Sorocaba e Região

Professora corre maratona em casa durante quarentena

Além de lidar com a repetitiva paisagem, a atleta amadora teve de lidar com adversidades dentro de casa
Professora corre maratona em casa durante quarentena
Roseli correu 42 km no quintal de sua casa. Crédito da foto: Divulgação

Entusiasta da corrida de rua, Roseli dos Santos Campos Souza, de 53 anos, correu uma maratona no quintal de sua casa, no bairro Industrial, em Sorocaba. A distância de 42,195 km foi completada no último domingo (5) no tempo de cinco horas, em um percurso para lá de inusitado: o espaço de 15 metros entre a lavanderia e a garagem.

O feito ocorreu depois do cancelamento da Maratona Internacional de São Paulo, inicialmente prevista para ocorrer no dia 5, em virtude da pandemia do novo coronavírus.

Completar uma maratona era sonho antigo de Roseli. Ela descobriu a paixão pela corrida de rua há cerca de cinco anos e se preparava desde janeiro para o maior desafio da carreira. “O começo de tudo é acreditar que a gente é capaz”, afirma.

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A frase em tom motivacional tem fundamento. Antes de correr uma maratona no quintal, exemplo de resiliência em tempos de isolamento social, Rose havia superado uma lesão no joelho e uma trombose que a impediu de treinar por quase um ano, até voltar a participar de corridas de rua na região de Sorocaba e na capital paulista.

Ela não se abalou com o adiamento de sua primeira maratona, transferida para o dia 2 de novembro. Professora de Língua Portuguesa e pedagoga da rede municipal de Educação de Sorocaba, ela aproveitou as últimas semanas de isolamento social para tentar transformar a frustração em algo positivo e inspirador. Afastou os móveis da sala e começou com sessões de alongamento e caminhada. Depois, percorreu um, três e cinco quilômetros até completar uma meia-maratona (21 quilômetros) com certa facilidade. “Fiquei muito feliz. Pensei: olha o que eu fiz”, orgulha-se.

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Com apoio do marido, das duas filhas, e motivada em dar um exemplo à neta Luisa, que vai nascer em agosto, o sonho de completar os 42 quilômetros tornava-se, então, mais próximo. “Decidi que, mesmo assim, a minha maratona tão sonhada e esperada seria realizada no mesmo dia e horário”, comentou.

No domingo (5), Rose acordou cedo e preparou-se como se fosse para a Maratona Internacional de São Paulo, cuja largada tradicionalmente é dada na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu. “Tomei café da manhã e até passei filtro solar”, lembra.

Além de lidar com a repetitiva paisagem, a atleta amadora teve de lidar com adversidades dentro de casa, como se estivesse fora dela. “Tive muita vontade de ir ao banheiro. Mas não fui porque, se eu estivesse na rua, não poderia ir. Meu marido chegou a ligar o ventilador de teto, mas eu pedi para ele desligar, porque na rua eu não teria essa vantagem”, comenta. “Quis ser fiel a mim e a todos que queriam que eu concluísse o percurso”, complementa — referindo-se aos familiares e aos amigos dos grupos de corrida de rua que integra: o “Divas Que Correm”, de Sorocaba, e o Tracking Trail, de São Roque. (Felipe Shikama)

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