Vida Silvestre
Câmera registra pela primeira vez novos filhotes de onça monitorada na região; veja o vídeo
Janaína é acompanhada há quatro anos pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres Núcleo da Floresta
Um vídeo publicado nas redes sociais do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) Núcleo da Floresta registrou, pela primeira vez, os dois novos filhotes de Janaína, uma onça acompanhada há quatro anos por um trabalho de monitoramento de fauna silvestre realizado em condomínios. As imagens foram gravadas na região de Sorocaba, mas o local exato não foi divulgado para preservar os animais.
Na gravação, feita durante a noite, Janaína aparece diante de uma câmera e vocaliza. Em seguida, os dois filhotes surgem nas imagens. A cena foi publicada pelo Núcleo da Floresta nas redes sociais como um registro de uma mãe se comunicando e conduzindo os filhotes pela mata.
Segundo Rafael Mana, diretor do Núcleo da Floresta, a equipe acompanha a família desde a primeira ninhada de Janaína, formada por duas filhotes, Oiá e Obá. Os animais foram monitorados durante o desenvolvimento até a dispersão, que ocorre por volta dos dois anos de idade.
Após a saída das filhotes, Janaína permaneceu no local, assim como o macho Oxosse, com quem voltou a se reproduzir. O vídeo divulgado mostra os novos filhotes do casal.
“Eu acompanho a Janaína desde a primeira cria dela”, afirma Mana. Segundo ele, o acompanhamento prolongado permite observar o desenvolvimento dos animais e reunir registros sobre o comportamento da espécie em ambiente urbano.
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Novas gerações
O trabalho realizado pelo Núcleo da Floresta busca acompanhar não apenas a presença dos animais, mas também seus comportamentos, a reprodução e o desenvolvimento das novas gerações.
Na publicação sobre o vídeo, a equipe destaca que os registros permitem observar aspectos do comportamento da espécie e acompanhar a reprodução da família. A primeira aparição dos filhotes diante da câmera, segundo o Cras, representa mais uma etapa desse monitoramento.
De acordo com Mana, a experiência também demonstra a possibilidade de convivência entre pessoas e animais silvestres em áreas urbanas. Ele aponta a preservação das áreas verdes, o monitoramento da fauna e o respeito aos espaços ocupados pelos animais como fatores que contribuem para essa coexistência. “Isso possibilita a coexistência humano-fauna de uma forma harmoniosa”, diz.
O biólogo explica que, no condomínio onde o trabalho é realizado, não é permitida a presença de cães e gatos nas áreas verdes, e os moradores não invadem os espaços utilizados pelos animais. A equipe também acompanha a reprodução da família e busca identificar possíveis conflitos antes que aconteçam.
O diretor informa que o trabalho já resultou na publicação de dois artigos científicos. A experiência também despertou o interesse de uma equipe da BBC de Londres, que acompanha o monitoramento para a produção de um documentário previsto para novembro. Outro documentário sobre a história da família está em produção, segundo Mana.
Para o diretor, o acompanhamento permite compreender melhor o comportamento dos animais e contribuir para a prevenção de conflitos. “A gente consegue monitorar, prever os conflitos antes deles acontecerem”, afirma.