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Débitos

Prefeito de Salto anuncia parcelamento de dívida com concessionária de limpeza

Débitos referem-se a setembro a dezembro de 2024; moradores relatam mato alto em bairros, enquanto empresa afirma manter serviços

16 de Fevereiro de 2026 às 20:59
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Praça Zumbi dos Palmares, na rua 24 de Outubro, também é alvo de queixas sobre mato alto e falta de manutenção
Praça Zumbi dos Palmares, na rua 24 de Outubro, também é alvo de queixas sobre mato alto e falta de manutenção (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)


A Prefeitura de Salto acumula débitos referentes aos meses de setembro a dezembro de 2024 com a concessionária responsável pela limpeza urbana, a CSO Ambiental, afirmou o prefeito Geraldo Garcia (PP) na abertura do ano legislativo de 2026.

Durante a sessão, o chefe do Executivo apresentou aos vereadores um balanço das ações executadas em 2025 e os principais projetos previstos para este ano. Segundo ele, os valores em aberto correspondem aos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2024. Para regularizar a situação, a prefeitura deverá encaminhar à Câmara um projeto de lei solicitando autorização para parcelar o montante devido.

“Eu tenho uma única dívida que está me atormentando: a da CSO. Não conseguimos pagar setembro, outubro, novembro e dezembro (de 2024). Com muito esforço estamos achando encaminhamentos para pagar o ano passado. Mas vai ser uma outra ação conjunta Executivo-Legislativo para tentar pagar essa dívida de forma parcelada. É uma forma que estou achando para encaminhar esse assunto dessa dívida que me incomoda”, declarou o prefeito durante a sessão.

Embora o Executivo não tenha detalhado o montante total, a fala evidencia a preocupação da administração em resolver pendências financeiras herdadas do exercício anterior. A proposta de parcelamento ainda deverá ser protocolada e analisada pelos vereadores.

Reclamações nos bairros

Além da dívida com a CSO — que, segundo o prefeito, envolve os meses de setembro a dezembro de 2024 e deverá ser parcelada mediante projeto de lei —, moradores relatam que os problemas na limpeza urbana têm se espalhado por diferentes regiões da cidade.

No Centro, a Praça do Skate estaria tomada pelo mato alto, com bancos quase encobertos pela vegetação. O espaço abriga pista de skate, parque infantil e academia ao ar livre, equipamentos utilizados diariamente por crianças, jovens e idosos. A situação também se repete na praça Zumbi dos Palmares, localizada na rua 24 de Outubro, onde há relatos de mato alto e falta de manutenção.

Um morador do bairro Vila Flora descreveu o cenário como generalizado. “Bem-vindo a essa cidade onde a gente tem uma floresta dentro da área urbana”, afirmou. Segundo ele, na rua onde mora, que é de paralelepípedo, o mato cresce inclusive no meio da via. “Está bem largada, de modo geral, a cidade”, declarou.

No bairro Salto de São José, um morador afirma que a frequência da limpeza diminuiu desde o início da atual gestão. Segundo ele, as solicitações feitas por meio da ouvidoria municipal têm prazo estimado de 30 dias, mas muitas vezes o atendimento ocorre apenas após 60 dias.

“Você faz uma solicitação de limpeza de praça ou área de lazer e, muitas vezes, o prazo dobra. A gente precisa cobrar. As calçadas não estão sendo limpas como antes”, relatou.

Ele também questiona o planejamento do serviço, destacando que a limpeza urbana é uma atividade contínua e previsível. Para o morador, quando há necessidade de contratações emergenciais em serviços permanentes, é natural que surjam questionamentos sobre organização e economicidade.

No bairro Maria José, as queixas são semelhantes. Moradoras afirmam que o mato tem avançado sobre calçadas e permanecido alto por meses. “O mato chega a subir nas calçadas e não adianta ligar, porque dizem que vão averiguar e demoram meses para limpar”, disse uma moradora.

Outra relatou preocupação com a presença de insetos e possíveis impactos na saúde pública. Segundo moradores, agentes que passaram pelo bairro em ação de combate à dengue mencionaram aumento de casos na região. Parte dos residentes reconhece que há descarte irregular de entulho próximo a contêineres, mas aponta o crescimento da vegetação sem manutenção como fator que agrava a situação.

Posicionamento da CSO

A CSO Ambiental informou que não houve redução ou alteração na rotina dos serviços de limpeza. Segundo a empresa, desde o início de 2026 há equipes extras e novos equipamentos atuando na manutenção das áreas verdes do município.

A concessionária destacou que o período de chuvas pode impactar pontualmente a execução das atividades, tanto pelas condições climáticas que impedem a operação quanto pelo crescimento mais acelerado da vegetação em épocas de maior umidade e temperatura.

Em relação à dívida mencionada pelo prefeito, a empresa afirmou que os valores em aberto não impactaram sua capacidade operacional. Segundo a CSO, a operação foi mantida normalmente, inclusive em períodos anteriores de atraso nos repasses, e os valores pendentes seguem sendo tratados administrativamente junto à municipalidade.

Sobre as reclamações de demora, a empresa declarou que cumpre integralmente as obrigações contratuais e que as demandas são executadas conforme cronograma técnico validado pela secretaria responsável, com priorização baseada em critérios operacionais e de saúde pública.

A CSO também informou que mantém a “Linha da Limpeza”, pelo telefone 0800 940 3203, além de canal online para registro de solicitações.

Nota da Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Salto informou que, ao assumir o mandato em janeiro de 2025, a atual gestão constatou a existência de déficit financeiro e orçamentário que, somados, chegavam a aproximadamente R$ 130 milhões, deixados pela administração anterior.

Além da CSO, outras empresas também estavam sem receber, havendo registros de protestos por parte da CPFL por falta de pagamento das faturas de energia elétrica de prédios públicos. Diante desse cenário, a prefeitura iniciou um processo de gestão e negociação com os credores, tendo regularizado quase a totalidade desses débitos ao longo do período.

No que se refere à CSO, esclareceu que os pagamentos estão sendo realizados e que há tratativas, desde o início da gestão, para a resolução da dívida existente, que está em fase final de negociação. Por essa razão, neste momento não é possível apresentar informações conclusivas sobre valores.

A prefeitura também ressaltou que a situação não compromete a continuidade nem a qualidade dos serviços prestados. Segundo a administração, a atual gestão mantém parceria com a empresa, o que tem possibilitado a manutenção dos serviços e a implantação de melhorias no município.

Por fim, informou que o crescimento do mato observado em alguns pontos da cidade decorre de fator sazonal, típico do período de chuvas e altas temperaturas. Em relação à dengue, a prefeitura afirmou que mantém ações permanentes de prevenção e combate, com vistorias domiciliares, orientação à população, vacinação na faixa etária recomendada e demais medidas necessárias para o controle da doença. (Caroline Mendes)