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Imaginação

Alunos criam finais mágicos para história e mergulham no poder da leitura

Inspirados por uma escultura e por um conto de mistério incompleto, estudantes da Escola Francisco Camargo César deram asas à imaginação e reescreveram os próprios desfechos

10 de Maio de 2025 às 19:57
Cruzeiro do Sul [email protected]
Mistério no Milharal, conto escrito pelo professor e escritor Jorge Facury, foi pensado para não ter final. E coube aos alunos imaginar o desfecho
Mistério no Milharal, conto escrito pelo professor e escritor Jorge Facury, foi pensado para não ter final. E coube aos alunos imaginar o desfecho (Crédito: ALISSON ZANELLA)

Era uma vez uma menina, um cãozinho e uma bolinha, até que um pássaro preto desceu dos céus e levou o brinquedo direto para dentro de um milharal. O que parecia uma simples tarde no campo se transformou em um mistério que terminou, ou melhor, não terminou, nas mãos dos alunos da Escola Estadual Francisco Camargo César, na zona norte de Sorocaba.

No dia 29 de abril, a escola promoveu uma atividade especial de contação de histórias dentro da biblioteca. Mas não se tratava de uma história qualquer: Mistério no Milharal, conto escrito pelo professor e escritor Jorge Facury, foi pensado para não ter final. E coube aos alunos imaginar o desfecho.

“Duas, três, dez, vinte bolhas coloridas”

A narrativa gira em torno de Líndice, uma menina que, ao seguir o voo de um pássaro, se perde no milharal e acaba encontrando uma misteriosa caixinha de madeira enterrada. Ao abri-la, bolhas de sabão coloridas começam a flutuar no ar, iluminando tudo ao redor como pequenos abajures flutuantes.

É por causa dessas bolhas que Líndice consegue ser encontrada pelos pais. Mas, o que havia dentro da caixa? De onde ela veio? O que significava aquele brilho todo?

“Convido os leitores a arriscarem um final para essa história”, termina o conto, e foi aí que a magia aconteceu.

Finais com duendes e sonhos de escritor

A proposta foi recebida com entusiasmo pelos alunos, que mergulharam no mistério com ideias surpreendentes. Beatriz Albuquerque Pires, de 12 anos, criou diferentes versões para o fim da história. “Pensei em um duende viajando com um mago, e que eles tinham deixado a caixinha cair. A bolinha ajudou o menino a encontrar os pais dele por coincidência. Também imaginei um cachorrinho que mandou a caixa por telepatia”, contou, animada.

Já Ithan Tamburini, também de 12 anos, viu ali a semente de algo maior. “A história é muito interessante. O final dá margem para vários começos. Dá até para ser o início de um livro. Meu sonho é ser escritor, então isso me inspirou muito”, afirmou.

Uma escultura que lê

A atividade foi inspirada na escultura Mulher lendo livro, criada pela professora de Arte Renata Netto, inteiramente feita de papelão modelado ao longo de um ano. “Fiz aos poucos, em casa, quando dava tempo. A escola nem sempre permite esse tipo de criação com calma, mas vale a pena. O resultado é ver os alunos se envolvendo”, disse Renata.

Leitura como caminho e criação

O conto foi lido na biblioteca pelo professor Levi Pires Júnior, responsável também pelo projeto do jornalzinho feito pelos alunos. Para ele, esse tipo de experiência mostra como a leitura pode ser viva, coletiva e transformadora. “A gente cria esses espaços para que os alunos se expressem, escrevam, perguntem. Eles precisam se sentir parte da história, não só ouvintes”, afirmou.

Legado de imaginação

Para Jorge Facury, que está na escola há mais de duas décadas, o mais importante é deixar um legado literário para os alunos. “Hoje em dia, com tanta informação rápida, a leitura exige insistência. Mas quando a gente apresenta com criatividade, ela floresce. E é isso que importa.”

Entre duendes, bolhas coloridas e caixas misteriosas, a leitura na Francisco Camargo César deixa de ser um fim e vira começo, de histórias novas, de ideias inéditas, e quem sabe, de futuros escritores.

João Frizo - programa de estágio

 

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