Sorocaba e Região

Primeiro dia de greve nos Correios tem adesão parcial na região

Adesão é de 90% dos funcionários na região de Sorocaba, conforme sindicalistas, e 17% no País segundo a empresa
Primeiro dia de greve nos Correios tem adesão parcial na região
A categoria protesta contra a retirada de direitos, a privatização da empresa e a ausência de medidas de proteção contra a Covid-19. Crédito da foto: Fábio Rogério (6/5/2020)

O primeiro dia da greve geral dos funcionários dos Correios teve adesão parcial na região de Sorocaba. O Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de São Paulo (Sintect-SP) informou que 90% da categoria aderiu ao movimento, enquanto a estatal afirma que a adesão, no País, é de 17% dos empregados, o que não afetaria os serviços de atendimento aos seus clientes.

“A rede de atendimento dos Correios está aberta em todo o País. Assim como os serviços, inclusive Sedex e PAC, continuam sendo postados e entregues em todos os municípios”, informou a estatal.

Por tempo indeterminado

A greve por tempo indeterminado foi deflagrada na noite de segunda-feira (17). Assim, ela foi definida em assembleias realizadas por todos os 36 sindicatos de trabalhadores dos Correios do país. Todos são ligados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).

A categoria diz que a paralisação ocorre em protesto contra a retirada de direitos. Conforme eles, a privatização da empresa e a ausência de medidas para proteger os empregados da pandemia de Covid-19 são os demais fatores. Esse segmento representa mais de 100 mil funcionários em todo o País.

De acordo com Francisca Idalina, dirigente do Sintect-SP, a base da regional de Sorocaba é formada por 51 cidades. A direção dos Correios afirma que colocou em prática seu “plano de continuidade de negócios”. O objetivo é minimizar os impactos à população. Assim, conta com a adoção de medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões.

Correios e o acordo coletivo

Um dos principais motivos da paralisação, conforme o sindicato, foi a revogação, a partir de 1º de agosto, do atual acordo coletivo, cuja vigência vai até 2021.

De acordo com a entidade, 70 cláusulas com direitos conquistados ao longo dos anos foram retiradas, como, por exemplo, 30% do adicional de risco, vale-alimentação, licença-maternidade de 180 dias, auxílio-creche, indenização por morte e auxílio para filhos com necessidades especiais, além de pagamentos como adicional noturno e horas extras.

Sobre as ações da empresa para enfrentamento da pandemia, os sindicalistas relatam que teve de acionar a Justiça para garantir aos empregados equipamentos de proteção individual, álcool em gel, testagem e afastamento daqueles integrantes de grupos de risco e dos que coabitam com crianças em idade escolar.

Privatização dos Correios

Segundo o Sintect, trata-se de uma estratégia com intuito de precarizar o serviço a fim de privatizar a empresa. “Vale lembrar que essa privatização foi um ponto forte da campanha eleitoral do atual presidente da República”, diz a entidade, em comunicado enviado à imprensa.

Já os Correios afirmam que as negociações com as entidades sindicais visam o reequilíbrio do caixa da empresa, fragilizado diante da crise financeira ocasionada pela pandemia.

“A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida”, dizem.

A estatal alega, ainda, que nenhum direito foi retirado, mas “apenas foram adequados os benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, de modo a alinhar a estatal ao que é praticado no mercado”. (Felipe Shikama)

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