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Projeto recupera e cede bicicletas a quem precisa

26 de Julho de 2020 às 00:01

Projeto recupera e doa bicicletas a quem precisa O mecânico Vantuir Fernandes e o professor de educação física Fábio Gianolla, parceiros na iniciativa. Crédito da foto: Fábio Rogério (24/7/2020)

A pandemia do novo coronavírus fez surgir diversas iniciativas de ajuda a necessitados, como produção de refeições e doações de kits de higiene. Fábio Gianolla, professor de educação física e amante de ciclismo, pensou que deveria fazer algo semelhante, mas focando na paixão pelas bicicletas. Com isso, ele acabou auxiliando no sustento de outras pessoas nesse período.

Gianolla encabeça, em Sorocaba, o projeto BikeAção Social, que recebe doações de bicicletas usadas ou abandonadas, providencia os consertos necessários e doa os equipamentos para aqueles que precisam de locomoção ou de uma fonte de renda. Ministrando aulas online pela Faculdade de Educação Física da ACM de Sorocaba (Fefiso) e vendo uma redução do número de alunos de treinamento personalizado, por conta do fechamento das academias, o professor teve a ideia de pedir doações de bicicletas abandonadas para distribuir a quem necessitava e as primeiras bikes começaram a aparecer.

O projeto foi sendo aprimorado e, agora, Gianolla recebe fotos de bicicletas por WhatsApp, analisa se elas podem ser recuperadas e, depois, marca um dia para buscá-las. A partir daí, quem entra no circuito é o parceiro dele, o mecânico Vantuir Fernandes, que cede parte do tempo livre para a iniciativa. As bikes passam por um processo de higienização, por conta da contaminação pelo coronavírus, e são repaginadas antes de serem designadas a quem precisa.

De acordo com Gianolla, o projeto é direcionado a alunos de educação física, que perderam os estágios em academias e clubes por conta da pandemia, e também pessoas que necessitam de locomoção. “Muitos alunos estavam sem emprego. Outros, que conseguiram se recolocar, não tinham dinheiro para chegar aos trabalhos. Fora isso, identificamos trabalhadores que precisam das bikes, fazemos uma avaliação sobre essa necessidade e, em seguida, doamos”, explicou.

As doações recebidas por eles não ficam restritas a bicicletas usadas. Peças, como pneus e quadros, também são aceitas, desde que em condições de uso. O projeto também aceita bikes infantis, mas, nesses casos, o professor avisa ao doador que elas são recuperadas e vendidas para que eles possam adquirir mais itens para os consertos.

Até agora, 26 bicicletas já foram doadas e 12 pessoas foram beneficiadas. As demais bikes estão sendo recuperadas e ficam guardadas em um espaço cedido pela Fefiso, que se transformou em uma parceira da iniciativa.

Uma das beneficiadas é Maria Estela Campos de Barros, que perdeu o estágio na área de Educação Física no início da pandemia. Sem emprego, ela passou a entregar os sabonetes confeccionados por uma vizinha e apelou ao projeto para ter um meio de locomoção e de renda. “Fiquei muito feliz com o projeto. Utilizei a bicicleta para as entregas por um período e, agora que arrumei um emprego, uso para o deslocamento. Quando não precisar mais, devolvo a bike e ela vai para outra pessoa.”

Com recursos e tempo limitado, Gianolla destacou que a ajuda ao próximo é o que importa na iniciativa. “Eu tenho que rodar a cidade para buscar as bikes e, às vezes, o tempo é curto. O Vantuir também tem o ganha-pão dele. Nós não queremos muita coisa, apenas ir fazendo aos poucos e ajudar a quem realmente precisa.”

Pedidos absurdos

Conforme o projeto foi ficando conhecido, Gianolla começou a receber mensagens de pessoas que pedem bicicletas, mas não precisam realmente delas. O professor relatou já ter recebido uma oferta de doação de uma bike usada, mas condicionada à troca por uma nova. De outra pessoa, ele ouviu se poderia levar algumas bicicletas para que ela escolhesse e teve quem solicitasse uma troca grátis de pneus. Apelando para o bom senso, ele recebe fotos de bikes com potencial para serem doadas ou solicitações dos equipamentos pelo número (15) 99108-3271. (Erick Rodrigues)