Casa e Acabamento

Um século de Bauhaus na arquitetura e no design

Tratava-se de formar gerações de artistas para uma sociedade civilizada e democrática, sem hierarquias



Um século de Bauhaus na arquitetura e no design
Ícone do modernismo, o edifício que abrigou a escola de design Bauhaus ainda parece uma peça alienígena imposta à bucólica cidadezinha de Dessau. Pedra, aço e vidros, obra do arquiteto e diretor Walter Gropius em 1926, contrastam com as típicas construções alemãs de seu entorno. Crédito da foto: Divulgação

O movimento Bauhaus completa 100 anos de enorme impacto nas artes e na arquitetura do ocidente europeu, e também dos EUA, Israel e Brasil – para onde se encaminharam muitos artistas exilados pelo nazismo. A Cidade Branca de Tel Aviv, em Israel, que contém um dos maiores espólios de arquitetura Bauhaus em todo o mundo, é Patrimonio Mundial desde 2003. A escola Bauhaus também influenciou imensamente a América do Sul, tendo como seu principal representante o arquiteto Oscar Niemeyer. A jovem capital brasileira, Brasília, foi projetada em 1957 sob as tendências modernas e funcionalistas inauguradas pelo bauhasianismo.

Mas como nasceu e o que foi o movimento?

Foi fundada pelo o arquiteto germânico Walter Adolf Gropius (1883 – 1969), em 1919, em Weimar, teve sua sede em Dessau-Roßlau, ambas na Alemanha.

Criada com a fusão da Academia de Belas Artes com a Escola de Artes Aplicadas de Weimar, a nova escola de artes aplicadas e arquitetura buscava articular arte e artesanato. A esse ideal do artista artesão somava-se a defesa da complementaridade das diferentes artes sob a égide do design e da arquitetura. O termo ‘bauhaus’ – ‘haus’, casa, ‘bauen’, para construi‘ – mostra a idéia de que o aprendizado e o objetivo da arte ligam-se ao fazer artístico, o que evoca uma herança medieval de reintegração das artes e ofícios.

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Um século de Bauhaus na arquitetura e no design
Este guarda-roupa de compensado, criado pelo designer checo Josef Pohl em 1929, é conhecido como o “guarda-sol do bacharel”. Crédito da foto: Divulgação

A proposta de Gropius antevia a dimensão estética, social e política de seu projeto. Tratava-se de formar novas gerações de artistas de acordo com um ideal de sociedade civilizada e democrática, em que não há hierarquias, mas somente funções complementares. O trabalho conjunto, na escola e na vida, possibilitaria não apenas o desenvolvimento das consciências criadoras e das habilidades manuais como também um contato efetivo com a sociedade urbano-industrial moderna e seus novos meios de produção.

No complexo de edifícios projetados por Gropius estão as abordagens características da Bauhaus: as pesquisas formais e as tendências construtivistas realizadas com o máximo de economia no uso do solo e na construção; a atenção às características dos diferentes materiais como madeira, vidro, metal e outros; a ideia de que a forma artística deriva de um método, ou problema, previamente definido, o que leva à correspondência entre forma e função, e o recurso das novas tecnologias. É desse período o desenvolvimento de uma série de objetos – mobiliário, tapeçaria, luminária etc. -, produzidos em larga escala, como as cadeiras e mesas de aço tubular criadas por Marcel Breuer (1902 – 1981) e Ludwig Mies van der Rohe (1886 – 1969) e produzidas pela Standard Möbel de Berlim e pela Thonet.

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Um século de Bauhaus na arquitetura e no design
O norte-americano Josef Albers, alemão de nascimento, projetou este conjunto de mesas quando foi diretor artístico da oficina de móveis na Bauhaus, em 1926. Crédito da foto: Divulgação

Kandinsky e Klee

Do corpo docente fizeram parte Johannes Itten (1888 – 1967), Theo van Doesburg (1883 – 1931), Wassily Kandinsky (1866 – 1914), Paul Klee (1879 – 1940), László Moholy-Nagy (1894 – 1946), Breuer, Hannes Meyer (1889 – 1954), Van der Rohe, Oskar Schlemmer (1888 – 1943), Joseph Albers (1888 – 1976) e outros. A diversidade dos colaboradores é responsável pelo contato direto da Bauhaus com diferentes tendências da arte européia: o construtivismo russo, o grupo de artistas holandeses ligados ao De Stijl (O Estilo) e os adeptos do movimento de pintura alemã Neue Sachlichkeit (Nova Objetividade).

Um século de Bauhaus na arquitetura e no design
Localizado em Mar del Plata, Argentina, o edifício do Restaurante Ariston foi projetado pelo arquiteto húngaro Marcel Breuer e construído em 1948. O projeto destaca-se pelo seu volume elevado, e a forma curva, inspirada no trevo, permite o máximo de envidraçamento. Crédito da foto: Divulgação

O ano de 1928 marca a saída de Gropius e sua substituição pelo arquiteto suíço Hannes Meyer, com uma ênfase mais social em relação ao design, traduzida na criação de um mobiliário de madeira – mais barato, simples e desmontável – e de grande variedade de papéis de parede. Diante das pressões do nazismo sobre Meyer, em 1930 a escola passa a ser dirigida pelo arquiteto Mies van der Rohe. Ela é oficialmente fechada em 1932 e, após uma tentativa frustrada de recomposição em Berlim, encerra suas atividades, por determinação dos nazistas, em 1933. (Dados da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. Disponível em:http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo368/bauhaus)

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