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Falta Repasse

Médicos da UPA Central de Votorantim reduzem atendimentos por atraso salarial

Na unidade, pacientes relatam reflexos diretos da redução no ritmo de atendimentos, com aumento no tempo de espera.

17 de Março de 2026 às 12:03
Caroline Mendes [email protected]
Na unidade, pacientes relatam reflexos diretos da redução no ritmo de atendimentos, com aumento no tempo de esper
Na unidade, pacientes relatam reflexos diretos da redução no ritmo de atendimentos, com aumento no tempo de esper (Crédito: Reinaldo Santos)

Médicos que atuam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central de Votorantim adotaram nos últimos dias uma redução no ritmo de atendimentos, conhecida como operação “tartaruga”, em meio a atrasos no pagamento de salários. Segundo relatos de profissionais, os repasses estariam pendentes há quase dois meses.

De acordo com a diretoria do Instituto Moriah, responsável pela gestão da unidade, todos os médicos seguem cumprindo suas escalas normalmente, sem registro de ausências. No entanto, o atendimento foi limitado a uma média de quatro pacientes por hora por equipe médica. A medida, segundo a entidade, ocorre enquanto os profissionais aguardam a regularização dos pagamentos.

Ainda conforme a diretoria, até o momento não houve repasse de recursos por parte do município. “Infelizmente estamos nessa situação. A equipe está completa, mas operando nesse sistema. E até agora não foi feito o repasse”, afirmou a gestão.

O Sindicato dos Médicos de Sorocaba informou que acompanha o caso e manifestou preocupação com o atraso salarial. Em nota, a entidade ressaltou que os profissionais vêm cumprindo regularmente suas escalas e que é fundamental que os direitos sejam respeitados, com a regularização dos pagamentos “com urgência”.

O sindicato também esclareceu que, neste momento, não orienta paralisações, greve ou qualquer forma de redução do ritmo de trabalho por parte dos médicos, e defendeu a continuidade da assistência à população enquanto a situação é resolvida.

Na unidade, pacientes relatam reflexos diretos da redução no ritmo de atendimentos, com aumento no tempo de espera. A atendente Ellen Caroline afirmou que procurou atendimento devido a dores de cabeça e crise de ansiedade e relatou demora superior ao habitual. “Está demorando de duas a três horas. É uma situação precária, quem sofre é o público”, disse.

A técnica de enfermagem Edna Maria Carvalho também relatou espera prolongada e avaliou negativamente o cenário. “Está horrível, podia ser melhor”, afirmou.

Já a vendedora Adriana Paula Rubinato criticou a situação e questionou a falta de recursos. “É uma vergonha. A gente paga imposto e não tem atendimento adequado. Dizem que não tem dinheiro para pagar os médicos. Para onde foi esse dinheiro?”, declarou.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Votorantim foi questionada sobre o atraso nos repasses, a previsão de regularização dos pagamentos e eventuais medidas para normalizar o atendimento na unidade. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.