Reajuste
Água e esgoto sobem 15,84% em Salto em meio à crise hídrica
A tarifa de água e esgoto em Salto passará por um reajuste de 15,84%, conforme resolução da Agência Reguladora Ares-PCJ, que recomendou a revisão tarifária para assegurar a sustentabilidade financeira do sistema e viabilizar os investimentos previstos para os próximos anos.
O anúncio do aumento ocorre em um momento sensível para a população, que vem enfrentando problemas recorrentes de falta de água em diferentes bairros da cidade. A auxiliar administrativa Mariana Lopes, moradora do Jardim Donalisio, relata que a situação tem sido frequente: “Tem dias em que a água simplesmente não chega ou cai a pressão. Aí vem o reajuste, e a gente fica preocupada, porque está pagando mais por um serviço que nem sempre funciona como deveria”, afirma.
Em nota, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Salto informou que o município recebeu, nos últimos dois dias, quase 600 mil litros de água, destinados ao atendimento emergencial de residências e ao reforço dos reservatórios da cidade, e que a aquisição foi viabilizada por meio do decreto de emergência.
Segundo a autarquia, o reajuste leva em conta o intervalo sem correção desde julho de 2022, período em que a inflação acumulada pelo IPCA chegou a 14,20%, além da necessidade de garantir recursos para a manutenção e ampliação do sistema de abastecimento e de esgotamento sanitário.
No bairro Santa Cruz, a percepção dos moradores é de que o racionamento anunciado não corresponde à realidade vivida no dia a dia. Um morador da região, que preferiu não se identificar, afirma que o fornecimento é intermitente e imprevisível: “Eles falam em racionamento de 24 horas, mas a água chega por volta das 7h e, às 11h, já acabou. À noite, das 19h às 22h, some de novo. Isso quando chega. Em bairros mais altos, nem chega”, relata.
Para o aposentado José Carlos Ferreira, morador da Vila Martins, o aumento só será aceitável se resultar em melhorias concretas: “Aqui no bairro já ficamos dias sem água, principalmente em épocas de calor. O morador entende que precisa investir, mas quer ver o problema resolvido, não apenas a conta mais cara”, diz.
O morador do Santa Cruz também critica o que considera falta de equidade no abastecimento: “Os bairros da periferia são os mais atingidos. A gente não vê reclamação de condomínio. Se existe racionamento, deveria ser para todos”, afirma.
Entre os investimentos previstos com a revisão tarifária estão a construção da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) Barnabé, programas de redução de perdas nas redes, expansão do sistema para novas áreas e renovação de equipamentos, ações que, segundo o Saae, são fundamentais para evitar o colapso no abastecimento a médio e longo prazo.
A comerciante Patrícia Nogueira, que vive e trabalha na região central, destaca que a falta de água também impacta a rotina profissional: “Quando falta água, o comércio sente na hora. Não dá para atender cliente, limpar o espaço. E agora, além disso, ainda temos que lidar com o aumento da tarifa”, relata.
Com a nova estrutura tarifária, o consumo residencial mínimo de até 10 m³ passará de R$ 55,18 para R$ 63,87, um acréscimo mensal de R$ 8,69. Já um consumo médio de 15 m³ terá aumento aproximado de R$ 14,55 por mês. Os novos valores entram em vigor após o prazo legal de 30 dias da publicação.
Reajuste da Sabesp na RMS
A Sabesp informou que a nova tarifa de água e esgoto nas cidades atendidas pela companhia — incluindo municípios da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) — passou a valer na quinta-feira (1º). Segundo a empresa, a atualização corresponde exclusivamente à reposição da inflação acumulada entre julho de 2024 e outubro de 2025, sem aumento real para o consumidor.
O reajuste é, em média, dce 6,11%.
Para 2026, a tarifa residencial será de R$ 6,40 por metro cúbico em 371 cidades atendidas, enquanto, no modelo anterior, chegaria a R$ 7,36 por metro cúbico.
A Sabesp também destacou que os investimentos em saneamento não estão sendo repassados à tarifa e que, desde julho de 2024, já foram aplicados cerca de R$ 15 bilhões na ampliação e melhoria da infraestrutura, com foco na universalização do serviço até 2029. (Caroline Mendes)