Eu já li
Respeito e tolerância
Na minha turma há algumas crianças que adoram brincar na terra, cavando o chão para fazer comidinha de faz de conta, já outras gostam de jogar bola, e se dedicam a chutá-la o mais longe possível. Como nossa escola é bem grande, conseguimos brincar dessas duas coisas ao mesmo tempo. Mas imagine como seria se tivéssemos pouco espaço, sendo impossível brincar com duas coisas ao mesmo tempo. E imagine que diante de tal impasse ao invés de encontrar uma solução, as crianças resolvessem brigar para ver quem dominaria a brincadeira?
Pois é, no mundo “adulto” podemos dizer que isso acontece muito, ao invés de entrarem num acordo, as pessoas preferem discutir infinitamente, sem ouvir e respeitar o outro ou encontrar soluções que ajudem a todos.
“Bum, a Guerra das Cores”, lançamento da Editora Boitatá, faz uma analogia bem parecida com esse grande problema do nosso tempo.
Num povoado nasceu um bebê, ao mesmo tempo, no povoado vizinho nascia outro bebê. Enquanto um cresceu fascinado pelo vermelho, o outro preferia a cor verde. E aí, quando seus caminhos se cruzam, a desinteligência começa, os dois povoados que antes conviviam pacificamente, passam a brigar dia e noite. Mentiras destroem as relações entre eles, aos poucos a hostilidade enche o ambiente, a liberdade é trocada pelo medo e até as outras cores são proibidas.
Ximo Abadía, o autor, é um aclamado artista espanhol. Seu trabalho em capas de revistas, no setor editorial e na publicidade é conhecido em toda a Europa com menções e prêmios. Em “Bum: a Guerra das Cores”, ele trata desses conflitos com uma linguagem alegórica, clara e bastante acessível. Essencial.
Vanessa Marconato Negrão, professora e sócia efetiva titular da Academia Sorocabana de Letras.