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Investigação

Mairinque é um dos alvos de operação que apura ligação criminosa com setor público

Investigação aponta tentativa de acesso a recursos municipais

27 de Abril de 2026 às 12:38
Da Redação [email protected]
o todo, seis pessoas foram presas e 22 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversas cidades de SP, além de municípios de outros estados e do Distrito Federal.
o todo, seis pessoas foram presas e 22 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversas cidades de SP, além de municípios de outros estados e do Distrito Federal. (Crédito: Divulgação/SSP)

Uma operação conduzida pela Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (27), contra a atuação do crime organizado em administrações públicas, cumpriu diligências em várias cidades paulistas. Mairinque, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), foi uma delas.

As investigações apontam que o grupo criminoso atuava não apenas no tráfico de drogas, mas também na criação de um sistema estruturado para lavagem de dinheiro, utilizando mecanismos sofisticados de movimentação financeira. Entre as estratégias identificadas, está a tentativa de infiltração em administrações municipais, com o objetivo de acessar recursos públicos e ampliar a atuação da organização. Segundo a polícia, o grupo buscava inclusive influenciar processos eleitorais, com apoio a candidaturas alinhadas aos seus interesses.

A ação, denominada “Operação Contaminatio”, é conduzida pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes e tem como objetivo desarticular um esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao todo, seis pessoas foram presas e 22 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversas cidades de SP, além de municípios de outros estados e do Distrito Federal.

Fintech e emissão de boletos

Outro ponto relevante da investigação foi a identificação de uma estrutura financeira, semelhante a uma fintech, criada para operar serviços como emissão de boletos e gestão de receitas municipais, o que permitiria inserir valores ilícitos no sistema financeiro formal.

De acordo com a apuração, ao menos seis pessoas com ligação ao meio político foram identificadas, algumas ocupando cargos em administrações municipais em diferentes regiões do estado. Apesar disso, nenhum dos investigados possui foro privilegiado ou mandato eletivo. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos dos investigados, como forma de interromper o fluxo financeiro do grupo.

A operação é um desdobramento da “Operação Decurio”, realizada em 2024, quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos que revelaram a estrutura criminosa e possibilitaram o avanço das investigações.

Segundo o delegado Fabrício Intelizano, responsável pela investigação, a organização buscava não apenas lucrar com atividades ilícitas, mas também se inserir em estruturas públicas para dar aparência de legalidade aos recursos.

As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações do esquema.

O que diz a Prefeitura

Até o presente momento, o Executivo de Mairinque não recebeu qualquer intimação, notificação oficial ou comunicação formal por parte das autoridades competentes acerca de eventual envolvimento de agentes públicos locais nos fatos investigados. "Cabe registar que as apurações noticiadas referem-se, conforme amplamente divulgado, a fatos anteriores a essa administração, e ainda mencionam outras cidades, não guardando relação direta com a atual gestão municipal", diz a assessoria.

A prefeitura afirmou que está "integralmente à disposição das autoridades para colaborar com quaisquer investigações, caso venha a ser formalmente demandada." (Da Redação)

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