Buscar no Cruzeiro

Buscar

Riscos

Chegada do calor alerta para afogamentos na região

Bombeiros orientam sobre afogamentos após queda no número de mortes; em Sorocaba, banhistas ignoram interdição estabelecida pela Prefeitura no Porto das Águas

06 de Outubro de 2026 às 21:40
Da Redação [email protected]
Homem nadava, nesta semana, no lago do Porto das Águas
Homem nadava, nesta semana, no lago do Porto das Águas (Crédito: Frederico Spindola )

A região de Sorocaba registrou oito mortes por afogamento em 2026, contra 22 ao longo de todo o ano anterior. Embora os números parciais indiquem uma queda, o Corpo de Bombeiros alerta que o cenário é atípico. Ondas de calor fora de época, combinadas com pancadas de chuva e impulsionadas pelo El Niño, têm alterado a dinâmica climática e antecipado a procura por banhos em rios, represas e cachoeiras.

Com o aumento da frequência de pessoas nesses locais, os chamados e incidentes vêm se concentrando em meses como setembro e outubro, período no qual esse tipo de ocorrência costuma ser menos frequente em relação à janela convencional, entre novembro e fevereiro.

O tenente Leonardo dos Santos, porta-voz do 15º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Sorocaba, explica que a maioria das tragédias ocorre em ambientes abertos ao público ou de acesso restrito que não possuem monitoramento de guarda-vidas.

"O que costuma acontecer é que, quando sobem as temperaturas, as pessoas procuram ambientes com água para se banhar. O Corpo de Bombeiros sempre recomenda utilizar ambientes permitidos e monitorados, jamais fazer uso de bebida alcoólica antes ou durante o banho e respeitar as próprias limitações", alertou.

Com base em estudos científicos sobre a resposta a urgências aquáticas, os protocolos de resgate propõem um tempo de até 60 minutos após o afogamento para localizar a vítima com possibilidade de sobrevida e iniciar manobras cardiorrespiratórias.

"A pessoa que liga para o 193 é o olho do bombeiro no local. É essencial passar o máximo de informações e detalhes: se há facilidade de acesso a pé ou por viaturas, se fica longe das vias principais, presença de pedras, correntezas ou cachoeiras, características físicas e vestimentas da vítima, além da geolocalização exata em áreas rurais. Quanto mais detalhes nos derem, mais rápido identificaremos a equipe, os especialistas e os equipamentos necessários", disse Santos.

O tenente lembrou duas ocorrências recentes que ilustram as dificuldades enfrentadas pelas equipes. Na barragem do Votocel, em Votorantim, um adolescente de 17 anos ficou preso por mais de uma hora próximo a uma queda-d'água devido ao nível elevado do rio e à forte correnteza. O jovem só foi resgatado com vida após conseguir se segurar na estrutura de uma ponte nas proximidades, de onde algumas pessoas lhe arremessaram um objeto flutuante até a chegada dos bombeiros.

Outro caso mais recente ocorreu no rio Sorocaba, próximo ao Terminal João Souto, também em Votorantim. Um casal entrou no rio e a mulher conseguiu sair. O homem desapareceu e vem sendo procurado.

Informação de qualidade, na palma da sua mão.
Siga o canal do Jornal Cruzeiro do Sul no WhatsApp.

Porto das Águas

A situação do Parque Porto das Águas, em Sorocaba, também chama atenção. Segundo a Secretaria de Comunicação (Secom), o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) realiza o monitoramento semanal do principal lago do parque e os resultados indicam condições adequadas para banho.

Apesar disso, o espaço está interditado preventivamente desde março, conforme a portaria nº 03/2026, da Secretaria do Meio Ambiente, em razão do alagamento provocado pelas fortes chuvas e pelo transbordamento do rio Sorocaba.

Durante visita da reportagem ao local, porém, a interdição não era respeitada na prática. O acesso permanecia livre e havia banhistas no lago, sem uma barreira física eficiente ou fiscalização capaz de impedir a entrada na água.

O local também carrega o histórico de um adolescente de 13 anos, que morreu afogado em 2 de maio de 2025. Na ocasião, o caso foi investigado pela Polícia Civil e encaminhado à Justiça.

O Ministério Público, por sua vez, apurou uma possível omissão do poder público na adoção de medidas de segurança no parque após a morte. A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo decidiu pelo arquivamento do procedimento, considerando suficientes as providências adotadas pela prefeitura, como a ampliação da presença de salva-vidas, reforço da Guarda Civil Municipal, instalação de novas sinalizações e disponibilização de ambulância aos fins de semana e feriados.

A decisão foi contestada, mas o recurso foi negado por unanimidade pelo Conselho Superior do Ministério Público em julho de 2025. O órgão considerou que não havia evidências de omissão urbanística continuada por parte da prefeitura. O procedimento foi definitivamente arquivado após a Promotoria tomar ciência da decisão. (Frederico Spíndola - programa de estágio)





Galeria

Confira a galeria de fotos