Investigação
Monitora é afastada após denúncia de criança autista amarrada com fita adesiva em escola de Capão Bonito
Prefeitura abriu sindicância para apurar o caso ocorrido em 27 de outubro; profissional permanecerá afastada, com remuneração, até a conclusão do procedimento
Uma monitora da rede municipal de ensino de Capão Bonito foi afastada de suas funções após a denúncia de que uma criança de 4 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e não verbal, teria sido imobilizada com fita adesiva dentro de uma sala de aula. O caso teria ocorrido no dia 27 de outubro, na Escola Municipal Recanto Maria Lírio Tallarico, e foi registrado pela família na Polícia Civil nesta terça-feira (3).
Segundo o boletim de ocorrência, a mãe da criança relatou que o filho teria sido preso à cadeira com uma fita adesiva transparente e larga, utilizada pela monitora para impedir que ele se movimentasse pela sala. A família afirma que tomou conhecimento do episódio por meio de relatos de outras crianças, repassados aos respectivos responsáveis.
Ainda conforme o registro policial, a criança não apresentava comportamento agressivo no momento do episódio. A mãe também relatou que, após a repercussão do caso, recebeu informações de que a monitora teria justificado a atitude como uma forma de manter o aluno quieto por alguns minutos.
Em nota encaminhada ao Cruzeiro do Sul, a Prefeitura de Capão Bonito informou que a Secretaria Municipal de Educação tomou conhecimento da denúncia somente em 3 de novembro, após receber o boletim de ocorrência. Segundo a administração municipal, a equipe gestora da escola já tinha conhecimento da situação e vinha tratando o caso internamente, na tentativa de encontrar uma solução.
Após receber a denúncia, a Secretaria de Educação enviou uma equipe à unidade escolar e instaurou uma sindicância administrativa para investigar as circunstâncias do episódio e apurar possíveis responsabilidades.
A monitora envolvida foi afastada de suas atividades, mas continuará recebendo sua remuneração até a conclusão do procedimento. De acordo com a Prefeitura, a profissional foi contratada em fevereiro deste ano e já havia trabalhado na rede municipal em anos anteriores. O município ressaltou que o afastamento tem caráter administrativo e não representa aplicação antecipada de penalidade.
A sindicância segue em andamento, e a previsão é de que as pessoas envolvidas sejam ouvidas nos próximos dias. Caso sejam identificadas irregularidades, a Prefeitura afirma que adotará as medidas administrativas cabíveis.
O caso foi registrado na Delegacia de Capão Bonito. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do episódio.