Corredor viário
Rodovia João Leme dos Santos deve ter investimentos só após 2030
Motoristas e moradores apontam falta de iluminação, sinalização precária, retornos perigosos e congestionamentos
A Rodovia João Leme dos Santos passa pelas áreas urbanas de Votorantim e Sorocaba e é a principal via de ligação com o município de Salto de Pirapora. A região tem sido alvo de diversos empreendimentos imobiliários nos últimos anos e concentra inúmeros condomínios residenciais, além de restaurantes e empresas.
Apesar do crescimento acelerado do fluxo de veículos e da importância estratégica da rodovia, as soluções definitivas para a infraestrutura local ainda estão distantes. A concessionária CCR Sorocabana informou que os investimentos previstos para a região deverão ocorrer apenas a partir de 2030.
Nos trechos das rodovias João Leme dos Santos e Francisco José Ayub, estão previstas obras que incluem cerca de 4,16 quilômetros de duplicação, entre os quilômetros 119,295 e 123,460, além da implantação de 7,87 quilômetros de pistas marginais. O projeto também contempla a demolição e reconstrução de uma passarela existente e a construção de outras seis estruturas para travessia de pedestres.
Enquanto as melhorias não saem do papel, o trecho continua sendo alvo de constantes reclamações por parte dos motoristas. Um dos pontos mais criticados é o retorno de acesso ao condomínio Villa Flora, considerado perigoso por quem utiliza a via diariamente. "Tem pouca sinalização e nenhuma iluminação. À noite, é extremamente difícil fazer a conversão para entrar no condomínio", conta um motorista que preferiu não se identificar.
Outra reclamação recorrente é o trânsito intenso, especialmente no período da manhã. O grande fluxo de caminhões, somado aos acessos pela alça que leva à Rodovia Raposo Tavares e à entrada da avenida Doutor Armando Pannunzio, contribui para a formação de congestionamentos e, em alguns momentos, chega a provocar a paralisação do tráfego.
O caminhoneiro Marcelo de Arruda, 54 anos, afirma que o trecho reúne características típicas de uma rodovia, mas está inserido em uma área urbana, o que aumenta os riscos para motoristas e pedestres. "Tem muitas lombadas e a gente precisa redobrar a atenção com os veículos que entram pelos retornos. É tudo muito perigoso aqui", relata.
Moradores da região, que também preferiram não se identificar, reclamam dos retornos existentes ao longo da via e da ausência de acostamentos. Segundo eles, a situação se agrava durante a noite devido à falta de iluminação adequada.
As lombadas instaladas na estrada também são motivo de preocupação. "Essas lombadas são muito altas e mal sinalizadas. Muitos motoristas não respeitam a redução de velocidade, passam rapidamente por elas e, logo em seguida, encontram retornos que também têm sinalização precária", afirma um morador da região que igualmente não quis se identificar.
Prefeitura de olho
Em nota, a Prefeitura de Sorocaba informou que, embora a rodovia seja de responsabilidade da CCR Sorocabana, acompanha de forma permanente as intervenções realizadas nas rodovias estaduais para minimizar impactos sobre o sistema viário urbano. O município também destacou que atua em conjunto com a concessionária e participou, em abril, de um exercício simulado de acidente na região.
A administração municipal também divulgou informações sobre outro projeto viário considerado importante para a zona oeste da cidade. Trata-se da continuação da Rodovia Emerenciano Prestes de Barros (SP-97) até a Rodovia Raposo Tavares, obra conhecida como "Contorno Oeste".
Segundo a prefeitura, a intervenção é de responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo e está sendo conduzida pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A nova ligação oferecerá uma rota alternativa com potencial para reduzir o impacto no trecho urbano da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), entre o quilômetro 106 e a conexão com a Rodovia Celso Charuri.