Extorsão
Policiais e advogado são denunciadospelo MP por extorsão
Segundo o Ministério Público, mulher teria sido presa ilegalmente para que policiais extorquissem o namorado; advogado também foi denunciado por supostamente ajudar a dar aparência legal à cobrança
Três policiais civis de Itu foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suspeita de extorsão e abuso de autoridade após abordagem de um casal de namorados. Um policial militar e um advogado também são acusados de envolvimento no caso. Segundo a denúncia, os policiais teriam exigido R$ 250 mil do namorado de uma mulher que foi presa ilegalmente, sendo R$ 50 mil cobrados como pagamento inicial para a libertação dela.
O processo tramita sob segredo de Justiça na Comarca de Indaiatuba. O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que, por causa do sigilo, as informações e documentos dos autos são de acesso restrito às partes envolvidas e aos advogados constituídos.
Já o Ministério Público afirmou ter recebido "com grande surpresa" a informação de que o conteúdo do processo foi vazado para a imprensa e amplamente divulgado nas redes sociais. O órgão também informou que pediu a apuração do vazamento.
De acordo com o MP-SP, o caso envolve crimes de extorsão e abuso de autoridade. Conforme a denúncia, três policiais civis, acompanhados de um policial militar, abordaram um casal e prenderam ilegalmente a mulher, que não teria cometido nenhum crime. A prisão teria sido utilizada como forma de pressionar o namorado dela e seus familiares a pagar o dinheiro exigido.
Segundo o MP, o casal foi levado até a residência do rapaz, onde foram realizadas buscas. Enquanto a mulher permanecia algemada e no compartimento de presos de uma viatura, os policiais também teriam realizado buscas no apartamento dela.
Após as diligências, o casal foi levado à Delegacia de Polícia de Itu. Ainda segundo a denúncia, um advogado compareceu no local e também teria participado dos fatos. O Ministério Público afirma que os policiais passaram a exigir R$ 250 mil do rapaz e de seus familiares, com a exigência de um pagamento inicial de R$ 50 mil como condição para a libertação da jovem.
A denúncia sustenta que, para conferir aparência de legalidade à cobrança, o advogado teria utilizado um computador existente na delegacia para redigir um contrato de honorários advocatícios que simulasse a origem lícita dos valores exigidos.
Após negociações e a promessa de pagamento, a mulher foi libertada. Segundo o Ministério Público, porém, a exigência dos valores teria permanecido para que a situação do rapaz fosse abrandada pelos policiais.
O processo também envolve um policial militar. Por causa da natureza do cargo, a apuração relacionada a ele tramita na Justiça Militar.
Defesas
A defesa do policial civil Cirineu Yasuda Alves de Lima, feita pelo advogado Lucas Del Campo, afirmou que o policial comprovará sua inocência durante a instrução processual, quando deverão ser assegurados o contraditório e a ampla defesa. O advogado também classificou como inconsistente a investigação preliminar.
A defesa do advogado Anderson Antônio Caetano, representada pelo advogado Nilson Almeida, afirmou que a denúncia é "totalmente fantasiosa e caluniosa" e estaria baseada em uma "manipulação severa de provas inexistentes". Segundo a defesa, o exercício do contraditório e da ampla defesa demonstrará a inocência do cliente.
A defesa do policial civil Cristian Antunes de Calvilho declarou que ele se considera inocente e que a defesa pretende provar isso durante o processo.
O Cruzeiro do Sul tentou contato com a defesa do policial civil Francisco Diogo Neto, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto. (Da Redação)