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Armários que ‘hospedam’ home office são a nova tendência da decoração

Cloffice permite a sensação de amplitude do ambiente, principalmente em pequenas casas e apartamentos

25 de Abril de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo
Escolha da sala como ambiente de trabalho foi uma boa opção.
Escolha da sala como ambiente de trabalho foi uma boa opção. (Crédito: DIVULGAÇÃO)

Uma tendência da arquitetura que cresceu na última década foi a integração de ambientes. O principal motivo é a sensação de amplitude que a técnica garante em residências com poucas metragens. Mas, se antes a falta de divisão nos ambientes não era vista como um problema, o isolamento social mostrou que um pouco de privacidade é essencial. Assim, a criatividade na hora de isolar os ambientes veio à tona. Uma delas ganhou até um nome: cloffice.

Cloffice é um home office dentro de um armário, junção das palavras “closet” e “office” (quarto de vestir e escritório, em inglês). O termo surgiu com as blogueiras de moda, que costumavam ter um espaço, dentro do seu closet, com mesa, computador e blocos de anotações para ideias de produção de conteúdo. Hoje, o nome também abarca o movimento minimalista e serve para nomear o escritório que está literalmente dentro do armário.

A ideia pode parecer um pouco louca, mas já tem muitos adeptos pelo mundo. De acordo com a rede social Pinterest, Estados Unidos, Canadá e Austrália são os países que dominam a busca pelo termo, o qual está classificado como uma das tendências deste ano pelo site. “Passando mais dias em casa, muitos de nós tivemos que incorporar o escritório à casa e criar espaços multifuncionais para todos os tipos de atividades do dia a dia. Nesse cenário, o armário pode ser o lugar onde os proprietários podem encontrar a sua individualidade, silêncio e espaço ‘extra’”, diz Larkin Brown, líder de Pesquisa e Experiência do Usuário do Pinterest.

Aqui no Brasil, ainda são poucos exemplos do estilo, mas dois ganham destaque. No bairro Vila São Francisco, zona oeste de São Paulo, a arquiteta Marina Carvalho reservou um espaço para o cloffice no lar da bancária Heloísa Rodrigues e do consultor de negócios Adelmo Felipe. “O metro quadrado está cada vez mais caro, então é cada vez mais comum termos estúdios. E aí você tem que pensar com inteligência a melhor forma de otimizar o espaço pequeno, sem que ele fique muito poluído”, explica ela.

A ideia veio do pedido do casal à arquiteta de um escritório que conseguisse esconder a bagunça do trabalho. “Nunca gostamos muito da ideia de um quarto home office, de ficar isolado num lugar. A gente gosta de ambientes integrados, o apartamento inteiro é assim”, diz Heloísa. A escolha da sala como ambiente veio logo em seguida. “Quando comecei a pensar em como faria a disposição do layout, optei por encaixar o escritório na sala, por ela ser um lugar proporcionalmente maior do que os outros cômodos”, explica Marina.

No armário da televisão, a porta de correr esconde um pequeno escritório. - DIVULGAÇÃO
Crédito: DIVULGAÇÃO / Descrição: No armário da televisão, a porta de correr esconde um pequeno escritório.

Atualmente, o ambiente que fica logo na entrada do apartamento de 110 metros quadrados serve também como ritual de encerramento do dia. “Acabou o trabalho, fecha a porta e vai fazer outra coisa”, conta Heloísa. Prática fortemente aconselhada pelos psicólogos para desassociar o serviço da vida pessoal.

Uma desvantagem dos cloffices, porém, é a falta de um fundo. Afinal, por estarem dentro de um armário, estão de frente para a parede e não contra, permitindo que os outros moradores da casa sejam vistos durante reuniões ou chamadas de vídeo. “Normalmente, pego uma foto exatamente da vista que a pessoa teria se eu estivesse com a câmera aberta e uso como fundo virtual do Zoom. Assim fica parecendo que a casa está sempre arrumada e não mostra ninguém”, brinca Heloísa. Outra opção é retirar as portas do armário e instalar um varão de cortina, o que permite o fechamento total do ambiente.

Em Juiz de Fora, Minas Gerais, a arquiteta e moradora do loft de 53 metros quadrados Luciana Teperino também se encantou pela técnica. “Escutei apenas recentemente o termo. Mas eu já fazia muito projeto de interior com essa demanda, só que ninguém me pedia um ‘cloffice’, e sim um escritório que pudesse esconder as coisas”, conta ela. Em sua morada, a ideia também veio antes do termo.

No armário da televisão, a porta de correr esconde um pequeno escritório. “Ali tem a mesa fixa e outra embaixo, com rodinhas, que pode servir realmente para duas pessoas ou de apoio para o trabalho ou estudo”, explica.

Segundo ela, um dos segredos para a melhor distribuição dos espaços é a verticalização de fácil acesso. Se, no lugar da escada fixa, fosse uma desmontável, talvez a preguiça venceria e os objetos da área superior seriam esquecidos. “É importante ter móveis dinâmicos que podem se adaptar à necessidade da pessoa. Pensar em realmente dividir todos os usos, porque, quando você tem um lugar para cada coisa, consegue ocupar o espaço de forma inteligente”, diz. (Estadão Conteúdo)

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