Sorocaba e Região

Transporte muda e afeta retirada de doações para Banco de Leite

Uma mudança na equipe de transporte alterou a rotina das doações que abastecem o Banco de Leite Humano, que funciona no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). Segundo mães cadastradas no sistema, há cerca de um mês a retirada do material, que é feita nas casas, não está acontecendo com a frequência necessária. O problema começou após a Prefeitura cortar a cessão de um motorista que fazia esse trabalho, sob alegação de que não havia convênio firmado. O Estado diz que a situação já foi equacionada, com a colocação de um funcionário do CHS para fazer essa coleta, que agora só é realizada duas vezes por semana. Enquanto isso, algumas mulheres estão tendo que jogar fora o leite, que no banco ajuda a alimentar outras crianças recém-nascidas e prematuras que estão internadas.

De acordo com as mães doadoras, ainda que a equipe passasse em cada casa uma vez por semana, havia coleta diariamente, com revezamento das regiões da cidade atendidas. A retirada em casa, além da comodidade, também faz com que o material seja transportado corretamente e chegue ao hospital ainda congelado, o que é a garantia de que poderá ser utilizado. “Se não for todos os dias fica difícil atender todo mundo”, comenta Cláudia Regina Bortolucci, 31 anos, doadora há oito meses e que há três semanas não recebe a visita da equipe de coleta. “Já perdi leite. Continuo congelando, pois tenho muita fé que voltem a retirar com frequência.”

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Eugênia Conceição da Silva Lara, 35 anos, doa há cinco meses e não consegue que o material seja retirado na sua casa há um mês. “Começou em junho, quando o motorista entrou em férias. Ele voltou, mas foi afastado. A informação que temos é que não há previsão.” Ela conta que decidiu ser doadora, com o nascimento da segunda filha, após ver a primeira, há alguns anos, ser beneficiada com o leite de outra mulher. “Eu não tive leite e dependi do banco. Agora eu tenho bastante, não custa nada, não ter porque não retribuir.” Eugênia diz que chegou a levar o material congelado até o CHS, mas teme que o mesmo possa estragar. “Tem que ser no isopor, com gelo. Não pode descongelar e está fazendo muito calor.” Já Nicole Pineda Pietrobon Castanho Aguiar, de 24 anos, se cadastrou este mês e está disposta a doar toda semana — mas, para isso, depende desse transporte. Ela recebeu uma visita na primeira semana de julho e desde então aguardava a retirada do material armazenado nos vidros. “Consegui levar lá hoje [segunda], senão iria perder o leite que tirei.”

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Eugênia acumula leite para ser retirado. Crédito da foto: Fábio Rogério

Segundo a Prefeitura, o governo municipal anterior cedeu um servidor motorista para exercer a função, “mas a atual gestão constatou que não existe convênio firmado entre Estado e município, por este motivo, o servidor foi retirado”. A administração municipal também alega que “o carro utilizado não era oficial da Prefeitura, situação que também impossibilitou a continuidade por parte da cidade”. O veículo pertenceria ao próprio Banco de Leite, resultado de uma doação. Nenhum dos órgãos envolvidos, entretanto, confirmou essa informação. Já o Estado afirma que o CHS estuda possibilidades para ampliar a frequência da coleta — que, segundo as mães, hoje tem acontecido às terças e quintas. O órgão reitera que o Banco de Leite Humano da unidade “está abastecido e funcionando normalmente, coletando cerca de 80 litros mensalmente”. Algumas imagens enviadas à reportagem, entretanto, mostram os refrigeradores do local com poucos vidros armazenados. (Regina Helena Santos)

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