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A grama certa para o seu jardim e os cuidados com ela

Insolação, umidade, tráfego de pessoas, animais... uma série de fatores interferem na hora de escolher o tipo mais adequado para o seu caso
A grama certa para o seu jardim
A Esmeralda é a grama de preço mais acessível e fácil adaptação ao solo, mas exige incidência solar na maior parte do dia. Crédito da foto: Divulgação

Todo mundo gosta de ter um jardim bonito e bem cuidado, seja em um ambiente residencial ou comercial. Mas, manter o gramado vistoso, compondo uma paisagem com flores, árvores e arbustos, requer alguns cuidados e manutenção adequada. Além disso, você sabe quais são os tipos de gramas existentes no mercado e para quais locais cada um é mais indicado? Para esclarecer o assunto, o Casa & Acabamento conversou com um especialista e empresas que comercializam grama. Confira as dicas.

Existem de seis a oito tipos de gramas no mercado — uma das mais comuns e mais usadas em jardins residenciais, áreas industriais, casas de praia e campo, playgrounds e até campos esportivos, é a Esmeralda. Porém, esse tipo de grama é ideal para jardins que possuem   incidência solar durante grande parte do dia. Uma vantagem é o preço mais acessível pelo metro quadrado. Ela também apresenta uma ótima adaptação aos diferentes climas e solos do Brasil.

A grama certa para o seu jardim
Esmeralda. Crédito da foto: Divulgação

Outro ponto favorável à Esmeralda é que devido a seu sistema radicular denso é muito resistente a pisoteamentos, tem um grande poder de contenção de taludes, além de ser ótima para lugares inclinados e com risco de erosão.

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O segundo tipo mais comum de grama comercializada para jardins é a São Carlos. Ela é ideal para jardins que possuem áreas sombreadas e a dificuldade de penetração de luz solar. E, caso necessite de maior resistência em se tratando de pisoteio, a grama São Carlos Plus é a mais indicada.

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São Carlos. Crédito da foto: Divulgação

Já para jardins em casas no litoral ou próximas ao litoral a grama mais indicada é a do tipo Santo Agostinho. Ela é ideal para o solo que sofre com grande umidade por conta das chuvas. Neste caso, optar por outro tipo de grama não é recomendado.

Para quem pretende fazer um jardim que seja parte de um projeto paisagístico maior, o tipo de grama mais indicado é a Coreana. Ela é adequada para locais onde não há tráfego constante de pessoas, animais e de veículos. Outra opção neste caso é grama do tipo Japonesa, que também é ideal para jardim paisagístico, em função de seu valor estético e visualmente bem atrativa, deixando o jardim paisagístico muito bonito.

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Coreana / Japonesa. Crédito da foto: Divulgação

A grama Batatais também é bastante popular. Ela possui folhas pequenas e largas, com textura de veludo e se adapta bem em áreas grandes e amplas com muita incidência da luz do sol. A Batatais ainda possui alta resistência a solos secos e pobres e é de rápido crescimento, principalmente durante o verão. Portanto, ela é bastante comercializada no plantio de áreas grandes e, como é resistente ao pisoteio, é recomendada para áreas de recreação, inclusive em haras, uma vez que a grama também serve de pasto.

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Batatais. Crédito da foto: Divulgação

 

Pelo fato de possuir raízes profundas, ela é bastante utilizada no plantio de encostas, taludes e barrancos, principalmente visando à contenção de erosão. Porém, seu plantio exige um pouco mais de cuidado, pois ela não tolera sombra e é muito suscetível à infestação de ervas daninhas, especialmente na fase de plantio até o seu estabelecimento.

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Bermuda. Crédito da foto: Divulgação

A grama Bermudas é o tipo mais usada e ideal para campos de futebol, tênis, pólo, beisebol e golfe. Ela possui folhas estreitas de cor verde viva, e resiste bem a períodos de estiagem, pragas e ervas daninhas. Apesar de suas folhas macias, ela se regenera rapidamente aos maus tratos e ao pisoteio, o que a torna ideal para campos esportivos e áreas de recreação. Ela deve ser adubada a cada 6 meses, e podada pelo menos uma vez por mês ou quando a sua altura passar dos dois centímetros.

