Sorocaba e Região

Tatiane Polis nega ter atuado em contrato de publicidade da Prefeitura

A ex-assessora de Crespo prestou depoimento à CPI que investiga os falsos serviços voluntários na Prefeitura de Sorocaba
Tatiane Polis foi assessora do prefeito José Crespo, de Sorocaba
Tatiane Polis falou com a imprensa após a oitiva da CPI que investiga os Falsos Serviços Voluntários. Crédito da foto: Emídio Marques (17/4/2019)

Tatiane Polis foi ouvida na manhã desta quarta-feira (17) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Sorocaba que investiga os falsos serviços voluntários na Prefeitura. A ex-assessora do prefeito José Crespo (DEM) esteve no Legislativo, acompanhada pelo advogado Márcio Leme, e respondeu perguntas feitas por vereadores durante aproximadamente 1 hora. Entre os pontos questionados pelos vereadores, ela negou ter atuado em contrato de publicidade do governo municipal.

A oitiva foi decisiva para definir os rumos da investigação, em especial após depoimento do ex-titular da Secretaria da Comunicação e Eventos da Prefeitura de Sorocaba, Eloy de Oliveira. No depoimento, prestado à Polícia Civil dentro da operação Casa de Papel, o ex-secretário de José Crespo afirma que a ex-assessora do prefeito recebia R$ 11 mil por mês mesmo atuando como voluntária no governo municipal. O pagamento seria feito por meio de um contrato público com uma agência de publicidade.

Durante o depoimento, Tatiane Polis negou irregularidades no serviço voluntário ou que tenha recebido qualquer valor. Durante a oitiva, a depoente afirmou desconhecer o Programa Sorocaba Voluntária e disse ter assinado o termo de adesão no gabinete do prefeito José Crespo. Sem dia e horário específicos, a ex-assessora afirmou que atuava no programa Fala Bairro, ligado à Secretaria de Comunicação e Eventos (Secom). Ela também ressaltou que se reportava aos secretários, de acordo com as demandas.

Tatiane Polis disse não possuir uma sala no sexto andar da Prefeitura de Sorocaba, onde fica o gabinete do prefeito José Crespo

No programa Fala Bairro, Tatiane Polis afirmou ter participado das três edições. Já no programa Adote uma Praça, a sua atuação não teria ocorrido de forma efetiva. Ela também ressaltou que participava de algumas reuniões com secretários, mas não dava ordens e atribuições para servidores de forma direta. “Não tinha voz de comando”, lembra.

Na sequência do depoimento, Tatiane Polis disse não possuir uma sala no sexto andar da Prefeitura de Sorocaba, onde fica o gabinete do prefeito José Crespo. Em sua fala, ela informou não possuir um ramal privativo no Paço. “Se não tenho sala, não tenho como ter um telefone, muito menos um ramal”, garante.

Sobre o trabalho voluntário, ela informou que se dirigia aos locais das atividades em seu carro particular e o gasto com combustível era de sua responsabilidade. A ex-assessora disse ainda não ter indicado a nomeação de qualquer servidor na Prefeitura de Sorocaba. Sobre grupos de WhatsApp, a depoente disse que participava de grupos informais. “Não era um grupo oficial da Secretaria [Secom]”, afirma.

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Ela negou que tivesse atuado no contrato de publicidade, cujo valor é de cerca de R$ 20 milhões. Na continuação do depoimento, Tatiane Polis disse não ter sugerido exoneração na Prefeitura de Sorocaba e nem a mudança de funções de servidores. A ex-assessora falou também sobre a amizade com o prefeito e sua esposa, a primeira-dama Lilian Crespo. “Ambos frequentavam minha casa”, garantiu.

Ainda no depoimento, Tatiane Polis confirmou ter participado de uma reunião no Ministério Público com a participação de José Crespo. Ela alegou, porém, que não estava acompanhando o prefeito, mas uma entidade. Por fim, ele negou receber qualquer valor recebido no voluntariado e também negou que foi informada por alguém, incluindo o prefeito, de que havia um programa de voluntariado na Prefeitura.

Tatiane Polis ao lado do advogado Márcio Leme durante oitiva na Câmara de Sorocaba. Crédito da foto: Emídio Marques (17/4/2019)

Fim dos trabalhos

Para a vereadora Iara Bernardi (PT), presidente da CPI, já existem elementos para que os trabalhos sejam finalizados. “Vamos decidir agora se nós terminamos a oitiva e fazemos o relatório, ou se outras pessoas e até a Tatiane Polis serão convocadas. Tenho que conversar com a relatora [Fernanda Garcia (Psol)], os outros membros da CPI e a própria Câmara. Fundamentação já temos para encerrar essa CPI. Recebemos denúncia de falso voluntariado e isso está mais que comprovado”, diz.

Eloy de Oliveira

O advogado do ex-secretário Eloy de Oliveira, Lucas Francisco, esteve na Câmara de Sorocaba acompanhando a oitiva da CPI do Voluntariado, da ex-assessora Tatiane Polis. No Legislativo, o advogado apresentou à CPI um documento no qual ratifica o depoimento à Polícia Civil na Investigação sobre o voluntariado na Prefeitura de Sorocaba e retifica o depoimento dado à CPI, na Câmara.

Em um texto lido pela vereadora Iara Bernardi, o ex-secretário disse ter dado o depoimento de forma que pede retificação em virtude de estar sob pressão do governo. Eloy de Oliveira prestou depoimento em 19 de março. (Marcel Scinnoca)

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