Olha o Passarinho
Pariri
Nome popular: Pariri
Nome científico: Geotrygon
montana (Linnaeus, 1758)
Olá, observador de aves! Entre as folhas secas e os galhos caídos das florestas vive uma ave discreta e muito difícil de observar: a pariri. Apesar de pertencer à mesma família dos pombos e das rolinhas, ela passa a maior parte do tempo caminhando silenciosamente pelo chão da mata. Sua plumagem combina com as cores das folhas e da terra, ajudando-o a desaparecer rapidamente entre a vegetação.
Observe a foto! A pariri possui corpo arredondado e atarracado, pernas relativamente fortes e cauda curta. O macho apresenta a parte superior do corpo em tons de marrom-avermelhado ou castanho, enquanto a fêmea possui coloração mais discreta, geralmente marrom-olivácea. Na lateral da cabeça existe uma faixa clara, de tom bege, que passa abaixo dos olhos e contrasta com uma faixa mais escura na região da bochecha. A parte inferior do corpo é mais clara, variando entre bege, amarelado e marrom-claro. Seus olhos são escuros e suas pernas e pés apresentam coloração avermelhada. Mede cerca de 23 centímetros de comprimento.
Vive principalmente no interior de florestas úmidas, matas bem conservadas, capoeiras altas e florestas secundárias com vegetação densa. Também pode ser encontrada em plantações sombreadas de café e cacau próximas a áreas florestais.
A pariri é uma onívora, ou seja, come de tudo. Sua alimentação é formada principalmente por sementes, pequenos frutos caídos no chão, grãos e pequenos animais invertebrados, como lesmas, insetos e outros bichinhos encontrados entre as folhas. Também pode engolir pequenas pedrinhas, que ajudam a triturar os alimentos dentro do sistema digestório.
Durante o período reprodutivo, machos e fêmeas formam casais monogâmicos (ficam juntos durante todo o período de reprodução) e constroem o ninho e cuidam dos filhotes juntos. Seu ninho é bastante simples e lembra o de outras juritis. Tem o formato de uma pequena plataforma ou tigela rasa, construída com gravetos finos, folhas secas e pecíolos de plantas. Em alguns casos, folhas frescas também podem ser colocadas no interior. O ninho costuma ser instalado entre 45 centímetros e aproximadamente 2,75 metros acima do chão. Pode ficar sobre arbustos, tocos de árvores, samambaias, plantas epífitas, árvores caídas ou galhos cobertos por vegetação.
A fêmea normalmente coloca dois ovos, de coloração creme-clara ou bege, pequenos, lisos e sem manchas muito evidentes. A incubação começa depois que o segundo ovo é colocado e dura cerca de 10 a 11 dias. Geralmente o macho permanece no ninho durante parte do dia e a fêmea assume os cuidados durante a noite. Quando nascem, os filhotes são frágeis e dependem completamente dos pais. Como ocorre com outros pombos e rolinhas, eles recebem uma substância nutritiva produzida no papo dos adultos, conhecida como “leite de pombo”. Essa alimentação é muito importante durante os primeiros dias de vida. Os dois pais participam da alimentação e da proteção dos filhotes. Nos primeiros dias, eles podem alimentar a ninhada várias vezes ao longo do dia. Para manter o ninho limpo e evitar que o cheiro atraia predadores, os adultos retiram ou ingerem o material fecal produzido pelos filhotes. Há também registros de adultos comendo as cascas dos ovos depois da eclosão. Os filhotes crescem rapidamente e deixam o ninho com aproximadamente duas semanas de idade. Mesmo depois de saírem, ainda podem permanecer próximos dos pais e continuar recebendo proteção e alimento enquanto aprendem a caminhar e procurar comida no chão da floresta.
Faça sua parte: Para ajudar a conservar a pariri em nossa cidade, devemos proteger os fragmentos de Mata Atlântica, as matas ciliares, os bosques e as áreas com vegetação nativa. É importante evitar o desmatamento, as queimadas e a retirada excessiva da vegetação baixa e das folhas secas do chão, pois é nesse ambiente que a ave procura alimento e se protege. Também devemos manter os animais domésticos, especialmente gatos, sob supervisão, pois eles podem capturar aves que vivem no solo. Não utilizar armadilhas, não capturar aves silvestres, reduzir o uso de agrotóxicos e apoiar a criação de corredores verdes entre os fragmentos de mata são atitudes que ajudam a pariri e muitas outras espécies a continuarem vivendo em nossa região.
Fonte: Coaves Kids e Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal (Sema) de Sorocaba