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Primeiro sagui-caveirinha de cativeiro nasce em Araçoiaba da Serra

Primata típico da Mata Atlântica está ameaçado de extinção
Sagui-caveirinha macho com bebê nascido no cativeiro, em Araçoiaba da Serra
Sagui-caveirinha macho com bebê nascido no cativeiro, em Araçoiaba da Serra. Crédito da foto: Divulgação / Cecfau

 

Em Araçoiaba da Serra, uma espécie de primata ameaçada de extinção ganha chance de sobreviver por meio da reprodução em cativeiro. É o sagui-caveirinha (Callithrix aurita), também conhecido como sagui-da-serra-escuro. A notícia foi confirmada nesta quinta-feira (19), pelo Centro de Conservação de Fauna Silvestre (Cecfau).

De acordo com a Cecfau, que é ligada ao Zoológico de São Paulo, o primeiro filhote concebido em ambiente controlado tem menos de dois meses. O nascimento o ocorreu em 28 de julho passado. O bebê é saudável e se desenvolve normalmente.

Sagui em perigo de extinção

O Sagui-caveirinha é um dos primatas nativos da Mata Atlântica. Ele ocorre nos Estados de Minas Gerais e São Paulo, além do Rio de Janeiro. Atualmente está categorizado como em perigo de extinção na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas.

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Conforme o Cecfau, a estimativa é que nos últimos 18 anos, a população tenha diminuído pela metade. Os motivos são vários, como, por exemplo, fragmentação do habitat, competição e hibridização com espécies invasoras. O principal invasor é o sagui-de-tufos-brancos.

Ainda de acordo com a Cecfau, atualmente, a população cativa oficial de sagui-caveirinha é composta por apenas 45 animais.

Sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), também conhecido como Sagui-caveirinha
Sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), também conhecido como Sagui-caveirinha. Crédito da foto: Divulgação / Icmbio

 

Desafio do sagui em cativeiro

Uma estratégia para a conservação do caveirinha fora do ambiente natural é a consolidação de populações viáveis em cativeiro.  O processo exige, entre outras coisas, protocolos de manejo e reprodução de indivíduos selecionados.

Como parte dessa ação, o Cecfau aderiu ao plano de cativeiro da espécie. Somente após a fase de planejamento, a instituição recebeu o primeiro casal de Sagui-caveirinha no final de 2018.

O primata nascido em julho é fruto desse casal. Conforme o Cecfau, o pai é oriundo de natureza por resgate de fauna e a fêmea é nascida em cativeiro.

A cria araçoiabana é o primeiro filhote do casal. Até o momento,ambos têm se demonstrado bons pais.

Com pouco mais de um mês de vida, o bebê passa a maior parte do tempo com o pai. De acordo com a equipe do Cecfau, a cria só é entregue para a mãe na hora da amamentação.

Mais espécies ameaçadas

O nascimento do caveirinha é o primeiro passo do Plano de Cativeiro, que é a reprodução e aumento populacional. Atualmente, o Cecfau mantém 44 animais de seis espécies, todas ameaçadas de extinção.

A perspectiva agora é que uma nova espécie seja integrada ao plantel da instituição, a perereca-pintada (Aparasphenodon pomba). Este anfíbio  está criticamente ameaçado de extinção. Por isso, é uma das espécies prioritárias para a conservação em cativeiro.

Conforme o Cecfau, a única população selvagem conhecida não ocorre em área preservada. Em outras palavras, as ameaças atuais podem tornar a espécie extinta em um curto período de tempo.

Avançado centro de estudos

Inaugurado em 2015, o Cecfau é um avançado centro de estudos voltado para o monitoramento ambiental. Além disso, se dedica à preservação de amostras e à manutenção de recursos genéticos.

O local escolhido como sede da instituição é uma área de 80 mil metros quadrados, dentro da Fazenda do Zoo, em Araçoiaba da Serra.

O centro é viabilizado exclusivamente com recursos financeiros próprios. Conforme seus gestores, o dinheiro vem da visitação do zoológico, em São Paulo. (Da Redação, com Assessoria do Governo Estadual)

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