Sorocaba e Região

Samu vai ser descentralizado para três unidades do Corpo de Bombeiros

Base atual servirá como Centro de Transição e Retaguarda da Covid-19
A atual sede do Samu poderá ser transformada em um Centro de Transição e Retaguarda da Covid-19. Crédito da foto: Fernando Rezende (12/1/2021)

O Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) deixará a base da Vila Angélica, na zona norte de Sorocaba. Serão montadas unidades descentralizadas em três unidades do Corpo de Bombeiros. No prédio onde fica a atual base do Samu, a Secretaria da Saúde de Sorocaba (SES) planeja montar a unidade de retaguarda para atendimento contra a Covid-19. As informações foram confirmada pela Prefeitura de Sorocaba na noite de quinta-feira (14).

As novas bases do Samu seriam no Cerrado, Herbert de Souza e Éden. “A base será definitivamente desativada, conforme já era acordado com o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, desde o ano de 2020”, diz o Executivo. “A SES tomará diversas medidas de reestruturação e melhorias do Samu, tudo isso para otimizar o atendimento à população”, acrescenta.

O Samu ficaria sediado de forma descentralizada em bases do Corpo de Bombeiros. “Essa iniciativa promoverá um atendimento mais rápido à população. Além disso, a descentralização visa cumprir requisitos do Ministério da Saúde e o acordo previamente celebrado, desde 2015, entre Prefeitura de Sorocaba e Segurança Pública Estadual”, garante.

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Ainda conforme o Executivo, a intenção é que o local — base atual do Samu — se torne um Centro de Transição e Retaguarda da Covid-19, com o objetivo de reduzir a demanda de transferências de pacientes suspeitos e confirmados com a doença para os hospitais, que hoje é feito pelo Samu.

O plano inicial é que o local tenha 20 leitos de baixa e média complexidade, além de 5 leitos de estabilização, para que seja possível dar suporte aos hospitais já conveniados. O centro funcionará se for necessário, ou seja, não há uma data definida.

Tensão

Entre os integrantes do Samu, o clima é de apreensão e tensão. Houve inclusive, ao menos um pedido de demissão, que teria ocorrido em função da mudança. “Existe uma urgência vinda da Secretaria para descentralizar o Samu. Com muito pesar tenho de informá-los. Não tenho condições técnicas de continuar na coordenação. Infelizmente, não há nada que eu possa fazer. Muito obrigado pela confiança e apoio! Seremos realocados nos quartéis dos bombeiros”, diz mensagem do coordenador da base aos colegas.

Crédito da foto: Pedro Negrão/ Arquivo JCS (25/1/2012)

“Após 13 anos sem base, vivendo de favor, no porão, conquistamos nossa base. Agora, uma ano e meio depois da tão sonhada base, querem tirar ela da gente”, lamenta um dos servidores da unidade. A “base” do Samu, vale lembrar, até 2019, era no subsolo da UPH Norte, na avenida Ipanema. “Não dará certo. Já tentaram uma vez e não deu certo”, comenta outro. “Indiferente de onde estiver, a gente vai fazer o tempo-resposta”, acrescenta.

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Zona norte

Há ainda a preocupação com relação ao atendimento na zona norte de Sorocaba, que segundo relatado pelos funcionários, demanda de mais de 50% dos atendimentos do Samu. Com a mudança, a região terá um número menor de viaturas, e a segunança dos atendimentos poderá ficar comprometida. “Não comporta. A maior parte do atendimento do Samu, é zona norte. Vai ficar complicado”, salienta.

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Crédito da foto: Pedro Negrão (25/1/2012)

Outra preocupação está na distribuição das ambulâncias UTI, que não cobriria toda a cidade. Essa mudança proposta pela SES, segundo um dos servidores ouvidos pela reportagem, não atende à determinação do Ministério da Saúde.

O local onde funciona a base do Samu e que se transformará em local de retaguarda para pacientes com suspeita ou confirmação da Covid-19 já foi unidade de emergência para a zona norte de Sorocaba, até a inauguração da UPH Norte, na segunda gestão de Renato Amary, então prefeito pelo PSDB.

A estimativa é de que as ambulâncias do Samu realizem, em média, 120 deslocamentos para atendimentos por dia. São sete ambulâncias no total, sendo apenas duas de suporte avançado, com UTI móvel. (Marcel Scinocca)

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