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Tempo seco em Sorocaba exige que a hidratação seja reforçada

19 de Julho de 2018 às 10:27

Enfrentar o tempo seco tem sido o desafio dos sorocabanos nas últimas semanas. A umidade relativa do ar extremamente baixa -- que atingiu 29% às 15h desta quarta-feira (18), segundo dados da Estação Automática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) --, somada a fatores como queimadas e concentração de poluentes, têm sido sentidas no corpo. "Fiquei com o nariz entupido ontem antes de dormir", contou João, 11 anos, que ao lado do padrasto, o padeiro Luís Marcos de Souza Junior, 38 anos, e da irmã Alice, 7 anos, deu uma pausa na brincadeira, na tarde de ontem, para se hidratar.

Luis, João e Alice sabem da importância de se manterem hidratados - FÁBIO ROGÉRIOLuis, João e Alice sabem da importância de se manterem hidratados - FÁBIO ROGÉRIO

Tomar muita água é a principal orientação dos médicos para enfrentar a sensação de secura. "Em casa um galão de 20 litros de água está durante só uma semana. Tem que tomar, pois a garganta arranha", disse a dona de casa Andréa Gil Monson, 45 anos. Ela optou por passear com as crianças em férias no parque, no final da tarde, exatamente para tentar amenizar o mal estar causado pela falta de umidade. "É impossível vir para cá no meio do dia. Eu sinto até falta de ar." O casal Rosana Aparecida Almeida Soares, 52 anos, e Roque Soares, 59 anos, também apelou para a hidratação para conseguir aguentar o ar pesado -- e também o calorão em pleno inverno, com temperaturas que chegaram a 28,1ºC às 15h de ontem . Após o passeio escolheram um picolé e uma água de coco, além de manter a garrafa de água mineral sempre ao lado. "Eu coloco a bacia com água à noite, pois meu filho tem rinite", disse Rosana. Já Roque se mostrou incomodado com a grande quantidade de queimadas pela cidade, que só pioram o clima sem chuvas. "É só olhar para algum lugar alto que a gente já vê fumaça. O pior é que sempre alguém coloca, sozinho não pega fogo." Para quem faz atividade física habitualmente, dar continuidade aos exercícios em época de clima seco também é um desafio. Eugênia Silva Pedro, 61 anos, disse sentir na pele esse incômodo. Ela, que corre há três anos, reconheceu que é bem mais difícil manter o mesmo desempenho quando o ar está tão carregado. "É ruim, os carros circulando, o pó. Só tomando muita água."

Eugênia é corredora e diz ser mais difícil manter o mesmo desempenho - FÁBIO ROGÉRIOEugênia é corredora e diz ser mais difícil manter o mesmo desempenho - FÁBIO ROGÉRIO

A Estação Automática do Innmet registrou ontem, às 7h, o maior índice de umidade do ar do dia no município: 95%. Este, entretanto, foi caindo gradativamente até atingir os 44% às 11h, 38% às 12h, 33% às 13h, 31% às 14h e 29% às 15h. O índice voltou a subir e estava em 41% às 18h. De acordo com o boletim da Cetesb, a qualidade do ar se manteve boa em Sorocaba durante o dia de ontem, com índice de 36%, às 18h, com a presença predominante de poluentes como poeiras e fumaças.

Prevenção 

Segundo a médica pneumologista Marta Kalil, é natural que as pessoas comecem a sentir incômodos quando a umidade do ar baixa mais que 30%. Os principais sintomas são o ressecamento das mucosas nasais, da garganta, dos olhos e da pele. Para amenizá-los, a palavra de ordem é a hidratação. Isso deve acontecer com ingestão de bastante água e aplicação de soro para limpeza das narinas. A colocação de bacias com água ou toalhas úmidas nos ambientes ajuda, porém de maneira relativa, destaca a médica. "Depende de alguns fatores, como o tamanho do cômodo, por exemplo." Os aparelhos umidificadores também são bem-vindos, mas precisam ser usados com cuidado. Isso porque muita umidade também pode causar mofo dentro dos cômodos e a água utilizada deve ser sempre trocada e estar limpa.

As complicações do tempo seco podem afetar a todos -- já que, com a falta de chuvas, vírus e bactérias causadores de doenças acabam ficando em suspensão no ar --, mas os principais prejuízos costumam ser para aqueles que já possuem algum tipo de doença respiratória, como rinite e asma, e os pacientes idosos. "A mucosa nasal ressecada também aumenta a aderência de bactérias. Por isso é importante lavar." Entre os maiores problemas está o da irritação virar uma infecção, que exige a medicação com antibióticos. Já para quem pratica exercícios, Marta orienta que dá para manter o hábito, desde que se hidrate bastante e não extrapole limites. "Não é hora de desafios."