Zoológico
Hábitos noturnos de animais são observados no Quinzinho
Passeio noturno no zoológico de Sorocaba mostra comportamento de espécies em ambiente escuro
Você já se perguntou o que os animais fazem quando o sol se põe? Enquanto a gente se prepara para dormir, muitos deles estão apenas acordando. Esses são os animais de hábitos noturnos. O Zoológico Quinzinho de Barros, em Sorocaba, tem um passeio especial para quem tem coragem e curiosidade de explorar o zoo no escuro.
A experiência é bem diferente das visitas diurnas. E exige um pouquinho de coragem, além de muita curiosidade, para caminhar pelo zoológico no escuro e ver os animais que preferem a noite.
Animais de todos os tipos podem ter hábitos noturnos, como os gigantes hipopótamos Yara e Yuri, ou as pequenas suindaras, espécie de coruja. Ao longo do passeio, o guia Aldo Bittencourt explicou sobre os animais e a importância do zoológico.
O biólogo afirmou que a maior parte dos animais que vivem no zoo sofreu algum tipo de problema, quase sempre por ação humana, e não sobreviveria na natureza. Além disso, o zoológico aproveita a presença desses animais para realizar pesquisas e garantir melhores condições de saúde. A mandril Mel, por exemplo, tem diabetes e recebe alimentação especial. Os mandris são primatas, como o Rafiki, que apresenta Simba ao reino no filme O Rei Leão. Os zoológicos também servem para ensinar sobre os animais e a natureza aos visitantes, contribuindo para a educação ambiental.
Gigantes e pequeninos
Yara e Yuri são os animais mais antigos do zoológico. Yuri chegou em 1976 e Yara em 1977. Juntos, tiveram 13 filhotes; o último, Yago, hoje mora no zoo de Natal, no Rio Grande do Norte. Cada um deles come cerca de 150 quilos de alimento por dia.
Eles são animais de hábito noturno, já que, durante o dia, o sol incomoda suas peles. Durante a visita, Yara estava dando um mergulho na água, enquanto Yuri descansava tranquilamente no recinto.
Já as suindaras estavam todas espertas, comendo e voando pelo recinto. Elas são uma espécie pequena de coruja e são naturais de todo o continente americano. Recebem cerca de 400 g de comida por dia e são carnívoras; na natureza, se alimentam principalmente de roedores.
Mesmo com a noite fria, foi possível encontrar o Gordo, o tamanduá-bandeira. Ele estava escondido em seu tronco, mas a lanterna mostrou sua pelagem preta e branca. O mais curioso do tamanduá é que ele não tem dentes e usa uma língua grudenta, que pode chegar a 60 centímetros, para capturar insetos, como formigas e cupins. No zoológico, ele recebe uma papinha super nutritiva.
Os favoritos da garotada
O pequeno Brayan Eilians Xavier de Oliveira, de 11 anos, adorou passear pelo zoo à noite. Ele estava acompanhado de seu primo Guilherme Gomes Góis, que é tratador dos animais no Quinzinho.
Brayan contou que seu animal preferido na visita foi a jaguatirica. A espécie tem dois exemplares no Quinzinho: Romeu e Princesa. Os dois estavam muito ativos, principalmente Princesa, que passeou por todo o recinto, miou e desfilou. Os outros felinos ficaram com frio e não apareceram, como os tigres-de-bengala, Margarida, a onça-parda, e Vitória, a onça-pintada.
Nicole, a loba-guará, foi outra que ficou tímida. Chegou a aparecer rapidamente, mas voltou para sua casinha. Aldo explicou que todos os animais possuem, em seus recintos, áreas reservadas onde podem se esconder. No período de frio, camas especiais são preparadas para garantir o conforto dos animais.
Outro animal noturno que os visitantes puderam conhecer foram os macacos-da-noite. Eles pertencem ao gênero Aotus, o único de primatas noturnos. São nativos da Amazônia e não formam bandos. No zoo de Sorocaba, vivem apenas dois: um casal.
O último animal visitado foi o jupará. Um pequeno mamífero, parente do quati, que também é noturno. Natural da Amazônia e da Mata Atlântica, ele vive nas árvores e se alimenta de frutas e pequenos animais. Apesar de parecer um macaco e conseguir se pendurar pela cauda, é um procionídeo — nome mais técnico para o grupo ao qual pertence.
Davi Gobi Carvalho, de 6 anos, e seu irmão Vitor Gobi Carvalho aproveitaram o passeio e se encantaram com os hipopótamos. Acompanhados do pai, Flávio Donizetti Carvalho Junior, fizeram todo o percurso com cuidado e curiosidade.
No fim, o grupo visitou o Museu de Zoologia. Nele, animais taxidermizados, crânios, chifres, ovos e fósseis puderam ser observados. A atividade encantou adultos e crianças.
Os passeios noturnos no Quinzinho acontecem em datas definidas pela prefeitura e exigem reserva antecipada. Os grupos têm cerca de 30 pessoas. Cada experiência é diferente, já que alguns animais aparecem mais em determinados dias.
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