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Sorocaba e Região

Rodízio de água começa nesta quarta em seis regiões de Sorocaba

O esquema será mantido até que haja melhora no nível das represas que abastecem a cidade
Fornecimento de água terá rodízio
Nível da represa do Ipaneminha está abaixo do normal e já é preocupante, segundo o Saae. Crédito da foto: Fábio Rogério (4/11/2019)

O rodízio no fornecimento de água começa nesta quarta-feira (06) em Sorocaba. Nesta data serão afetadas as regiões dos bairros Vila Haro, Parada do Alto, Central Parque, Vila Barão, Terra Vermelha e Novo Éden.

Segundo o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), o rodízio terá duração de 13 horas por dia, das 17h até as 6h. A medida vai abranger pelo menos 150 bairros diariamente. A programação será divulgada toda segunda-feira.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (4) pela prefeita Jaqueline Coutinho (PDT) e pelo diretor-geral do Saae, Mauri Pongitor. A paralisação no fornecimento será mantida até que haja melhora no nível das represas que abastecem a cidade.

Segundo a prefeita, a situação de Sorocaba é “emergencial” devido à redução de água nos principais mananciais da cidade. Ipaneminha já está praticamente esgotado e outros dois estão em situação dramática (Ferraz e Castelinho).

Ainda conforme a prefeita, o plano de contenção já está sendo feito há algum tempo. “Todas as medidas já estavam sendo adotadas, mas agora é uma situação emergencial”, afirmou a chefe do Executivo.

Conforme a autarquia, as medidas não afetarão a qualidade da água distribuída. Jaqueline Coutinho afirmou que, se houver necessidade, caminhões-pipa ajudarão no abastecimento, em especial em escolas e hospitais.

Falta de chuva

Pongitor afirmou ainda que a última grande chuva em Sorocaba ocorreu há 123 dias. De acordo com ele, nos dias em que a cidade apresenta temperatura elevada de 37 graus, o consumo chega a aumentar cerca de 25%.

De maio a outubro deste ano, choveu apenas 66% (258,3mm) da média histórica para o período, que é de 393,1mm. No ano passado, no mesmo período, choveu o equivalente a 95% da média histórica, ou 373,9mm.

Fornecimento de água terá rodízio
Outras represas também estão com volume de água menor. Crédito da foto: Fábio Rogério (4/11/2019)

Os dados apresentados pelo Saae têm por base o monitoramento realizado pelo Somar Meteorologia, que revela ainda que os meses mais críticos em termos de chuvas foram agosto e outubro.

Agosto teve 3,7mm de chuvas, contra uma média histórica de 31,9mm e outubro, apenas 12,2mm enquanto a média histórica para o mês é de 100,6mm.

Como solução, Pongitor destacou que até o final do ano começara a operar a quarta adultora de água bruta de Itupararanga. “A hora que a gente colocar em carga, dará um reforço”, diz. O aumento da capacidade será de 18%.

Ele ainda lembrou da implantação da Estação de Tratamento de Água do Vitória Régia, que vai captar do rio Sorocaba, previsto para iniciar as operações em 2020, e que também amenizará eventuais crises de abastecimento.

No sábado (2), a autarquia divulgou uma lista onde falava da suspensão da distribuição em mais de 50 bairros da cidade. No domingo também houve interrupção e a situação se repetiu ontem (4).

Indústria têm esquema próprio, afirma o Saae

Durante a coletiva de imprensa no Paço Municipal, o diretor da Saae, questionado pelo Cruzeiro do Sul, afirmou que as indústrias de Sorocaba não estão na lista de prioridades da autarquia nas medidas para enfrentar a falta de água.

“Por que a gente entende que indústria, como um todo, tem condições de suprir suas necessidade de água de outra maneira que não seja a água tratada do Saae.

A água do Saae, hoje, precisa ser direcionada para a população, para os centros de saúde, para as casas detenção penitenciárias e para as escolas”, justifica.

O empresário Lucas Dadalto Cândide, que tem uma empresa no bairro Altos do Itavuvu, está preocupado com a situação. Na segunda-feira (4), ele teve que dispensar três empregados de sua emprensa de usinagem.

Conforme ele, falta água até para lavar as mãos e dar descarga nos banheiros. A residência dele é vizinha da empresa. Ele contou que a situação perdura desde sexta-feira.

O empresário conta que usa água para lubrificação, junto com óleo solúvel. “Não consigo trabalhar, não dá para continuar o processo”, reclama. “Estou tendo prejuízo. E quando você consome mais água, te cobram. E quando não vem, vão cobrar também?”, questiona.

O Saae informa que não haverá desconto. (Com informações de Marcel Scinocca)

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