Escola
Mais uma criança com TEA foge de escola municipal em Araçoiaba da Serra
Caso ocorreu na última quarta-feira (27); Polícia Civil investiga o episódio e prefeitura ainda não explicou medidas adotadas na unidade escolar
Mais um caso de fuga de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) da Escola Municipal Maria Sílvia Florenzano, em Araçoiaba da Serra, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), foi registrado na última quarta-feira, 27 de maio. Em dois meses, esta é a segunda ocorrência envolvendo alunos que teriam saído da unidade escolar pelo mesmo alambrado.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pela Delegacia de Araçoiaba da Serra. As investigações estão em andamento para esclarecer as circunstâncias do ocorrido. Outros detalhes não foram divulgados por envolverem menor de idade.
De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, a ocorrência registrada está sendo apurada administrativamente e as imagens das câmeras de segurança, os registros internos e outros elementos relacionados ao caso estão sendo analisados.
A administração municipal também foi questionada sobre o motivo de o alambrado apontado nos casos ainda não ter sido reparado, se as crianças com necessidades especiais contam com auxiliares exclusivos e quais medidas foram adotadas pela escola após os episódios. Até o momento, não houve resposta.
Os pais da criança envolvida no caso mais recente não foram localizados. O espaço apontado como rota de saída segue aberto.
Relembre o caso
O primeiro episódio envolvendo uma aluna com TEA da mesma escola ocorreu em 23 de março. Segundo a mãe da criança, Jéssica Letícia, a menina, de 7 anos, saiu da unidade escolar sem autorização e a família só recebeu um comunicado oficial da direção dois dias depois.
De acordo com o relato da mãe, a criança chegou em casa sem a calcinha e sem as meias. As peças teriam sido encontradas molhadas dentro de uma sacola colocada na mochila da estudante, sem qualquer explicação da escola.
A família afirma ainda que recebeu versões diferentes sobre o ocorrido. Em um primeiro momento, teria sido informada de que a menina ficou trancada em um banheiro e tomou banho. Depois, a direção informou que a criança teria saído da escola por um alambrado aberto.
O perito judicial Alan Oliveira, que denunciou o caso ao Ministério Público (MP), afirmou que a estudante precisava de acompanhamento especializado devido ao autismo e que já existia uma decisão judicial determinando um profissional exclusivo para acompanhá-la durante o período escolar.
Após o caso, o juiz da Vara da Fazenda Pública de Sorocaba, Alexandre de Mello Guerra, determinou que a Prefeitura de Araçoiaba da Serra preservasse e apresentasse as imagens das câmeras de segurança da escola registradas no dia do episódio.
Na decisão, o magistrado destacou que as gravações seriam fundamentais para esclarecer os fatos. O juiz também determinou que a escola adotasse medidas para evitar novos casos semelhantes.
Em nota divulgada anteriormente, a Secretaria Municipal de Educação informou que abriu uma sindicância administrativa para apurar o caso e afirmou que a investigação concluiu que a estudante permaneceu acompanhada por profissionais da unidade durante todo o período, sem situação de abandono ou desassistência.
A secretaria também declarou que as medidas adotadas tiveram como prioridade a segurança e a integridade da criança e informou que a escola possui cercamento interno e externo.
Mesmo após o primeiro episódio, a mãe da aluna denunciou que o alambrado utilizado na fuga continuava sem reparos.