Oportunidades
Marmitas transformam talento culinário em negócio
Empreendedores investem no preparo e na venda de refeições para ampliar a renda ou mudar de carreira
Preparar e vender refeições para aumentar a renda, mudar de carreira ou transformar um talento em negócio são algumas das motivações de quem empreende no ramo da alimentação, especialmente no segmento de marmitas. Segundo o Sebrae-SP, o investimento inicial para ingressar neste mercado pode ser de R$ 3 mil para microempreendedores individuais (MEIs).
Atender às necessidades dos consumidores também pode abrir oportunidades. Foi com essa proposta que Aline Cristine de Oliveira criou o Sabor Saúde, em 2012. Formada em jornalismo e atuante na área de comunicação, ela sentia falta de refeições frescas, com sabor de comida caseira, que pudesse consumir durante a correria do dia a dia, conforme sua disponibilidade de horário.
"Eu pensava sempre: será que ninguém nunca pensou em trabalhar com comida, mas que tivesse gosto de comida, fosse comida mesmo? Porém, que a pessoa pudesse comer na hora que tivesse tempo?", explica.
O negócio começou na casa de Aline, sem investimento inicial. Após aprender a cozinhar em um curso do Sesi, ela passou a vender as refeições no trabalho e a reinvestir todo o dinheiro obtido no projeto. Em 2014, começou a utilizar a casa de uma amiga para preparar os pratos.
Já Everton Vilasboas Vieira cresceu no restaurante do pai. Depois de trabalhar como operador em fábricas e empreender por um ano com uma casa de ração, voltou ao restaurante da família para adquirir experiência. Há dois anos, quando o pai assumiu outro estabelecimento e deixou o anterior aos filhos, Everton passou a participar da gestão. Pouco depois, assumiu integralmente o Gauchinho's Restaurante, que oferece marmitex, almoço executivo e delivery.
Desafios
No início, Aline trabalhava com refeições frescas, mas o desperdício levou à mudança de estratégia após seis meses. "Eu comecei a trabalhar com comida, no primeiro momento comida fresca. Porém, para quem é pequeno, você tem um desperdício muito grande", conta.
Com o passar dos anos, ela investiu em equipamentos e tecnologia para aprimorar a produção. Um dos recursos é o ultracongelador, que atinge temperaturas de até 18 graus Celsius negativos e congela os alimentos em até duas horas. O processo reduz a formação de cristais de gelo e ajuda a preservar a textura das refeições após o descongelamento.
A empreendedora também precisou adaptar a estrutura do negócio. Depois de trabalhar em casa, utilizar o imóvel de uma amiga e alugar outros espaços, adquiriu um prédio próprio, em dezembro de 2025.
"Eu tinha muita insegurança, queria crescer, queria expandir, mas tinha medo de colocar toda uma estrutura e, de repente, pedirem o local. Apareceu a oportunidade e a gente adquiriu esse espaço", explica.
Para Everton, a gestão de pessoas é um dos principais desafios, sobretudo pela dificuldade de encontrar profissionais qualificados. "Em algumas áreas específicas do restaurante, como a de churrasqueiro, é difícil encontrar profissionais hoje. A cozinheira também não é tão fácil de encontrar. O restaurante precisa de uma boa cozinheira, que consiga liderar uma equipe dentro da cozinha", afirma.
Planos
Desde o início, Aline buscou construir um negócio de maior porte, mesmo sem saber exatamente aonde queria chegar. Para ela, a forma de se apresentar ao mercado foi decisiva para o crescimento.
"O grande pulo do gato para mim foi que eu nunca me comuniquei como se fosse pequena. Desde o primeiro dia em que comecei a vender até hoje, sempre me comuniquei como se fosse grande", explica.
Apesar dos planos de expansão, a empreendedora decidiu priorizar a organização interna antes de acelerar o crescimento. "Este ano, a ideia era ter um crescimento um pouco maior, mas resolvemos reorganizar primeiro aqui dentro para investir mais em equipamentos e treinamentos, para que, no ano que vem, a gente possa ir com tudo", afirma.
Atualmente, o Sabor Saúde vende cerca de três mil marmitas congeladas por mês. O cardápio reúne aproximadamente 30 opções de refeições, incluindo alternativas veganas, além de tortas, bolos, mousse de chocolate e sucos detox.
Região Metropolitana
Na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), há aproximadamente 4.634 microempreendedores individuais (MEIs) registrados no ramo de fornecimento de alimentos para consumo em casa.
Sorocaba concentra o maior número, com 2.044 registros, seguida por Itu, com 370; Tatuí, com 308; Votorantim, com 260; Itapetininga, com 251; e Salto, também com 251.
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