Vida silvestre
Lobo-guará é devolvido à natureza após cinco dias de cuidados
Soltura ocorreu em uma área de mata em São Roque
O lobo-guará Tupã foi devolvido à natureza na manhã de domingo (30), cinco dias após ser resgatado em uma propriedade no bairro do Pavão, em São Roque. O animal passou por exames e permaneceu em observação no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) Núcleo da Floresta.
O resgate ocorreu na última terça-feira, dia 25, após a Guarda Civil Municipal (GCM) e a Secretaria de Meio Ambiente de São Roque acionarem a equipe. Tupã havia aparecido em uma propriedade e entrou em uma construção, onde ficou deitado. No local, foram encontradas fezes com sangue e o animal, que estava fraco.
Segundo o biólogo Rafael Mana, responsável pelo resgate, Tupã passou por uma avaliação física e exames de sangue durante o período de observação. Conforme Mana, o animal apresentava uma leve gastroenterite e, após alguns dias de cuidados, foi considerado apto para retornar à natureza.
Adulto, com aproximadamente oito anos e 29 quilos, Tupã também chamou a atenção pelo tamanho. De acordo com Rafael, fazia mais de dez anos que não havia registro de lobo-guará em São Roque. O biólogo acredita que o animal tenha chegado ao município pela linha férrea que passa em frente à propriedade e que possa ter se deslocado de outra área em razão de alguma queimada.
A soltura ocorreu em uma área de mata dentro do próprio município. O local não foi divulgado para preservar a segurança do animal e garantir a tranquilidade durante o processo de readaptação.
Em uma publicação nas redes sociais após a soltura, Rafael destacou o trabalho realizado desde o resgate até a devolução do animal. Segundo ele, o processo envolveu cuidados veterinários, acompanhamento técnico, estudo da área de soltura e a participação de diferentes setores.
“O Tupã não é somente o maior e mais bonito lobo-guará que eu já trabalhei. Ele representa um ciclo completo: um resgate preciso e responsável, cuidados veterinários completos, acompanhamento técnico de excelência 24hrs, estudo de área de soltura, envolvimento da comunidade, envolvimento das forças políticas e de segurança, envolvimento da mídia local, estadual, nacional e internacional, e uma soltura cinematográfica”, escreveu.
Ainda segundo Rafael, a soltura reúne sentimentos diferentes para a equipe, desde o trabalho realizado durante o resgate e o período de cuidados até a devolução do animal.
“Carregando aquele misto de sentimentos de dever cumprido, saudade, vontade de acompanhar aquela nova vida, o medo de algo fugir do controle e a consciência de que a natureza deve seguir seu curso”, finalizou.