com maior nota foi a Leonor Pinto Thomaz, com 5,9, porém a meta era 6,1.

No ensino médio, a maior nota foi da escola Leonor Pinto Thomaz, com 5,1. Como foi o primeiro ano de avaliação do ensino médio, não havia meta.

O Ideb foi criado para medir a qualidade do aprendizado e estabelecer metas para a melhoria do ensino, que devem ser cumpridas até 2021. O índice é calculado a partir dos dados sobre aprovação, reprovação e abandono obtidos no Censo Escolar, e das médias de desempenho nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), além da Prova Brasil.

Metodologia

A reportagem visitou uma das escolas com melhor índice para saber sobre a metodologia de ensino. A opção em falar com a direção da Waldemar de Freitas Rosa, situada na Vila Fiore, foi pelo trabalho que vem numa crescente ao longo dos anos e que está diretamente ligado à base de tudo, que é a alfabetização, a compreensão de textos e dos conceitos da matemática.

Escola já superou meta do Ideb há 9 anos
Marli Carvalho acredita que o ensino integral tem contribuído para os bons resultados. Crédito da foto: Fábio Rogério

De acordo com a diretora Marli Ferreira Carvalho, que assumiu essa função em 2009, a Escola de Tempo Integral (ETI) e depois o Programa Ensino Integral (PEI) contribuíram muito para esse sucesso. A partir de 2006 até 2014, as crianças tinham aulas no período da manhã, e à tarde participavam de oficinas, que eram escolhidas de acordo com as necessidades da escola. Foi o período vigente do ETI.

Já em 2014, teve início o PEI, que proporcionou maior integração entre as disciplinas escolares. “Participei de toda essa adaptação e o que tem de diferente é que além das matérias tradicionais do currículo, como português, matemática, temos a parte diversificada como língua inglesa desde o 1º ano, educação emocional e práticas experimentais”, afirma.

Nas práticas experimentais estão inseridos temas como ciências, meio ambiente e projeto de horta, entre outros. Vale lembrar que a escola conta com brinquedoteca, sala de experimentação e sala de informática.

Para a diretora, é um orgulho estar bem acima da meta. “Ao todo são 25 escolas PEI no Estado de São Paulo e em Sorocaba somos apenas nós e a escola Nazira”, comenta. A Escola Estadual Nazira Nagib Jorge Murad Rodrigues obteve a segunda colocação na avaliação dos estudantes do 5º ano, com nota 7,4, obtida também pela escola Antonia Lucchesi.

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Ainda conforme Marli, a rede estadual conta com o professor de referência e o professor de orientação de estudos. Os dois, juntos, ficam encarregados de auxiliar os alunos em suas dificuldades, naquilo que não estão indo bem, e também motivar aqueles que já sabem tudo. Para identificar as habilidades e dificuldades são realizados diversos tipos de avaliação, desde a diagnóstica até as de acompanhamento. E cada aluno é orientado em sua necessidade. “Avaliar é bom, mas se for usado com propósito, senão isso se perde”, diz a diretora.

A escola atende atualmente 283 alunos e conforme Marli vários deles vieram de escolas particulares. “Pelo modelo que temos”, diz.

Vulnerabilidade

“O resultado é um mérito grande da escola, principalmente porque o entorno conta com situações de vulnerabilidade social”, analisa o professor da Uniso Rafael Ângelo Bunhi Pinto, mestre e doutor em Educação, especializado em avaliação do ensino superior e integrante do Conselho Municipal de Educação. Mas conforme o especialista, é preciso tomar cuidado ao falar sobre resultados de índices. “Uma coisa são as avaliações dentro do Ideb, como o Saeb e a Prova Brasil, outra coisa são os resultados, pois incluem os dados do Censo Escolar. E tudo que se cria índice se permite ranqueamentos, o que é preocupante se não fizermos uma análise macro do contexto.”

Por outro lado, analisa Rafael, o resultado alcançado pela escola Waldemar é extremamente positivo pois não é algo de agora, mas sim um processo que vem se consolidando com o tempo. Isso mostra um esforço e um trabalho conjunto de toda a comunidade escolar, não só da direção como também dos professores e alunos, além do engajamento dos pais.

Sobre a rede estadual estar com melhores notas que a municipal, isso também deve ser visto com cuidado, mas para o especialista, o que falta na Educação é uma política pública de Estado. “O que temos são políticas de governo, ou seja, ações isoladas voltadas para quem está na gestão do município em determinado tempo.” Uma questão preocupante, complementa Rafael, é que ele observa muitas ações realizadas de forma isolada, que não são articuladas e não correspondem ao que os Planos Municipal, Estadual e Nacional prevêem.

“Aí não atingirá um Ideb bom. O que temos hoje são políticas passageiras partidárias, mas a de Estado tem continuidade independente de partido político. Enquanto isso não mudar, enquanto essas ações não começarem a ser articuladas, não vamos conseguir atingir os índices previstos.”

Conforme o secretário municipal da Educação, André Gomes, é fato que a comparação entre as unidades escolares não é aconselhável. “Afinal, cada instituição possui características distintas, de acordo com o seu contexto, entorno e proposta política pedagógica. Portanto, tal comparação somente torna-se viável quando ambas as escolas possuem as mesmas características.”

André afirma que o 5º ano do ensino fundamental, na rede municipal, ultrapassou a meta prevista para o ano de 2019. “Portanto, é comprovado o avanço dos resultados educacionais. Em uma análise apurada dos dados, é possível perceber que 14 escolas municipais apresentaram resultados iguais ou superiores a 7,0, ou seja, superaram as metas previstas. Além disto, 82,7% das nossas unidades escolares alcançaram e ou superaram a meta estabelecida pelo MEC. Este fato confirma o aprimoramento constante da qualidade do processo educacional oferecido pela Prefeitura”, defende.

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Daniela Jacinto