Imunização
Campanha de vacinação contra o HPV é prorrogada pelo Ministério da Saúde
Ação busca imunizar jovens de 15 a 19 anos que não receberam a vacina
O Ministério da Saúde prorrogou até o primeiro semestre de 2026 a estratégia de resgate vacinal contra o papilomavírus humano (HPV). A medida tem como objetivo atualizar a carteira de vacinação de jovens de 15 a 19 anos que não receberam o imunizante. A vacina protege contra o HPV, vírus associado a diversos tipos de câncer, como os de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta, além de outras doenças.
Em Sorocaba, foram aplicadas 743 doses da vacina contra o HPV em jovens de 15 a 19 anos ao longo do ano passado. Em 2025, a imunização desse público será realizada em 33 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município. Já entre crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, a cobertura vacinal registrada em 2025 foi de 68,7% entre meninas e 56,4% entre meninos. Os dados de 2026 ainda estão em consolidação.
Em Votorantim, a Secretaria Municipal de Saúde informou que irá ampliar o período de execução da estratégia de resgate vacinal para pessoas de 15 a 19 anos não vacinadas contra o HPV. A vigência da campanha foi estendida até o fim de junho, conforme orientação do Ministério da Saúde.
A vacina é aplicada gratuitamente nas UBSs do município. Além do atendimento nas unidades de saúde, ações de vacinação em escolas também foram realizadas no ano passado. O trabalho terá continuidade em 2026, com a meta de ampliar a cobertura e alcançar um número maior de adolescentes. Para se vacinar, é necessário apresentar documento de identificação e a carteira de vacinação, garantindo o registro correto das doses.
Segundo dados da Secretaria de Saúde, Votorantim registrou crescimento de aproximadamente 73% no número de pessoas vacinadas contra o HPV ao comparar os anos de 2024 e 2025 entre jovens de 15 a 19 anos. Em 2025, foram aplicadas 97 doses da vacina, frente a 56 no ano anterior.
Os índices de cobertura vacinal também avançaram entre adolescentes mais jovens no município. Em 2025, 95,18% das meninas de 14 anos receberam a dose da vacina contra o HPV. Entre as jovens de 13 anos, a taxa de imunização foi de 87,39%.
Em Itu, a vacinação contra o HPV é realizada de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. As UBSs 02, no Jardim União, e 05, no Rancho Grande, contam com horário estendido, das 8h às 18h.
Em Salto de Pirapora, a vacina está disponível em todas as Unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF), das 9h às 16h. Para receber a dose, é necessário apresentar a carteira de vacinação e documentos pessoais. Menores de 18 anos devem estar acompanhados por um responsável legal.
Em Salto, o imunizante é oferecido em todas as UBSs, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. É obrigatória a apresentação da carteira de vacinação e do CPF.
Sobre o HPV
De acordo com o Ministério da Saúde, o HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo e pode afetar a pele e as mucosas. Existem mais de 200 tipos do vírus, alguns causadores de verrugas genitais e outros associados a tumores malignos, como os cânceres do colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta. A vacinação, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a forma mais eficaz de prevenção, aliada ao uso de preservativos, que ajudam a reduzir o risco de contágio.
Cuidados
A ginecologista Fernanda Nassar alerta para os riscos da infecção pelo HPV e reforça a importância da vacinação ainda na adolescência. Segundo a médica, a falsa percepção de que o vírus é um problema distante contribui para a baixa cobertura vacinal.
“O HPV ainda é visto como um problema distante porque a infecção acontece na adolescência, mas as consequências só aparecem muitos anos depois. Existe também um tabu forte por se tratar de um vírus sexualmente transmissível, o que gera silêncio dentro das famílias e até nas escolas. Além disso, como o câncer do colo do útero demora a se manifestar, muitas pessoas não fazem a conexão direta entre a não vacinação hoje e a doença grave no futuro”, explica.
De acordo com a especialista, a ausência da vacinação pode trazer consequências a médio e longo prazo. “A médio prazo, o adolescente pode desenvolver infecções persistentes que causam verrugas genitais e lesões pré-cancerígenas. A longo prazo, essas lesões podem evoluir para câncer de colo do útero, vagina, vulva, ânus, pênis e orofaringe. Ou seja, a não vacinação hoje expõe essa pessoa a um risco real de câncer na vida adulta”, alerta.
A médica afirma que os impactos da falta de imunização são recorrentes na prática clínica. “Atendo com frequência mulheres jovens com lesões causadas pelo HPV que exigem tratamentos invasivos, cirurgias e acompanhamento prolongado. Em vários desses casos, a paciente não foi vacinada na adolescência. Muitas dessas situações poderiam ter sido evitadas com a vacinação no momento adequado”, relata.
Sobre o período ideal para a imunização, a ginecologista destaca que a vacina é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual, mas ressalta que ainda há benefícios mesmo após essa fase. “O ideal é vacinar entre 9 e 14 anos, antes do início da vida sexual. No entanto, a vacina continua indicada na juventude e na vida adulta. Ela não trata infecções já existentes, mas protege contra outros tipos do vírus. Portanto, não é verdade que ‘perdeu o prazo’: sempre é melhor vacinar do que não vacinar”, afirma.
Por fim, a médica aponta a desinformação como o principal entrave para ampliar a cobertura vacinal. “Muitos pais acreditam que a vacina estimula o início precoce da vida sexual, o que não tem base científica. Outros têm receio de efeitos colaterais por causa de informações falsas nas redes sociais. O que falta é educação em saúde: vacinar é um ato de proteção”, conclui. (Maria Clara Campos - Programa de Estágio)
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