Todos os tipos de grama descritos acima são do tipo natural.

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Região é grande produtora

O produtor Sérgio Seabra Cyrineu Júnior comercializa gramas na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), em Sorocaba. Ele afirma que vende grande parte da produção para as empresas especializadas em paisagismo e jardins. Segundo ele, praticamente 90% da grama vendida para jardins residenciais é do tipo Esmeralda, que é a mais adequada e de preço mais acessível para áreas onde bate sol constante. “O segundo tipo mais vendido é a grama São Carlos. Eu tenho produção de gramas em Capela do Alto e em Itapetininga. No total, produzo cerca de 50 mil metros por mês de grama”, diz.

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Cyrineu Júnior produz em Capela do Alto e em Itapetininga. Crédito da foto: Emidio Marques

De acordo com Sérgio, que possui um box na Ceagesp para comercializar grama, chamado JJ Gramas, o metro quadrado da Esmeralda custa R$ 3 e a São Carlos entre R$ 6 a R$ 8 o metro. “Para os demais tipos, que são menos vendidos, geralmente é necessário fazer a encomenda e o preço varia de acordo com o tipo escolhido”, destaca.

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Em relação à qualidade da grama, Sérgio afirma que não é a estética que garante o melhor produto, mas sim a data de maturação, ou seja, o tempo que o produtor cultivou, adubou, irrigou, fertilizou, arou e podou a produção até o momento da comercialização do produto. De acordo com o produtor, isso vale para qualquer tipo de grama.

“A grama de melhor qualidade é mais resistente a pisoteio, doenças, pragas e também menor índice de quebra. Deste modo, as gramas com maior tempo de maturação são consequentemente as de melhor qualidade”, diz. Sérgio disse ainda que geralmente as gramas são vendidas em placas uniformes, principalmente no caso da Esmeralda.

Confira os cuidados na hora de plantar

Depois da escolha do tipo de grama mais adequado é preciso preparar o solo para fazer o plantio. Antes de tudo, é necessário fazer a erradicação das plantas daninhas. Outra questão importante é eliminar impedimentos físicos como pedras, entulhos, tocos de madeira, restos de cimento, cal e de outros obstáculos existentes na área.

Também é recomendada a adubação do terreno para o bom enraizamento do gramado e rápida formação de novas folhas. Tais cuidados vão garantir desenvolvimento mais rápido do sistema radicular e o estabelecimento da grama no jardim ou local aplicado.

Para iniciar o plantio deve-se molhar o solo para facilitar o enraizamento das placas de grama. Em seguida é recomendável plantar uma ao lado da outra, visando diminuir ao máximo o espaço entre elas.

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Outra dica importante é dar preferência por fazer o plantio das placas de grama o mais rápido possível, logo após a chegada do produto no local. O produtor orienta que caso não seja possível fazer o plantio na mesma hora é recomendável proteger as placas de grama com a chuva e a luz direta do sol.

No caso da grama Esmeralda, o biólogo Raul Barbosa, da empresa Flora Morumby, também recomenda acertar o terreno com terra comum, sem matéria orgânica, para que a grama assente melhor e fique o mais plana possível. E para que ela se desenvolva mais rápido, é ideal adicionar adubos específicos para plantio na mistura do solo. “Após esse preparo, os tapetes são colocados lado a lado no local, e são feitos os recortes necessários para a cobertura total da área. É recomendada a rega diária por pelo menos 30 dias após o plantio”, diz.

Em relação à manutenção, é ideal fazer adubação trimestral, irrigação quando necessário e corte sempre que as folhas ultrapassarem cerca de três centímetros. No caso da grama Esmeralda, que é a mais vendida, o biólogo afirma que o custo de manutenção é considerado baixo: ela exige podas sem muita frequência, adubação com fertilizante mineral misto a cada 120 dias e regas de uma ou duas vezes por semana.

Ele trabalha também com a grama sintética, de 12 mm de espessura, cujo metro quadrado, sem instalação, sai por R$ 66. (Ana Cláudia Martins)

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