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Atenção

Defesa Civil monitora locais atingidos por cheia em Salto

Trecho da rua 24 de outubro permanece interditado; Já o Complexo Turístico da Cachoeira está funcionando parcialmente

25 de Junho de 2026 às 13:22
Da Redação [email protected]
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Vazão máxima do Rio Tietê atingiu 755 m³/s às 6h desta quinta-feira (25) (Crédito: Divulgação/ Defesa Civil de Salto)

A Defesa Civil de Salto continua monitorando os locais atingidos pela cheia no município após as fortes chuvas registradas nos últimos dias e o aumento da vazão dos rios Tietê e Jundiaí.

O chamado "Campo da Avenida", localizado na rua 24 de Outubro, permanece interditado nesta quinta-feira (25). As ruas Jordânia, Campos Sales, Dr. Henrique Viscardi e Castro Alves estão sob estado de atenção.

O Complexo Turístico da Cachoeira está funcionando parcialmente. Estão liberados para visitação a Ilha dos Amores e o Espaço do Artesão. Já a Ponte Pênsil e o Caminho das Esculturas permanecem temporariamente fechados por segurança.

De acordo com dados da Defesa Civil do Estado, a vazão máxima do Rio Tietê atingiu 755 m³/s às 6h desta quinta-feira (25). No entanto, segundo a Prefeitura de Salto, o último boletim, emitido às 7h, registrou redução no volume, com vazão de 734 m³/s.

A Defesa Civil do município reforça a importância de respeitar as sinalizações e os locais isolados com fitas zebradas, evitando áreas de risco. Em caso de emergência, a população deve entrar em contato pelo telefone 199, durante o horário comercial, ou pelo 153, após as 17h.

Rio Tietê não tem trecho livre de contaminação

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (25) revelou que o rio Tietê não tem nenhum trecho plenamente livre de contaminação. Os dados foram levantados durante a Expedição Tietê 2025, realizada entre 9 e 14 de junho de 2025, pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com universidades e centros de pesquisa. 

Ao todo, foram analisados 14 pontos, da nascente, em Salesópolis, à foz no rio Paraná, em Itapura. Ao longo de mais de 1.100 quilômetros, a equipe identificou a presença de microplásticos em todas as amostras, além de 25 tipos distintos de agrotóxicos e 16 substâncias farmacológicas, além de drogas ilícitas na água.

A principal conclusão do diagnóstico é que o rio enfrenta pressões simultâneas de contaminação microbiológica, química, farmacológica, plástica, agrícola e orgânica. Esse quadro varia ao longo do percurso e reflete diretamente os impactos da urbanização acelerada, do saneamento básico insuficiente e do uso agrícola do solo.

"O rio reflete as marcas do esgoto, dos padrões de consumo cotidiano, dos resíduos plásticos e das atividades agrícolas", explica Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica. "Quando encontramos microplásticos em todos os pontos e substâncias como fármacos na água, não estamos olhando para problemas separados, mas para um conjunto de pressões cumulativas. A recuperação do Tietê exige uma abordagem integrada que combine ampliação do saneamento, fiscalização efetiva e planejamento territorial."

Microplásticos, medicamentos e agrotóxicos

A pesquisa detalha os contaminantes que comprometem a qualidade da bacia:

  • Microplásticos: Presentes em todo o corpo hídrico, com concentrações que variam de 330 a 23.587 partículas por metro cúbico. Os maiores picos foram registrados em trechos urbanos, como Osasco, e no reservatório de Promissão, no interior paulista. As barragens funcionam como zonas de retenção, acumulando de 10 a 17 vezes mais partículas do que os trechos de correnteza rápida.
  • Fármacos e drogas ilícitas: Foram identificadas 16 substâncias, incluindo cocaína e seu metabólito (benzoilecgonina), além de medicamentos como carbamazepina, diclofenaco e losartana. A cafeína foi detectada em todos os pontos, consolidando-se como o principal marcador químico de poluição por esgoto doméstico.
  • Agrotóxicos e Metais: Dos 46 compostos investigados, 25 tipos de defensivos agrícolas foram encontrados, majoritariamente nos trechos do Médio e Baixo Tietê, regiões com forte influência do cultivo de cana-de-açúcar, soja e citros. Além disso, as análises físico-químicas apontaram níveis de cobre acima dos limites legais em todos os pontos, além de excesso de alumínio em vários trechos.

Retrato bioquímico da sociedade

Ainda de acordo com o estudo, os poluentes encontrados funcionam como um indicador indireto das condições sanitárias e do modelo de ocupação do estado de São Paulo. Os dados microbiológicos registraram uma alta concentração de bactérias fecais, patógenos e parasitas associados a doenças gastrointestinais.

Até mesmo nas amostras coletadas próximo à nascente do rio, alguns indicadores de qualidade ficaram acima dos limites determinados pela legislação para corpos d'água limpos, chegando, em casos específicos, a superar em até 40 vezes o teto permitido por lei.

“O Tietê não pode ser entendido apenas a partir daquilo que é visível, como cor, odor, espuma ou lixo. A expedição mostra uma camada menos evidente da poluição, formada por contaminantes que expõem as condições sanitárias, os hábitos de consumo e a forma como ocupamos a bacia. Esses dados são essenciais para orientar políticas públicas e cobrar ações concretas de recuperação do rio”, afirma Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica. (Frederico Spindola - Programa de estágio)

 

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