Abastecimento
Onda de calor e falhas operacionais afetam abastecimento em quatro cidades da RMS
Segundo a Sabesp, o abastecimento está em recuperação gradativa, com previsão de normalização até o final desta segunda-feira (29)
Relatos de moradores que passam dias sem água, reservatórios vazios, caminhões-pipa emergenciais e famílias com doentes em casa sem condições básicas de higiene evidenciam a crise no abastecimento de água em cidades da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Entre o Natal e a véspera do Ano-Novo, Capela do Alto, Salto, Tietê e Tatuí enfrentaram interrupções prolongadas, rodízios e falhas operacionais, enquanto concessionárias e autarquias atribuem o problema ao calor intenso, ao consumo elevado e a ocorrências técnicas pontuais.
Capela do Alto
Em Capela do Alto, moradores afirmam que a falta de água se arrasta desde o Natal. No bairro do Morro, a moradora Camila Silva relata que o abastecimento chegou a ser restabelecido, mas foi interrompido novamente. “Estamos sem água desde o Natal. Primeiro disseram que era falha na bomba, depois falaram em racionamento. Agora mantêm essa justificativa”, afirmou. Segundo ela, muitos moradores aguardam posicionamentos oficiais da prefeitura antes de buscar a concessionária, por se tratar de uma cidade pequena.
No bairro Iperozinho, a situação se agravou no sábado (27), quando o fornecimento foi totalmente interrompido. “Estamos desde o dia 24 em racionamento, mas no sábado a água foi cortada geral”, contou uma moradora que preferiu não se identificar. No domingo (29), o reservatório foi reabastecido com três caminhões-pipa, o que normalizou temporariamente o fornecimento. Ainda assim, ela questiona a gestão do sistema. “Não tínhamos água, mas o reservatório estava desperdiçando. Fica a dúvida: é falta de água ou falta de trabalho capacitado?”, disse, citando a troca de equipes após a terceirização e a possível falta de treinamento.
A Sabesp informou que as intermitências ocorreram devido a temperaturas elevadas e ao consumo acima da média histórica, e que uma manutenção corretiva no sistema de bombeamento foi realizada na madrugada de domingo (28). A companhia afirma que o reabastecimento ocorre de forma gradativa e que a normalização estava prevista para ontem (29), além de atendimento emergencial por caminhões-pipa.
Tatuí
Em Tatuí, a Sabesp também reconheceu problemas no abastecimento, atribuindo o desabastecimento à onda de calor e ao aumento expressivo do consumo. A concessionária informou que realiza manobras operacionais para estabilizar o fornecimento, em um cenário semelhante ao enfrentado por outras cidades da região.
No bairro Alto da Santa Cruz, uma moradora afirmou que o abastecimento tem sido irregular desde antes do Natal. “A água some de repente e demora para voltar. A gente não consegue se programar, principalmente quem tem criança em casa”, relatou.
Outro morador contou que precisou mudar a rotina para conseguir realizar tarefas básicas. “A gente chega do trabalho à noite e não tem água. Só volta de madrugada ou no dia seguinte. Com esse calor, fica impossível”, disse. Segundo ele, vizinhos também relataram torneiras secas por horas seguidas, sem aviso prévio.
Salto
Em Salto, a falta de água se tornou rotina para moradores de diversos bairros. No Santa Lúcia, um morador desabafou: “Todo dia falta água. A gente tem idosa doente em casa, precisa de água e não tem. Já acorda cedo sem água. Como pode isso?”. Ele afirma que o problema ocorre diariamente e cobra respostas do poder público.
No jardim Bom Retiro, moradores relataram um sábado inteiro sem abastecimento. “Sem água nas torneiras o dia todo. Com tanta chuva, cadê a água?”, questionou um morador, que criticou a qualidade do serviço prestado. Já no jardim das Nações, outro morador contou que, embora o rodízio não esteja sendo cumprido de forma clara, a água costuma acabar à noite. “Durante o dia até volta, mas à noite acaba. Tem bairros reclamando que estão há uma semana sem água”, relatou.
O Saae de Salto confirmou a adoção de rodízio em dias alternados, com 24 horas de abastecimento e 24 horas de interrupção, conforme cronograma divulgado por regiões. A autarquia afirma que os demais bairros passam por fechamentos pontuais, de acordo com a demanda e a recuperação dos reservatórios.
Tietê
Em Tietê, moradores do bairro São Pedro afirmam estar sem água desde sábado (27), ao meio-dia. Uma aposentada contou que ligou para o Samae e foi informada de que um cano havia se rompido, com promessa de solução até o domingo ao meio-dia, o que não ocorreu. “Tenho meu marido acamado e minha filha deficiente. Ficar sem água está muito difícil”, desabafou.
A moradora Mônica Almeida reforçou a gravidade da situação. “Desde sábado, meio-dia, sem água. A caixa já secou. É bem triste. A gente liga e não dão previsão de retorno”, disse.
O Samae de Tietê informou que a interrupção foi causada por redução de pressão na rede adutora e que duas intervenções técnicas já foram realizadas. Segundo o órgão, o sistema voltou a operar com capacidade total às 11h de ontem (29). A autarquia descartou problemas nos poços e reservatórios, mas investiga um possível vazamento oculto de grande proporção. Caminhões-pipa estão sendo utilizados para atender famílias em situação de maior necessidade. (Caroline Mendes)