Casa e Acabamento

O papel de parede cola bem na sua casa!

Papel de parede tem história antiga, com origem na China, há mais de 2.200 anos, e está sendo redescoberto
O papel de parede cola bem na sua casa!
Papel vinílico, com aplicação de textura e efeito metálico. Crédito da foto: Manoela Lustosa / Arquivo Pessoal

Papel de parede. Sua história é longa, mais de 2.200 anos, e começa na China, na mesma época da criação do biombo e da padronização de um método para fazer o próprio papel. Um vulgar papel de arroz, branco, sem pinturas ou enfeites – mas que, rapidamente, descobriu-se útil para muitas coisas, além de receber cartas de amor e éditos imperiais. Inclusive para ser colado nas paredes, receber pinturas, enfeitar as casas.

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O papel de parede chegou à Europa lá pelo século 8, mas foi apenas a partir dos séculos 17 e 18 é que começou a cair no gosto das pessoas. Espalhou-se pelo mundo ocidental rapidamente. Nos Estados Unidos virou febre. No Brasil, apenas lá pelo século 18, com a vinda maciça de europeus, é que ele se tornou conhecido da classe média – mas, também, apenas até os anos 1930 quando, por questões de custo elevado, caiu no esquecimento. Conheceu um breve revivescimento nos anos 1960, foi declarado brega e cafona nos anos 1970, e agora começa a ressurgir.

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A aplicação de um rodameio permite a utilização de papéis diferentes, acima e abaixo da divisão. Crédito da foto: Manoela Lustosa / Arquivo Pessoal

A arquiteta Manoela Lustosa, carioca radicada em Sorocaba, conta que o uso do papel de parede “está crescendo há uns 15 anos. Foi sob a influência do modernismo que ele começou a deixar de ser usado”.

O retorno do uso do papel de parede apoia-se, segundo Manoela, em facilidades – a instalação é rápida e o processo é limpo, há muitas estampas e cores disponíveis, a manutenção é fácil. Certamente, ele é mais caro que a pintura – o dobro, em média -, mas, bem cuidado, dura até o dobro de tempo. Não é lavável, no sentido de receber água, mas pode-se usar, nos vinílicos, um pano úmido; também disfarça melhor a sujeira que a parede pintada, se for um papel com desenhos. A maioria é antialérgico, a cola é a base de água e não deixa cheiro e muitos são anti-chamas.

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A arquiteta Manoela Lustosa é uma defensora do uso do papel de parede e tem vários projetos com ele. Crédito da foto: Emidio Marques (12/2/2018)

Manoela lembra que “o tempo que você vai demorar para trocar o papel por necessidade é bem maior que a necessidade de pintar novamente a parede”.

Os tipos existentes

Existem três tipos de papéis de parede:

Papel de parede tradicional – Feito de celulose, é liso e adequado para aplicação em locais secos e de pouca circulação de pessoas. A superfície de aplicação deve estar regular e lisa. A aplicação é feita com cola sobre o papel; não admite limpeza com pano úmido, por exemplo. A remoção exige que ele seja umedecido, para que se solte da parede mais facilmente. Existem várias marcas nacionais; hoje em dia, são os menos usados.

Papel de parede de tecido-não-tecido (TNT) – Feito de fibras de poliéster e celulose, é relativamente resistente à umidade. Sua aparência imita tecido e pode ser aplicado em locais secos ou úmidos, podendo ser também em superfície irregular. Sua aplicação é feita através de cola na parede. Sua remoção é a seco.

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Papeis vinílicos, com motivos, texturas, cores e tramas diferentes. Crédito da foto: Emidio Marques (12/2/2018)

Papel de parede vinílico – Feito de PVC, este tipo de papel é mais resistente e impermeável, podendo ter o acabamento brihante, acetinado, metálico ou com relevo; também podem receber aplicações de palha, pedra, cortiça, etc. Pode ser aplicado em locais secos ou úmidos, em superfícies com pequenas imperfeições e em locais de maior circulação de pessoas. A limpeza pode ser feita com detergente e aceita ser esfregado com moderação. A aplicação é feita com cola e a remoção é por abrasão ou a seco. A maior parte dos existentes no mercado são importados.

Aplicação e cuidados

O papel de parede cola bem na sua casa!
Discreto, o papel na parede atrás da cama traz harmonia e suavidade ao ambiente. Crédito da foto: Manoela Lustosa / Arquivo Pessoal

A unidade é a principal inimiga desses revestimentos, à exceção do vinílico, pois o papel estraga e descola. Manoela não recomenda o uso nos pisos térreos de casas – “mesmo quando a parede parece seca, e não se nota infiltração, a chance de aparecer umidade, mofo, é grande. Em cozinhas e banheiros, locais mais úmidos por excelência, não é indicado o uso”.

Ela considera, também, que o reuso do papel, ou seja, tirá-lo de uma casa para instalar em outra, ou de um cômodo para outro, pode ser feito, principalmente se o papel for de tecido. Mas é um processo difícil e delicado. “Na hora de tirar, se isso for feito apressadamente, vai danificar a parede”.

Manoela não recomenda a aplicação do papel sem a ajuda de um profissional. “A gente vê os vídeos no YouTube, e parece uma coisa fácil. Mas não é, não. Se a pessoa não for alguém habilidosa, calma, pode não dar certo”.

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Papel de origem francesa, aparentemente, sem data definida. Crédito da foto: HTTPS://COMMONS.WIKIMEDIA.ORG/W/INDEX.PHP?CURID=24204223

A questão não está em colar apenas, mas colar certo, de maneira que o ponto onde uma faixa de papel se encosta à outra (o papel vem em rolos de 53 cm de largura) fique imperceptível, ou que os desenhos fiquem alinhados – a precisão é fundamental.

Como escolher

A escolha do papel de parede adequado segue algumas regras que, de maneira geral, valem para muitos outros produtos.

O papel de parede cola bem na sua casa!
As temáticas variam cada vez mais, e há papéis que são obras de arte. Crédito da foto: Divulgação Elo7

* Papéis mais baratos não “respiram” adequadamente, ao contrário daqueles com tecidos, mais caros

* Os mais baratos, que já vem com cola, não soltam facilmente, na hora de tirar, podem estragar a base sobre a qual foram colocados

* Os melhores não vêm com cola, sendo esta aplicada na hora de instalar

* Há muitas críticas no mercado (tanto de arquitetos quanto de instaladores) em relação à qualidade do papel nacional

* Papéis dupla face grudam muito forte e não dão margem a acertos e correção de pequenos erros

Na hora de fazer os cálculos, lembre-se que as faixas de papel encostam-se lateralmente, mas, se houver sobra no rolo, ela é dispensada, pois não se fazem emendas – a faixa aplicada começa no piso e termina no teto.

Papéis de parede com cores vibrantes, com temas em 3D, ou desenhos grandes, não são indicados para quartos de criança, para espaços atrás da TV, por exemplo, ou em ambientes onde se deseja concentração e não dispersão. São espaços que pedem papéis lisos, com cores neutras, em tons pastel. (Antonio Geremias)

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