Eu já li
Música para ler
Desde criança, as composições de Djavan fazem parte da minha vida. Suas músicas pareciam descrever sentimentos que eu ainda nem sabia explicar. Cresci com a voz mansa do cantor embalando minhas esperanças, e, por isso, encontrar um livro inspirado em sua obra é como reencontrar uma memória querida.
Este é um volume da coleção “Letrailustre”, da Editora WMF, e que convida o leitor a experimentar algo especial: ouvir música com os olhos. Daniel Kondo recria duas canções do repertório de Djavan, “Açaí” e “Seca”, por meio de ilustrações que não apenas acompanham a música, mas inventam novas formas de senti-la.
As páginas apresentam cores, texturas e paisagens que lembram o sertão nordestino e regiões do Norte do Brasil, lugares que inspiraram o compositor em muitas de suas criações.
As imagens dialogam com elementos da natureza brasileira, da cor intensa e vibrante da floresta a terra seca e rachada do sertão. O livro transforma sons em cores e melodias em formas visuais, lado a lado em contraposição.
Para quem ainda não conhece, Djavan é um cantor e compositor nascido em Maceió, no Estado de Alagoas. Quando era menino, gostava de cantar, jogar futebol e ouvir rádio. Aos poucos, começou a criar suas próprias músicas, misturando ritmos brasileiros com jazz, samba, pop e sons do mundo inteiro. Suas canções falam de amor, natureza, encontros, sonhos e sentimentos profundos.
Os textos do poeta Guilherme Gontijo Flores funcionam como pequenas pontes que ajudam o leitor a caminhar entre o que se vê, o que se lê e o que se imagina ouvir.
Mais do que um livro ilustrado, esta obra é um convite à escuta sensível. Ela mostra às crianças que uma canção pode virar desenho, que um desenho pode contar histórias e que a arte nasce quando diferentes formas de expressão se encontram. Para quem, como eu, ama Djavan, a leitura provoca um sentimento bonito: o de perceber que as músicas que marcaram nossa vida, continuam vivas, reinventando-se e chegando agora aos olhos e à imaginação das novas gerações.
Vanessa Marconato Negrão é professora e sócia efetiva da Academia Sorocabana de Letras