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A gambiarra em condicionadores de ar pode matar!

As regras básicas são: projeto bem feito, instalação correta e manutenção adequada e periódica
A gambiarra em condicionadores de ar pode matar!
Crédito da foto: Reprodução da Internet

Recentemente, o país soube que incêndios de grandes proporções, inclusive com mortes, foram causados por problemas em aparelhos condicionadores de ar. Foi o caso dos incêndios que destruíram grande parte do Museu Nacional e o centro de treinamento do Flamengo, ambos no Rio de Janeiro — curto-circuito naqueles equipamentos, causados por instalações precárias, com as famosas gambiarras.

Por isso, para evitar curto-circuitos, incêndios ou outros problemas na hora de instalar e usar condicionadores de ar, o Casa e Acabamento ouviu um especialista no assunto. O engenheiro mecânico Mário Motonari Yabiku possui, há muitos anos, uma empresa especializada em projetos de instalação e manutenção de condicionadores de ar para empresas e residências em Sorocaba. Segundo ele, as regras básicas são: projeto bem feito, instalação correta e manutenção adequada e periódica.

“Com o planejamento adequado, instalação correta e manutenção periódica os condicionadores de ar podem durar entre cinco e 10 anos”, destaca Mário.

Antes da instalação

A gambiarra em condicionadores de ar pode matar!
Mário Yabiku defende as instalações bem feitas, que ajudam a impedir desastres como o do Museu Nacional. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Dos modelos existentes, o preferido pelos consumidores é o modelo “split”, que leva esse nome por ser dividido em duas partes: uma, dentro da casa, é chamada de evaporadora; a outra, que fica do lado de fora, é a condensadora.

O engenheiro Mário explica que um fator relevante ao comprar um condicionador é dar preferência para as marcas mais conhecidas. “Isso é recomendado, pois no caso da manutenção indicar a troca de uma peça, se a marca não for mais importada ou já tiver saído do mercado, pode ser mais difícil encontrar peças para reposição”.

Ele destaca ainda que, além da escolha do local adequado para a colocação, a potência do aparelho deve ser a ideal para o tamanho do ambiente e, importante, a instalação elétrica deve ser efetuada por profissionais qualificados.

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Crédito da foto: Reprodução da Internet

Há alguns cuidados a se tomar ao instalar um split. Como uma parte do aparelho fica dentro da casa e outra fora, é bom que elas fiquem próximas uma da outra, pela economia que isso trará em tubos de conexão e fios. Mário recomenda que sejam usados tubos de cobre ou alumínio, mais resistentes à corrosão, com diâmetros e espessuras adequadas à carga térmica escolhida.

Em relação à instalação elétrica são necessários fios adequados à carga do condicionador. E, para a drenagem da água, tubos de PVC que serão ligados à rede pluvial ou de esgoto da casa.

Mário lembra que “geralmente, os imóveis novos já têm estrutura pronta para a instalação de condicionadores de ar”, estrutura que é projetada ainda na planta. Quando a casa estiver sendo construída ou vai ser reformada, a infraestrutura necessária deve ser instalada, ou seja, os três tipos de tubos descritos (para ar, fios e água) nas paredes, ao mesmo tempo em que o encanador fizer a rede hidráulica e em que estiverem sendo colocadas as caixinhas para tomadas e interruptores, de acordo com o projeto da rede elétrica.

O especialista explica ainda que, se o imóvel estiver pronto e o proprietário for instalar um equipamento do tipo split, aí será preciso quebrar passagem para os tubos na parede, no contrapiso ou embutir no forro de gesso. Se sua casa for em alvenaria estrutural, não quebre paredes: deixe as tubulações aparentes ou passe pelo forro de gesso.

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Quando a casa já existe e não vai ser reformada, o engenheiro recomenda os cuidados necessários para a instalação. “Deve-se dimensionar corretamente a carga térmica para definir os aparelhos e verificar se a rede elétrica da casa suporta os aparelhos. É necessário passar nova fiação e instalar disjuntores. “Em novas instalações deve-se instalar nova fiação de bitola apropriada e disjuntor de acordo com a corrente elétrica do aparelho”, diz. Ele destaca ainda que existe uma fita (espécie de fiação) que pode ser passada sobre a parede, externamente, e em seguida passar massa corrida por cima. “Embora exista essa fita, eu nunca apliquei em instalação de condicionadores de ar e não posso confirmar sua eficiência”, diz Mário.

Atenção com a instalação elétrica

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Sobrecarregar um sistema é meio caminho andado para um curto-circuito. Crédito da foto: Reprodução da Internet

Para evitar problemas futuros e riscos de incêndios, o engenheiro ressalta que o condicionador de ar precisa ter um disjuntor específico com fiação exclusiva para ele, ou seja, um para cada aparelho. “O disjuntor pode ser próximo do aparelho ou no quadro de distribuição de energia”, diz Mário. Ele explica também que se não tiver um circuito exclusivo e a ligação tiver sido improvisada, a rede elétrica pode ficar sobrecarregada e o imóvel fica em risco, além de comprometer a vida útil do aparelho. Ele recomenda ainda atenção para a voltagem. “Os modelos do tipo split em sua maioria são ligados em 220V, e não adianta ligar em tomada 110V que o equipamento não vai funcionar”, diz.

O engenheiro afirma ainda que a instalação elétrica de alimentação do aparelho deve ser exclusiva, saindo diretamente do quadro principal de energia passando por disjuntores e com bitola de cabo adequado a corrente elétrica do mesmo. “Pode ser utilizado condutor rígido (sólido) ou flexível (trançado). Deve-se preocupar com a bitola (número) do condutor, que será definido pela capacidade do aparelho de ar condicionado. De acordo com a capacidade do aparelho e a tensão aplicada (voltagem), definimos a corrente elétrica (amperagem) e esta definirá a bitola do condutor”, explica Mário.

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O especialista disse que cada aparelho tem o seu manual de instrução, que especifica as características técnicas, tais como: capacidade do aparelho, tensão de alimentação, corrente elétrica, bitola do condutor, e disjuntor.

Calculando a carga térmica a instalar

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A instalação de condicionadores ‘split’ exige tubulações para água e ar, além das elétricas. Mais eficiente, o modelo exige maior atenção técnica. Crédito da foto: Reprodução da Internet

O engenheiro explica que existem duas maneiras de calcular a carga térmica da área a ser climatizada. Pelo método simplificado é feito cálculo aproximado de ambientes sem fontes de calor anormal. “Calcula-se multiplicando a área do ambiente por 600, obtendo-se o resultado em BTU, que é a sigla para Unidade Térmica Britânica. E é a quantidade de BTUs que determina qual será a potência de refrigeração do condicionador de ar”, diz. Mário afirma que em um quarto de 5m x 5m a área é de 25m² e a carga térmica será de (25 x 600), que resulta 15.000 BTUs. “Neste caso aplica-se o aparelho comercial de capacidade imediatamente superior, isto é, 18.000 BTUs”. Já no método preciso, para o cálculo de carga térmica do ambiente climatizado, considera-se a soma de todos os valores máximos de carga térmica. No caso de calor externo: insolação, penetração, ar de renovação, entre outros. E calor interno: equipamentos, pessoas, iluminação, alimentos, entre outros. (Ana Cláudia Martins)

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