Ciência
Alunos do Sesi desenvolvem nanossatélite
O projeto foi premiado em competição latino-americana e agora aguarda condições para ser lançado por balão estratosférico
Estudantes do Sesi Itapetininga desenvolveram um nanossatélite funcional capaz de coletar dados sobre a qualidade do ar e as condições ambientais. O equipamento foi criado por alunos do 3º ano do ensino médio, que também frequentam o curso de Desenvolvimento de Sistemas do Senai. O trabalho foi premiado na Latin American Space Challenge (Lasc), realizada em setembro, em Iacanga, São Paulo.
O projeto começou em 2021 e foi retomado pelos estudantes atuais, que participaram das diferentes etapas de desenvolvimento. A iniciativa surgiu do interesse da escola pelas ciências espaciais e da preocupação com os impactos da poluição atmosférica.
No formato CubeSat, um cubo com cerca de 10 centímetros de lado, o equipamento utiliza sensores para medir a concentração de dióxido de carbono (CO²), umidade, temperatura, pressão e luminosidade. Os dados são captados por um microcontrolador ESP32 e podem ser armazenados em cartão de memória para posterior análise.
Desenvolvimento
Segundo o professor e orientador Rodrigo Raffa, o trabalho faz parte de uma trajetória da escola em atividades relacionadas à astronomia e à engenharia aplicada às ciências espaciais. O Sesi Itapetininga desenvolve projetos de lançamento de foguetes com estudantes desde o Ensino Fundamental.
A partir de um kit educacional, os alunos atuaram em todas as fases de desenvolvimento do nanossatélite, incluindo o planejamento da missão, a definição dos objetivos, a construção e a programação. O equipamento também passou por testes de vibração e de interferências eletromagnéticas para verificar sua resistência e funcionamento.
O nanossatélite conta ainda com um acelerômetro, que identifica alterações em sua posição ou inclinação.
Validação
O projeto participou da 3ª Olimpíada Brasileira de Satélites e passou pelas etapas de desenvolvimento e validação. Após os testes, o equipamento foi considerado apto para a próxima fase.
Para o professor Rodrigo Raffa, o resultado vai além do desenvolvimento do equipamento. "O projeto foi um sucesso do início ao fim. Não apenas pela consolidação de uma nova tecnologia para a escola e para a cidade, mas principalmente pelo conhecimento construído pelos estudantes durante todo o processo", destaca.
Próxima etapa
Com o equipamento validado, o próximo objetivo é realizar o lançamento por meio de um balão estratosférico. Segundo o professor, o trabalho está preparado para essa etapa, mas a operação ainda depende de recursos.
Outra etapa prevista é aprimorar a comunicação entre o satélite e uma estação em solo. Atualmente, os dados podem ser armazenados no próprio equipamento, e o objetivo é permitir que as informações sejam transmitidas por ondas de rádio.
O equipamento foi construído para facilitar o desenvolvimento em ambiente escolar. A carcaça foi produzida por impressão 3D, e o dispositivo utiliza componentes de baixo custo, como o ESP32, empregado nas aulas de robótica da escola.
Os estudantes trabalham no projeto durante o contraturno, no espaço maker da unidade, onde desenvolvem e testam soluções. (Frederico Spíndola - programa de estágio)
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