Eu já li
Imensamente pequeno
Em um mundo tão grande, onde cabem todas as coisas que conhecemos, um menino sente-se imensamente pequeno. É a partir dessa sensação de desproporção entre ele e o mundo que Alexandre Rampazo constrói uma narrativa delicada, profunda e silenciosamente arrebatadora. Aos poucos, o leitor acompanha o percurso do menino até a descoberta de que ser pequeno não é ser insignificante, que a grandeza está justamente na capacidade de sentir, perceber e se maravilhar com a imensidão.
Sempre que me deparo com um livro de Alexandre Rampazo, eu paro, respiro e me concentro na leitura das palavras e das imagens. Há uma confiança prévia de que algo ali merece a minha atenção, de que aquela leitura vai reverberar em mim para além do tempo do livro aberto. Este livro reafirma essa sensação. Texto e ilustração caminham juntos, criando pausas, silêncios e respiros que convidam o leitor a desacelerar e a olhar com mais cuidado para o mundo e para si mesmo.
A obra propõe um duplo movimento: um olhar atento para a imensidão que nos cerca (o céu, a natureza, o infinito) e um mergulho interior, em que emoções, descobertas e perguntas ganham forma. Em meio a essa travessia, somos provocados a nos reconhecer como indivíduos capazes de sentir profundamente, mesmo diante daquilo que nos ultrapassa.
Você já se sentiu feliz por ser quem é? Vivo e grato por testemunhar tantas coisas incríveis e surpreendentes? E, ao mesmo tempo, consciente de quão minúsculo é diante da vastidão de todas as coisas? Rampazo parece nos dizer que essas sensações não se contradizem; ao contrário, convivem e se alimentam. É justamente na tensão entre pequenez e pertencimento que a narrativa encontra sua força.
“Imensamente pequeno” é um livro que não oferece respostas prontas, mas abre espaço para o espanto, para a contemplação e para a escuta sensível: qualidades cada vez mais raras e, por isso mesmo, urgentes. Uma leitura que toca crianças e adultos, convidando-nos a habitar o mundo com mais presença, delicadeza e gratidão. Uma publicação da Editora Moderna.
Vanessa Marconato Negrão, professora e sócia efetiva da Academia Sorocabana de Letras.