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Cruzeirinho marca a infância das crianças há mais de quatro décadas

31 de Janeiro de 2021 às 00:01
Jéssica Nascimento [email protected]

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Você sabia que o Cruzeirinho existe há quase 46 anos? A primeira edição do suplemento dedicado aos leitores mirins do jornal Cruzeiro do Sul foi publicada no dia 1º de junho de 1975. Isso foi há mais de quatro décadas.

De lá para cá, o Cruzeirinho fez e faz parte da vida de muitos sorocabanos e moradores de cidades da região. Com matérias divertidas, jogos, brincadeiras, atividades lúdicas e desenhos para colorir, o jornalzinho, como é carinhosamente chamado pelos seus pequenos leitores, incentiva a leitura e desperta a curiosidade das crianças.

A história do Cruzeirinho começou na década de 1970, quando as páginas do jornal, que ainda eram em preto e branco, eram produzidas pela professora Yrany Amaral Ramos.

Nessa época, o suplemento tinha o tamanho standard, como as páginas do Cruzeiro do Sul. Em 1975, o Cruzeirinho se tornou um minitabloide (metade do tamanho que tem hoje) e só em 1978 que o jornal ganhou cores. Foi em 1981 que o Cruzeirinho passou a ter o formato tabloide, que mantém até hoje.

Nas primeiras edições, a capa do suplemento era composta pela foto de uma criança. Em 1976, o advogado Renato Campestrini, de 45 anos, ilustrou a capa da 59ª edição do suplemento. Na foto, tirada na casa dos avós paternos, Renato ainda era um bebê, com apenas um ano de idade.

“Meu pai me conta que a moça que cuidava da página conhecia ele e, por ser a data do meu aniversário, ela pediu para colocar uma foto minha. Foi então que minha foto foi parar na capa do jornal”, destaca.

Renato conta ainda que ele foi um leitor assíduo do Cruzeirinho e chegou até a enviar desenhos e cartinhas para a redação do suplemento.

“Eu sempre lia o Cruzeirinho quando era criança. Era um hábito, uma leitura obrigatória. A gente recebia o jornal na casa dos meus avós”.

Hoje, Renato reconhece a importância do suplemento em sua vida. “Esse tipo de publicação tem um papel fundamental no incentivo da leitura e da escrita. A leitura sempre foi importante na minha vida”. Isso porque, segundo Renato, ler e escrever faz parte das tarefas do cotidiano. “Incluindo a minha profissão”.

Com o passar dos anos, o Cruzeirinho evoluiu e ganhou novas cores e formas. Quem acompanhou de perto e foi protagonista em todo esse processo foi a jornalista, escritora e ilustradora Selma Said, a editora que esteve por mais tempo a frente do suplemento infantil.

Talvez, os leitores mais novos do Cruzeirinho não tenham ouvido falar neste nome, mas Selma Said foi uma pessoa muito especial, que morreu em 2002 e deixou saudades. Certamente, as crianças que liam as páginas do Cruzeirinho nas décadas de 80, 90 e comecinho de 2000 devem lembrar de seus desenhos e trabalhos. Alguns deles são lembrados até hoje nas páginas do jornal com a #TBT.

A jornalista Fabiana Blaseck Sorrilha, 45 anos, não perdia uma edição nos anos 1980. Crédito da foto: Arquivo pessoal

A jornalista Fabiana Blaseck Sorrilha, de 45 anos, que acompanhava todas as edições do Cruzeirinho na década de 80, recorda com muito carinho dos desenhos de Selma. Antes mesmo de ser alfabetizada, Fabiana já acompanhava as edições do jornal. “Meu pai lia o Cruzeirinho para mim e para o meu irmão”, lembra e completa: “Depois, naturalmente o Cruzeirinho já fazia parte da vida da gente”. Aos domingos, quando o jornal chegava em sua casa, Fabiana e o irmão disputavam para pegá-lo. “Eu corria para pegar ele primeiro, novinho”.

O carinho de Fabiana pelo suplemento era tão grande que ela sempre mandava cartas, desenhos e fotos para a redação quando era uma menina. “Eu ficava ansiosa, esperando o conteúdo sair no jornal. Me sentia prestigiada em ter um desenho ou uma cartinha publicada com o meu nome. Era muito legal. Fico até emotiva ao relembrar tudo isso”, descreve. Inclusive, de forma ou de outra, a jornalista conta que o Cruzeirinho acabou influenciando na escolha de sua profissão. “O Cruzeirinho faz parte da minha história. Quando penso no suplemento, sinto uma saudade enorme”.

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Assim como Fabiana, a estudante Rafaela Maria Afeich, de 17 anos, também não perdia uma edição do Cruzeirinho. “Minha avó guardava todos os domingos pra mim, era praticamente uma tradição sentar na mesa, comer um pãozinho com manteiga e ler o Cruzeirinho”. A jovem também adorava enviar cartinhas e desenhos para o jornal, dos mais variados possíveis. E quando eles eram publicados, um sorrisão ficava estampado no rosto de Rafaela. “Eu ficava muito feliz. Tenho o jornal guardado até hoje”.

Rafaela chegou a ter sua foto estampada na capa de uma edição do suplemento, quando era um bebê, em 2004. “Isso se tornou um acontecimento no qual tenho um imenso carinho. Meus pais guardam essa capa a sete chaves no meu álbum de fotos, pois foi uma coisa muito marcante pra nós”. Para ela, o Cruzeirinho traz doces memórias da infância. Inclusive, o jornal representou um elo muito grande com a sua avó. “Foi uma coisa que nos uniu muito quando eu era criança. E agora se tornou uma lembrança super gostosa de ser recordada”.

Com o passar do tempo, os leitores do Cruzeirinho foram crescendo, como o Renato, a Fabiana e a Rafaela, mas não é por isso que o jornal foi esquecido. Pelo contrário, a cada ano o Cruzeirinho ganha novos leitores. Um deles é o Luiz Felipe Muniz Zuliani, de 7 anos, matriculado no 2º ano do ensino fundamental na Escola Municipal “Dr. Oswaldo Duarte”, de Sorocaba. Toda semana, o pequeno pega o jornal na casa da avó para fazer as atividades e brincadeiras. “Meu pai também lia o Cruzeirinho quando era pequeno, ele me incentivou”.

Luiz Felipe Muniz Zuliani, de 7 anos, representa a nova geração dos nossos leitores. Crédito da foto: Arquivo pessoal

Na semana passada, Luiz Felipe também teve seu primeiro desenho publicado no suplemento. “Eu sai no jornal, todo mundo me viu. Gostei muito. Todo mundo da minha família ficou contente”, conta ao dizer que a ideia de enviar seu desenho para a redação foi de sua avó. Para o menino, toda criança deveria fazer as atividades do jornal desde pequeno. “É importante para aprender as coisas, a ler e a escrever. Até meu vô faz comigo. É melhor do que ficar no computador e no celular. Quando crescer, vou ensinar meus filhos a ler o Cruzeirinho, assim como o meu pai me ensinou”, frisa. E você, gosta do Cruzeirinho? Escreve para a gente, vamos adorar receber seus desenhos e cartinhas. (Jéssica Nascimento)