Buscar no Cruzeiro

Buscar

Turismo

RMS tem potencial turístico, mas entraves técnicos e falta de dados dificultam avanço do setor

Estado reconhece gargalos; a proposta é investir em capacitação e valorizar a integração regional

28 de Janeiro de 2026 às 18:23
Caroline Mendes [email protected]
Evento reuniu representantes das prefeituras da região e representantes do governo estadual, como o secretário da pasta, Roberto de Lucena
Evento reuniu representantes das prefeituras da região e representantes do governo estadual, como o secretário da pasta, Roberto de Lucena (Crédito: Fábio Rogério )

Apesar de concentrar vocações para o turismo histórico, rural, gastronômico e de eventos, a Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) ainda enfrenta dificuldades para transformar esse potencial em desenvolvimento econômico. Entraves técnicos, equipes reduzidas nos setores de turismo das prefeituras e ausência de dados regionais consolidados sobre fluxo de turistas e impacto financeiro seguem como desafios para os municípios, segundo avaliação de representantes da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP).

As questões foram discutidas, ontem (28), durante encontro promovido pela Associação das Prefeituras de Municípios de Interesse Turístico do Estado de São Paulo (Amitesp), em Cesário Lange. Estavam presentes prefeitos e secretários municipais, além dos representantes do governo estadual para debater políticas públicas e planejamento do setor.

De acordo com o turismólogo e assessor da Setur-SP, Vanilson Flickert, parte das dificuldades está relacionada à troca recente de gestores municipais. “Muitos ainda estão entendendo como funciona a política estadual de turismo, que é antiga, regrada por lei e exige planejamento. O recurso não pode ser visto apenas como obra, mas como indutor de desenvolvimento econômico”, afirmou.

Ele também destacou que a burocracia nos processos está ligada às exigências legais e à limitação das equipes técnicas municipais. Projetos precisam passar pelos conselhos municipais de turismo e estar alinhados aos planos diretores, o que pode atrasar a liberação de recursos. “Quando o projeto não vem pronto, ele retorna para ajustes, e isso prolonga o trâmite”, explicou.

Segundo a Setur-SP, a RMS reúne atrativos históricos ligados ao tropeirismo, à antiga Feira de Sorocaba e à Real Fábrica de Ferro de Ipanema, além de áreas naturais e cidades com vocação para o turismo de eventos e negócios. Apesar disso, o Estado não dispõe de indicadores específicos sobre o desempenho do turismo na região.

Dados 2025

Os dados mais recentes são estaduais. Em 2025, São Paulo recebeu 51 milhões de turistas, sendo 3 milhões de estrangeiros, o equivalente a 30% do total de visitantes internacionais no país. O turismo representa 10% do PIB paulista, estimado em R$ 340 bilhões, conforme informações apresentadas pelo secretário estadual de Turismo, Roberto de Lucena.

Lucena afirmou que, nos últimos três anos, o Estado destinou cerca de R$ 800 milhões em repasses aos municípios turísticos e garantiu aproximadamente R$ 3 bilhões em crédito qualificado para projetos do setor. Um novo anúncio de recursos está previsto para 2026.

Ainda assim, o secretário reconheceu a desigualdade entre municípios mais estruturados e aqueles com menor capacidade técnica, cenário comum na RMS. Para enfrentar o problema, a Setur-SP aposta em programas de capacitação, como a Academia do Turismo, e na integração regional para fortalecer rotas e produtos turísticos. “Nesses três anos, o Sabor de São Paulo é o maior programa de apoio à gastronomia do nosso Estado, permitindo que nós avancemos em São Paulo em todos os sentidos, na gastronomia, reconhecimento nacional, reconhecimento internacional. Além do lançamento de rotas como a do café, do queijo, da cachaça, do vinho, e tem outras rotas preparadas para este ano”, pontuou.

Galeria

Confira a galeria de fotos